O risco de ficar para trás…

30/10/2008

No Brasil, Operadores Logísticos e Transportadoras têm investido muito pouco na capacitação técnica de seus colaboradores, comprometendo não apenas questões motivacionais de vital importância para a empresa, mas principalmente a sua capacidade intelectual, que lhe permitirá desenvolver e implementar soluções técnicas diferenciadas. Em muitas empresas do setor, o investimento é praticamente nulo, e em outras, embora seja muito tímido, não atinge a cifra mínima recomendada de 0,5% a 1,0% do faturamento ao ano.

Por outro lado, os Embarcadores continuam direcionando substancial parte de seus recursos financeiros no treinamento e desenvolvimento de seus profissionais, o que contribui diretamente para a qualificação técnica da equipe de gestão logística.

Aquilo que deveria ser o diferencial do prestador de serviços especializado em logística e transportes,está mudando de lado, e em muitos casos, o domínio do conhecimento técnico já é superior do lado de quem contrata os serviços.

Por questões culturais, desconhecimento e muitas vezes financeira, as empresas de logística e transporte estão deixando de investir no desenvolvimento de sua equipe, tanto no nível tático como no operacional.

Esse desequilíbrio, no médio e longo prazo, poderá levar a profundas transformações na relação entre o Embarcador e os prestadores de serviços.

Aliado ao processo de “comoditização” pelo qual passa o mercado, poderá decretar a falência de muitas empresas, já que cada vez mais será difícil impor o ponto de vista do prestador de serviços.

Será mais difícil argumentar tecnicamente no processo de venda e se tornará mais complexa a relação entre a área operacional e o Embarcador.

A perda da capacidade inovativa por parte dos prestadores de serviços em logística e transportes levará a um natural “rebaixamento” das empresas, ocorrendo a transferência das tarefas de planejamento e gestão para os Embarcadores, permanecendo nas mãos dos ‘especialistas’ logísticos apenas a operação.

Na operação a questão do ativo operacional (caminhão, armazéns, terminais) é super valorizada, o que colaborará ainda mais para que estes sobressaiam sobre o capital humano.  Proprietários e executivos dessas empresas continuarão investindo R$ 500.000,00 em um novo equipamento, mas também continuarão com receio de gastar 0,1% disso (ou R$ 500,00) em um curso voltado para a formação, capacitação ou reciclagem de seus funcionários.

Estaremos então, diante de um retrocesso do mercado, regredindo a estágios básicos, levando-nos a desperdiçar importantes passos conquistados pelos Operadores Logísticos e Transportadoras nos últimos 10 anos.

Profissionais mal capacitados não utilizarão adequadamente os modernos equipamentos de transporte comprados e terão dificuldades em otimizar a infra-estrutura física existente, e incorrerão em custos desnecessários. Também não explorarão devidamente as avançadas funcionalidades disponibilizadas pelas sofisticadas ferramentas tecnológicas. E por fim, não saberão lidar com a pressão por melhoria contínua e com a cobrança por resultados. Portanto, estaremos diante de uma combinação explosiva!

Menos mal que ainda teremos bons exemplos de empresas e profissionais visionários do setor de logística e transportes, que provarão que estavam certos à grande maioria, ao valorizar o seu principal ativo, as pessoas!

Desceremos importantes e vitais degraus em direção ao “fundo do poço” deste já combalido mercado. Todos perderão; uns mais, outros menos e alguns tudo! Pena que, nessa batalha cruel e desigual, bons e maus morrerão abraçados!

 

Marco Antonio Oliveira Neves é diretor da Tigerlog Consultoria

Compartilhe:
Kepler Weber e Procer anunciam robô que usa tecnologia integrada para nivelar grãos armazenados
Kepler Weber e Procer anunciam robô que usa tecnologia integrada para nivelar grãos armazenados
ENIACLOG 2026 reúne empresas, especialistas e debates sobre tecnologia e Supply Chain em Guarulhos, SP
ENIACLOG 2026 reúne empresas, especialistas e debates sobre Supply Chain em Guarulhos, SP
Radares do DER-SP entram em operação em quatro rodovias estaduais de São Paulo
Radares do DER-SP entram em operação em quatro rodovias estaduais de São Paulo
Águia Branca Encomendas inicia operação em São José dos Campos, SP, com embarque no mesmo dia
Águia Branca Encomendas inicia operação em São José dos Campos, SP, com embarque no mesmo dia
Fundos imobiliários avançam na região Sul com expansão logística e força do agronegócio
Fundos imobiliários avançam na região Sul com expansão logística e força do agronegócio
Medicamentos em supermercados exigem maior controle da cadeia fria, alerta Grupo Polar
Medicamentos em supermercados exigem maior controle da cadeia fria, alerta Grupo Polar

As mais lidas

01

Descompasso entre demanda e infraestrutura pressiona logística urbana no Estado de São Paulo, avalia o presidente da FETCESP
Descompasso entre demanda e infraestrutura pressiona logística urbana no Estado de São Paulo, avalia o presidente da FETCESP

02

Copa do Mundo 2026 acelera vagas temporárias e fortalece polos logísticos, revela estudo da Mendes Talent
Copa do Mundo 2026 acelera vagas temporárias e fortalece polos logísticos, revela estudo da Mendes Talent

03

Vacância de galpões de alto padrão atinge mínima histórica de 6,4% no Brasil, aponta Binswanger
Vacância de galpões de alto padrão atinge mínima histórica de 6,4% no Brasil, aponta Binswanger