O ano do transporte

19/01/2008

O crescimento de mais de 5% do PIB, que deve ser confirmado para o ano recém-terminado, os investimentos públicos e, principalmente, da iniciativa privada, que se desenham para o ano que começa e todo sucesso econômico obtido até aqui, conquistado a duras penas, indicam que 2008 pode ser um ano de crescimento e prosperidade para nosso país.

A incerteza reside na constatação de que o Brasil ainda não fez as reformas mais profundas que já deveriam ter sido feitas e as conquistas do ano passado não são suficientes para, por si só, assegurar os novos avanços econômicos e sociais necessários.

Todos reconhecem a urgente necessidade de reforma política. Espera-se com ansiedade a reforma tributária. Há anos, por maior empregabilidade e melhores condições de produção, os agentes produtivos aguardam a reforma trabalhista. Em 2007, a tônica continuou sendo a espera por taxas de juros em níveis civilizados.

A atividade transportadora, responsável por 6,5% do PIB e pela geração de 2,5 milhões de empregos diretos, portanto, uma das mais importantes atividades econômicas, ressente-se de bases estruturais mais favoráveis e deseja as reformas mais profundas para promover transporte de qualidade.

No ano passado, o Brasil foi indicado para sediar a Copa do Mundo de 2014 e, juntamente com a capacidade hoteleira e a qualidade dos estádios, o fator determinante para o sucesso da empreitada é a infra-estrutura de transporte disponível no país, segundo a opinião da própria Fifa.

Foram apresentados, pelas cidades candidatas a sedes, magníficos projetos de transporte que, executados, certamente atenderão às necessidades pontuais do evento. Mas que não representarão necessariamente as mudanças estruturais nas políticas públicas para a atividade de transporte. Portanto, o trem-bala, entre São Paulo e Rio de Janeiro, não significa mais facilidades de crédito para o transportador. O Veículo Leve sobre Trilhos, em vários Estados, não precede rodovias bem pavimentadas e sinalizadas. Nem a expansão e criação do serviço de metrô farão portos, aeroportos, hidrovias e ferrovias mais modernos.

Entre 2002 e outubro de 2007, a União arrecadou com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) R$ 44,4 bilhões. No mesmo período, o governo investiu pouco mais de R$ 19 bilhões em infra-estrutura de transporte, ou seja, pouco mais de 43% do que só a Cide rendeu aos cofres públicos.

A CNT apresentou, em setembro do ano passado, o Plano de Logística para o Brasil, um conjunto de projetos para construção, adequação e recuperação da infra-estrutura do transporte brasileiro. O PLB pede investimentos totais, ao longo das próximas décadas, de R$ 224 bilhões para que o Brasil tenha sua atividade transportadora semelhante à dos países mais desenvolvidos.

A conjuntura econômica acena para 2008 com possibilidades de grandes avanços. Mas, para ser verdadeiramente um ano de crescimento espetacular, este precisa ser o ano da infra-estrutura do transporte.

 

* Clésio Andrade é presidente da Confederação Nacional dos Transportes.

Fonte: www.cnt.org.br

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