Modelo Tarifário Aeroportuário

16/04/2009

Uma das principais polêmicas do setor de transportes aeroportuários, na atualidade, refere-se ao modelo tarifário praticado pelas principais empresas nacionais, principalmente, para o transporte internacional, sendo a motivação para profundas análises em relação à proposta da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), em determinar uma política de preços livres e maior concorrência para o segmento.

A aviação brasileira é repleta de desafios, pois a nação tem características continentais, o que torna o setor alavancado operacionalmente. Porém, o potencial de expansão é atraente, pois somente 8% da população economicamente ativa, utiliza o modal aeroportuário, com uma grande concentração de executivos em suas viagens de negócios. Outro fator crítico é a questão regulatória, muito arraigada ao modelo proposto pelos militares, quando da época do DAC (Departamento Nacional de Aviação Civil), sendo a regulação exercida hoje, pela ANAC, uma agência privada.

Ao avaliar a história das empresas de aviação, percebe-se que as estruturas de custos utilizadas por estas organizações são decisivas para a prosperidade dos modelos de negócios. Segundo dados da IATA (Associação Internacional de Transportes Aeroportuários), o maior percentual de custos está associado ao consumo de combustíveis, seguido dos gastos cambiais, manutenção, tecnologia e pessoal.

Empresas como Varig, Vasp e Transbrasil, que já foram motivo de orgulho no passado, hoje representam uma bela história da aviação brasileira, marcada por muitas conquistas e glórias, porém, quebradas devido à fragilidade gerencial.

Atualmente, os céus brasileiros são cruzados por empresas como Gol, TAM (representando um caso fiel de duopólio, pois são responsáveis por 92% de todo o tráfego nacional), Webjet, BRA e recentemente pela Azul, com propostas, que variam da diferenciação dos serviços prestados, ao de baixos custos e baixas tarifas. No final das contas, as empresas nacionais têm uma estrutura de custos bem similiar, pois a idade média da frota é aproximada, com a disputa pelas mesmas rotas e passageiros.

Já o mercado internacional é a motivação para análises mais detalhadas. Somente a TAM e a Gol possuem rotas para outros países, sendo que esta última para destinos na América do Sul, somente. Analisando os relatórios financeiros destas duas empresas, o percentual de rotas internacionais em relação ao faturamento total ainda é pequeno, com possibilidades de expansão. No entanto, as passagens são muito caras e não favoráveis para viagens internacionais.

Apesar das tarifas internacionais desfavoráveis, o número de passageiros vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, em correlação a dinâmica econômica crescente, o que justificaria novos vôos e passagens mais baratas.

Logo, valeria a pena estimular o mercado livre para a prática de preços das tarifas aeroportuárias, ou permitir que as empresas nacionais tenham um crescimento da capacidade de oferta versus as demandas nacionais? Seria adequado um modelo de livre mercado ou um modelo para desenvolvimento nacional?

A resposta pode ser facilmente encontrada na história da aviação nacional, pelo seu atual momento e pelo comportamento das empresas que operam no setor, em detrimento a concorrência internacional.

Hugo Ferreira Braga Tadeu é professor da Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro e Coordenador do Núcleo de Estudos em Operações. Contato: hugofbraga@gmail.com

 

Fonte: ABEPL

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