Marco regulatório para o transporte aquaviário

25/02/2008

A melhoria do ambiente institucional da regulação dos transportes aquaviários e portos no Brasil é condição necessária relevante para o aumento dos investimentos e desenvolvimento no setor. Nesse contexto, o marco regulatório, ora conceituado como conjunto de normas e condutas que ordenam o setor, precisa ser aperfeiçoado. Aliás, a regulação precisa de atuação constante, porque a política pública1 precisa identificar a demanda do setor regulado.

Assim, buscou-se identificar alguns (22) elementos determinantes da regulação da mencionada indústria nos Estados Unidos, efetuada por meio da Federal Maritime Commission e, após o contraste, sugerir algumas propostas para melhorar o marco regulatório brasileiro.

A pesquisa foi feita em nível de pós-doutorado em 2007-08, no Center for Business and Government da Harvard University, e a sua conclusão será divulgada em uma série de cinco artigos, que ora inicia.

1. Arcabouço jurídico:

a) Discutir e aprovar a Lei Geral das Agências Reguladoras e a PEC n° 81, de autoria do Senador Tasso Jereissati, que tramitam no Congresso Nacional;

b) Elaborar a análise econômica do impacto das imunidades antitrustes das empresas estrangeiras no mercado das empresas brasileiras de navegação. Em caso de evidências de infração à ordem econômica (externalidade negativa):

    b.1) discutir a criação da imunidade antitruste para as empresas de navegação brasileiras e das conferências de frete, tomando-se como referência o disposto no Shipping Act de 1984 e outras legislações tais com União Européia e Japão;

    b.2) iniciar processo administrativo para apurar infração à ordem econômica e notificar o CADE;

c) Promover a simplificação dos procedimentos envolvidos no arrendamento de áreas e instalações portuárias e na implantação de terminais de uso privativo;

d) Identificar alterações necessárias na Lei n° 8.630, de 1993 (Lei dos Portos);

e) Instituir o CONIT e proporcionar condições materiais para que funcione;

f) Estimular a participação dos interessados na regulação do setor nas diretrizes a serem editadas pelo CONIT;

g) Reformar a legislação da Antaq para que a agência possa ter as próprias políticas de contratação de pessoal, ou pelo menos proporcionar flexibilidade para usar outras práticas genericamente aplicadas, especialmente relacionadas à integridade pública, à contratação dos melhores profissionais no mercado regulado e ética;

h) Reformar a legislação para que os Diretores da Antaq possam ter o tempo necessário para atuar em temas de natureza substantiva e não de gestão da Antaq

2. Competência:

a) Convocar uma conferência que inclua os membros do CONIT, Ministério dos Transportes, Ministério da Defesa, lideranças do Congresso Nacional, reguladores, empresas reguladas e consumidores para propor legislação básica definindo os papéis do CONIT e as novas políticas;

b) Estabelecer a missão, visão e perguntas sobre a atividade e competência da ANTAQ;

c) Proteger o comércio brasileiro e combater as práticas injustas;

d) Regular o ocean transportation intermediary – OTI, especialmente o ocean freight forwarder e NVOCC;

e) Buscar o equilíbrio da matriz de transportes, com ênfase na intermodalidade;

f) Garantir condições favoráveis ao investimento privado em infra-estrutura portuária;

g) Implementar política de atração de investimento privado a ser feito via parceria público-privada;

h) Institucionalizar a prática da elaboração da análise econômica do impacto das normas, decisões e serviços prestados pelos concorrentes das empresas brasileiras de navegação;

i) Estabelecer programas de valorização salarial de servidores no mesmo padrão das empresas reguladas ou, pelo menos, permitir que a ANTAQ possa pagar salários comparáveis aos daquelas agências do governo federal cujos salários são acima da média (por exemplo, Banco Central);

j) Criar um centro de resolução de disputas que julgue de forma célere casos envolvendo a interpretação ou aplicação de normas e decisões da ANTAQ. Esse centro deve dispor de um procedimento rápido (fast track) para esclarecer dúvidas interpretativas

k) Liderar a formação de uma força-tarefa de reguladores, empresas reguladas, acadêmicos e servidores do governo (incluindo o Ouvidor) para desenvolver, criar e dar sustentabilidade a um programa nacional para proporcionar infra-estrutura intelectual para a regulação no Brasil. O programa deve incluir a proposta de financiamento e coordenação e inserção em atividades internacionais;

l) Cooperar com outras agências reguladoras e a ABAR a fim de estabelecer critérios para certificar programas de estudos regulatórios em universidades brasileiras e um programa para tal certificação;

m) Discutir e criar contribuição para tais programas de estudos e pesquisas regulatórias, a ser paga à Antaq pelas empresas reguladas em valor cobrado aos pelos consumidores das empresas reguladas até um limite máximo. Sugere-se a contribuição obrigatória de 1 % para a pesquisa e desenvolvimento, a ser pago pelas empresas reguladas;

n) Liderar a criação e manter uma revista trimestral interdisciplinar com profissionais de direito, economia, engenharia aeronáutica, finanças, engenharia naval, meio-ambiente, engenharia de transportes, ciências náuticas, sobre estudos de regulação de transportes. A revista deve privilegiar a intermodalidade por meio de artigos de pesquisadores nacionais e internacionais dos modais aéreo, aquaviário, portuário, rodoviário e ferroviário, a ser disponibilizada pela internet, com resumo dos artigos em inglês e espanhol.

Osvaldo Agripino de Castro Junior é advogado e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

 

Fonte: NET MARINHA

Compartilhe:
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL

As mais lidas

01

Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina
Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina

02

Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei
Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei

03

Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico
Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico