Logística em transformação: como a eletrificação das frotas redefine a eficiência operacional

Por Lucas Zanon*

Com os custos logísticos representando até 12% do PIB brasileiro, segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a busca por soluções mais econômicas, eficientes e sustentáveis nunca foi tão urgente. E dentro desse cenário, a eletrificação das frotas surge como uma resposta estratégica a esse desafio, oferecendo benefícios claros e mensuráveis para operadores logísticos em todo o país, nos mais diversos setores. Mais do que uma tendência, esse movimento é parte de uma mudança de paradigma no transporte de cargas pelo qual o Brasil já começou a passar.

LOGÍSTICA EM TRANSFORMAÇÃO: COMO A FROTA Eletrificação REDEFINE A EFICIÊNCIA OPERACIONAL

O avanço dos veículos elétricos no setor de transporte é notável. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), o número de modelos de veículos elétricos disponíveis no mundo aumentou 43% nos últimos anos, e as vendas globais cresceram 35% apenas em 2023, atingindo a marca de 14 milhões de unidades. Essa curva de crescimento sinaliza não só maior acesso à tecnologia, mas também um novo olhar das empresas sobre o papel da logística na agenda ESG.

Enquanto os caminhões à diesel apresentam altos custos com combustível e manutenção constante, os modelos elétricos estão mudando esse cenário com vantagens bastante concretas. Em termos energéticos e de manutenção, a economia dos elétricos pode chegar em até 70% comparado aos veículos a diesel. Esses benefícios não só aliviam a pressão sobre os orçamentos logísticos, mas também reposicionam o transporte de cargas como uma frente de inovação, redução de custos e sustentabilidade dentro das empresas.

Outro ponto relevante é o desempenho técnico dos caminhões elétricos. Com torque imediato e frenagem regenerativa, eles apresentam uma performance superior no trânsito urbano melhorando a fluidez das operações logísticas e contribuindo com o menor desgaste de peças, elevando a eficiência da frota.

A manutenção, nesse contexto, representa um ganho considerável. A redução do número de componentes como filtros, óleo de motor, correias e escapamentos reduz não apenas o custo direto com peças, mas também o tempo ocioso da frota em oficinas. Isso significa menos paradas operacionais e maior disponibilidade dos veículos para as rotas realizadas — fatores que impactam diretamente a rentabilidade da operação. Além disso, os sistemas eletrônicos embarcados nos veículos permitem monitoramento constante do estado dos componentes.

A eletrificação também oferece previsibilidade de custos, um fator decisivo num setor altamente exposto às flutuações do diesel. Com a eletricidade mantendo valores mais estáveis, os gestores logísticos conseguem orçar com maior precisão e trazer mais estabilidade para os custos de operação.

Em paralelo a isso, o movimento de transição energética vem sendo impulsionado por incentivos governamentais, como redução de IPVA em diferentes estados e isenção de restrições de circulação em zonas urbanas. Trata-se de um contexto cada vez mais favorável à eletrificação, tanto sob a ótica financeira quanto estratégica.

Dessa forma, empresas que lideram esse processo de transição não apenas garantem maior eficiência operacional, mas se posicionam como protagonistas na construção de uma logística mais sustentável. A indústria precisa deixar de ver o caminhão elétrico como exceção e começar a enxergá-lo como padrão. As empresas e setores que adotarem essa tecnologia em sua operação logística agora estarão à frente de um novo mercado — mais econômico, limpo, ágil e inteligente.

*Lucas Zanon, CEO da EVolution Mobility

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