IA na cadeia de suprimentos provoca revolução nos armazéns; o que esperar a seguir?

Por Adam Kline*


Já se passaram quase dois anos desde que o ChatGPT explodiu na cena tecnológica. Desde então, a inteligência artificial generativa e, mais recentemente, a IA agentiva (que não apenas responde a comandos, mas atua de forma autônoma em nome do usuário, executando tarefas, tomando decisões dentro de limites pré-definidos e orquestrando outras ferramentas ou sistemas), passaram a fazer parte do vocabulário comum, tema de conversas em milhões de mesas de jantar ao redor do mundo. No universo da IA, dois anos podem equivaler a uma era geológica, considerando a escala e a velocidade dos avanços.

Enquanto investidores continuam a injetar recursos na tecnologia, executivos correm para entender as implicações para suas operações e modelos de negócios. Apesar do ritmo por vezes vertiginoso das inovações, as organizações, em geral, estão se tornando mais confortáveis com a aplicação da inteligência artificial a processos empresariais específicos.

IA na cadeia de suprimentos provoca revolução nos armazéns; o que esperar a seguir?

O uso da IA em contextos de cadeia de suprimentos não é novidade. Mas a visibilidade sobre a cadeia em si se tornou uma prioridade crescente para executivos que lidam com redes logísticas cada vez mais complexas e frágeis. Para quem busca inovação de forma estratégica e conhece suas limitações, a IA pode atuar como uma coadjuvante ágil e multiplicadora na construção de resiliência e eficiência nas operações.

Segundo um estudo da EY, que analisou 525 grandes empresas da Argentina, Brasil, Canadá, México e os Estados Unidos, atualmente, cerca de 40% das organizações de supply chain investem especificamente em IA generativa, com foco em aplicações de gestão do conhecimento e objetivos como reduzir custos, acelerar a distribuição e antecipar possíveis interrupções.

Para empresas que desejam aprimorar suas cadeias de suprimentos com diferentes vertentes de IA, os armazéns são um ponto de partida essencial. Ganhos em velocidade, produtividade e insights estão ao alcance. À medida que a IA generativa e a agentiva chegam (ou já chegaram) a um armazém próximo, três áreas devem passar por transformações significativas:

A necessidade de velocidade
 

A IA generativa vai acelerar drasticamente os tempos de implementação, impactando praticamente todos os aspectos desse processo. Isso inclui a geração de documentos de design, a configuração de sistemas, a automação de testes e até a escrita de códigos complementares. Ela também poderá fornecer conhecimento de forma instantânea aos colaboradores, reduzindo o tempo de treinamento e integração e acelerando suas metas de produtividade e rendimento. Esse impacto positivo nos cronogramas de projetos levará a um retorno sobre o investimento mais rápido.

Ninguém é perfeito

Independentemente do setor de atuação, por mais bem planejada que seja uma operação, obstáculos sempre surgem. O que importa é como identificá-los, administrá-los e superá-los. A IA agentiva pode aprimorar de forma significativa a resolução de problemas no armazém. Ela é capaz de “pensar, ver e agir”, identificando padrões e oportunidades de melhoria, solucionando falhas mais rapidamente e gerando ganhos reais de produtividade.

Transformando dados em insights

Todos sabem que o diabo mora nos detalhes — e nos dados. Mas, muitas vezes, a infraestrutura defasada, os dados fragmentados e as interrupções na cadeia de suprimentos dificultam o aproveitamento pleno do potencial da IA. Uma abordagem unificada e baseada em APIs para as aplicações de supply chain pode liberar todo o poder contido nas informações, permitindo acesso rápido a métricas-chave, monitoramento de tendências e a capacidade de transformar insights em ações concretas.

Além disso, a IA agentiva pode mudar radicalmente a forma como usuários interagem com softwares de gestão de armazéns (WMS). Em vez de navegar por telas pré-definidas repletas de dados e visualizações complexas, os usuários terão mais liberdade para interagir com o sistema por meio de linguagem natural e comandos de voz, substituindo — ou ao menos complementando — interfaces tradicionais, acelerando a descoberta de informações e a execução de tarefas.

A urgência em acelerar a inovação fica evidente quando lembramos dos impactos recentes na cadeia de suprimentos. A pandemia de Covid e a instabilidade global dos últimos cinco anos expuseram fragilidades significativas: mudanças súbitas na demanda provocaram gargalos na produção, escassez de produtos e aumentos de custos que acabaram pesando para empresas e consumidores.

Com eventos climáticos cada vez mais destrutivos e frequentes, desastres naturais, ataques cibernéticos, falhas de fornecedores e, mais recentemente, instabilidade geopolítica, há sinais claros de que as interrupções nas cadeias de suprimentos tendem a se tornar mais comuns. Isso torna a inovação fundamental para a sobrevivência.

A IA generativa e a agentiva prometem aumentar a eficiência, melhorar a tomada de decisão e potencializar o desempenho em todas as áreas da cadeia de suprimentos — dos armazéns ao transporte, do planejamento à execução. No entanto, não devem ser vistas como soluções mágicas: as empresas precisarão também investir fortemente em tecnologia e talentos para desbloquear todo o potencial.

Organizações que investirem em tecnologia baseada em microsserviços e APIs estarão aptas a oferecer suporte em nível de plataforma para múltiplos perfis, funções e papéis, de forma ágil. Essa vantagem garantirá que estejam melhor posicionadas para prosperar em uma era em que não será apenas a inovação que importa, mas a velocidade com que ela poderá ser implantada de forma eficaz.

* Adam Kline é diretor de Gerenciamento de Produtos na Manhattan Associates

Compartilhe:
Expansão em logística integrada leva WPX a projetar até R$ 130 milhões em investimentos em 2026
Expansão em logística integrada leva WPX a projetar até R$ 130 milhões em investimentos em 2026
Abralog e IFB firmam parceria para fortalecer logística e cadeia de foodservice no Brasil
Abralog e IFB firmam parceria para fortalecer logística e cadeia de foodservice no Brasil
Porto de Imbituba ganha nova linha marítima Brasil-Rússia com escalas quinzenais
Porto de Imbituba ganha nova linha marítima Brasil-Rússia com escalas quinzenais
Total Express anuncia Geizibél Cavinato como nova Head Comercial para fortalecer relacionamentos
Total Express anuncia Geizibél Cavinato como nova Head Comercial para fortalecer relacionamentos
FM Logistic obtém validação da SBTi para metas de redução de emissões até 2030
FM Logistic obtém validação da SBTi para metas de redução de emissões até 2030
INTRA-LOG Expo cresce, estreia evento de embalagens e amplia programação em São Paulo, SP
INTRA-LOG Expo cresce, estreia evento de embalagens e amplia programação em São Paulo, SP

As mais lidas

01

Gobrax contrata Julian Boeira, executivo com experiência global, como diretor de pós-vendas
Gobrax contrata Julian Boeira, executivo com experiência global, como diretor de pós-vendas

02

Correios disponibilizam soluções de logística eleitoral e comunicação para as Eleições 2026
Correios disponibilizam soluções de logística eleitoral e comunicação para as Eleições 2026

03

Evento Mulheres na Logística reúne executivas, empresárias e especialistas em Alphaville, na Grande São Paulo
Evento Mulheres na Logística reúne executivas, empresárias e especialistas em Alphaville, na Grande São Paulo