Gestão Eficiente de Estoques

27/08/2008

Ao analisar a economia nacional, torna-se perceptível que durante muitos anos o Brasil foi assolado pelo processo inflacionário. As origens deste processo estão associadas aos elevados gastos públicos do governo durantes anos, aos choques do petróleo na década de 70 e necessidade pelo reajuste de preços pelas empresas, para evitar a bancarrota. Dentro destas analises econômicas, um dos critérios é o volume de estoques na economia nacional. Grandes volumes significam baixo giro de estoques e vendas não satisfatórias, um fato normal para épocas passadas.

Através da adoção de um modelo econômico ortodoxo, o então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, optou por encerrar este ciclo negativo para o crescimento nacional. Foi adotado, a partir de 1994 o Plano Real com a colaboração de acadêmicos e executivos como os economistas Gustavo Franco, Pérsio Árida, Rubens Ricupero, Armínio Fraga, entre tantos outros notáveis.

Durante alguns anos, o processo de ajuste fiscal e monetário foi árduo, inclusive, devido às crises externas do México, Argentina e Rússia. Apesar de todos os problemas registrados, o custo para a estabilidade valeu a pena.

Enquanto no passado as organizações precisavam estocar em excesso, devido às incertezas de consumo, ocasionado em custos elevados de armazenagem, de transportes e depreciação, hoje já é possível avaliar as dinâmicas do mercado e com um grau menor de incerteza, adotar os modelos de previsão de demanda.

No passado, quanto maior o número de fornecedores, a teoria da barganha poderia ser exercitada, com ganhos por volumes de compras. Esta análise já não é mais adequada hoje. A escolha de fornecedores envolve a qualidade das suas operações, a disponibilidade de estoques, o tempo de entrega e o preço final dos volumes adquiridos. Entende-se que o mercado é pura concorrência, e aquelas empresas que registrarem as melhores opções de escolha serão as vencedoras.

Por este contexto, os modelos de estocagem em função das demandas são os determinantes. Tecnicamente, este conceito é conhecido como Pull Systems, com a sua origem no sistema Toyota de produção. Ou seja, empresas fornecedoras devem interligar a sua cadeia logística com as fabricas ou depósitos, devendo estas gerenciarem os recursos materiais, compreendendo também as menores distâncias, as melhores tecnologias, avaliando corretamente os modelos tributários e a opção por estoque zero para as linhas de produção.

Os estoques devem ser interpretados como recursos físicos, através do volume movimentado e codificação utilizada, mas obrigatoriamente como recursos financeiros e que devem trazer retornos significativos sobre vendas. A lógica consiste em um menor custo de armazenagem, com redução de perdas, depreciação e desvios de movimentação. Desta forma, preserva-se o capital empregado nas operações logísticas e com ganhos de competitivade.

Hugo Ferreira Braga Tadeu (hugofbraga@gmail.com) é professor e Coordenador do Grupo de Estudos em Operações da Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro.

Fonte: Portal NewsComex

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