Gargalo na refinaria

06/06/2008

Na teoria, a política industrial anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de estar pelo menos quatro anos atrasada, poderá contribuir de modo efetivo para reverter os problemas das empresas transformadoras de plásticos. Estas, a despeito de seus investimentos em aporte tecnológico, que lhes dão qualidade igual ou superior à das concorrentes estrangeiras, são sufocadas pelos impostos exagerados, os juros mais altos do mundo, infelizmente praticados em nosso país, e um câmbio irreal, que favorece as compras no exterior.

Assim, a desoneração tributária representada pela renúncia fiscal superior a R$ 21 bilhões nos parece ser a principal medida do plano anunciado pelo chefe da Nação. Quando mais rapidamente essa providência repercutir no custo da transformação dos plásticos, melhores serão as condições das empresas nacionais de reverter o déficit da balança comercial do setor, que atingiu a cifra recorde de US$ 579 milhões em 2007.

Todo esse saldo negativo, que representa menos empregos aqui e mais postos de trabalho no Exterior, é resultante do fato de os brasileiros estarem importando cada vez mais da China o que antes produziam aqui. Esta tem sido a inevitável alternativa de várias indústrias transformadoras do plástico, que precisam continuar abertas, trabalhando, mantendo seus quadros de recursos humanos, pagando impostos…

Por isto, se o governo não cumprir as promessas de desoneração tributária para o setor industrial, o segmento dos plásticos continuará buscando opções mais viáveis em países nos quais a consciência sobre a necessidade de apoio à produção brotou muito antes. Entretanto, não basta a renúncia fiscal contida no plano anunciado pelo presidente Lula.

A medida não pode colocar em segundo plano a reforma tributária, prioridade estrutural imprescindível para viabilizar a competitividade de amplos setores da indústria brasileira. Afinal, a nossa carga tributária inclui-se entre a maiores do mundo, com o agravante de estar associada aos juros mais elevados do planeta e a uma política cambial absolutamente contraditória à lógica, aos interesses do País e à própria realidade de nosso PIB.

Outro aspecto positivo da política industrial é o estímulo à pesquisa e inovação e à redução do custo financeiro em investimentos nesse campo. Essas medidas podem contribuir, em médio prazo, para a redução do custo da produção nacional de resinas, que são mais caras no Brasil do que em outros países.

Para se ter uma idéia, o preço do polipropileno teve aumento médio de 21% no mercado interno em 2007, enquanto na Ásia e nos Estados Unidos a majoração ficou entre 6% e 10%, em idêntico período. A diferença de preços entre a matéria-prima vendida aqui e no exterior pode chegar a US$ 500 dólares por tonelada, de acordo com a publicação ICIS-LOR (Independent Commodity Information Service – London Oil Reports). Resultado: já há indústrias importando resinas.

Esperamos, assim, que a nova política industrial constitua-se no marco do equacionamento de alguns gargalos graves do setor de transformação do plástico. A indústria petroquímica brasileira e seus os trabalhadores agradecem…

 

Fonte: www.dcomercio.com.br

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