Futuro dos transportes sem gargalos começa agora

19/05/2008

Suplantar as deficiências e a falta de investimentos na infra-estrutura dos transportes é um grande desafio para o governo brasileiro. De fato, há um gargalo que precisar ser sanado sob pena de estrangular o crescimento econômico que o Brasil vivencia. A área de transportes é tão fundamental que a falta de modernização pode resultar na perda de competitividade. Neste sentido, a importância do PAC – Plano de Aceleração do Crescimento – dos Transportes é inegável, cuja previsão de investimento é de R$ 58 bilhões, certamente, é mais que uma luz no fim dos túneis e estradas brasileiros. Ou de portos seguros para o escoamento da produção ou, se preferir, de vôos em céu de ‘brigadeiro’. Podemos dizer que o PAC, juntamente com outras iniciativas do governo são a entrada do Brasil no futuro; na competição entre iguais; no desenvolvimento do País e, claro, na melhoria das condições de vida de todos os brasileiros.

Além do PAC, alguns outros fatores tornam a re-estruturação dos transportes crucial e premente, como a descoberta de petróleo pela Petrobrás, que vai tornar a eficiência dos portos, dentro de padrões mundiais de infra-estrutura, imprescindível. A exportação de produtos, sejam eles manufaturados ou agrícolas, precisa ter sistemas modernos e integrados – ferrovias, rodovias, vias fluviais e portos – para garantir preço e prazo. As características naturais como a extensão territorial e o clima e culturais, como a prestatividade do povo brasileiro também são itens positivos que são considerados pelos investidores nacionais e internacionais.

Esta conjuntura tornou o Brasil o mercado mais promissor na área de infra-estrutura de transportes. O crescimento desse mercado nos próximos três anos deve ultrapassar 50% e continuar a crescer e a oferecer modernização contínua. Não é à toa que empresas da Europa como as espanholas OHL e Acciona garantiram sua fatia, tornando-se concessionárias de estradas brasileiras do Sul e do sudeste. Para se ter uma idéia, há notícias que dão conta que a OHL vai investir 4,2 bilhões de reais em estradas federais. Neste ano, ainda há a previsão de mais leilões, como para o rodoanel de São Paulo e, também, de privatização de alguns portos. Além disso, países exóticos ou pouco conhecidos dos brasileiros, como a Croácia, andam rondando as paisagens mercadológicas brasileiras. Há, inclusive, a perspectiva de instalação, em 2008 de, pelo menos, uma empresa. E ainda, os asiáticos se mostram interessados em participar do leilão de concessão para o trem-bala que o governo pretende construir entre as cidades de Campinas e São Paulo.

Canadá, Estados, Unidos, Japão e até a China, somente para citar alguns países, estão de olho no potencial de crescimento do mercado de infra-estrutura de transportes brasileiro. Ora, estamos falando de bilhões em investimentos, que em cadeia, formarão o almejado e tão falado “círculo virtuoso”. Estamos falando em crescimento, em lucro, em expansão, em emprego, em progresso.

Faz tempo que se comenta que o Brasil é o País do futuro. Pois é, o futuro parece ter chegado. O País está sendo prospectado como local profícuo para investimentos. Lá fora, corporações internacionais acreditam no Brasil. E, obviamente, há razões para isso. Portanto, é fácil perceber que a re-estruturação efetiva e a modernização das malhas ferroviária, aeroportuária, rodoviária e portuária dos transportes são inexoráveis.

Há, inclusive, vários indícios de que o ano de 2008 será crucial para a consolidação dessa estruturação sólida dos transportes e que deve abranger todo o território. O Brasil vai sediar o maior evento de infra-estrutura de transporte, que deve reunir a inteligência mundial do setor, intercambiando conhecimentos, tecnologias, possibilidades comerciais, parcerias, com a participação dos órgãos envolvidos nos modais de transporte do Governo brasileiro; da iniciativa privada, nacional e internacional; dos intelectuais e formadores de opinião do setor; de investidores, entre outros interessados.

Assim, constata-se este crescente interesse de empresas estrangeiras em conquistar seu espaço no mercado de infra-estrutura de transportes. Ora, o governo brasileiro acena de forma muito positiva, o que ajuda nessa perspectiva. As recentes privatizações de sete trechos das rodovias Federais (2.600 km) e a perspectiva de leilões em outros modais geram demandas expressivas de uma enorme variedade de equipamentos, que vão da gestão de tráfego de alta qualidade, às tecnologias para automação dos portos e dos inúmeros itens de infra-estrutura de transportes que esta indústria envolve. Vejamos, negócios da ordem de R$ 34 bilhões serão canalizados para a modernização das rodovias, R$ 13 bilhões para os portos, R$ 3 bilhões para os aeroportos e R$ 8 bilhões para os sistemas de metrô dos Estados.

Nos próximos anos, a expectativa é de uma curva ascendente na demanda por estes produtos. À primeira vista, pode parecer mais simples, mas o número de fornecedores e de tecnologias que esta modernização envolve é assustador. Estamos falando em crescimento em cadeia, sim. E a hora é agora. Os holofotes estão voltados para o Brasil. A questão é aproveitar as oportunidades e tornar o Brasil, de uma vez por todas, o País do futuro.

Sebas van den Ende é presidente da Real Alliance.

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