Fraudes corporativas

18/04/2008

Mesmo após os vários escândalos envolvendo empresas mundiais, percebe-se que pouco se sabe sobre as diversas categorias de fraudes corporativas. Prova disto é a recente enquete realizada pela Boucinhas & Campos + Soteconti Auditores Independentes onde apenas 21% dos 250 participantes afirmaram já ter convivido com fraudes em suas empresas.

Com certeza, este baixo percentual de respostas afirmativas se dá ao fato de que a tendência é relacionar fraudes apenas com apropriação indevida de ativos. No entanto, existem outras categorias de fraudes como a corrupção e a alteração intencional de demonstrações contábeis que, infelizmente, ainda são práticas comuns em nosso ambiente econômico.

As fraudes corporativas geralmente se enquadram em três grandes categorias. A primeira é a apropriação indevida de ativos onde se incluem os esquemas em folha de pagamentos e na contabilidade, desvios de caixa, reembolsos de despesas fictícias e, muitas vezes, envolvem os sistemas informatizados. Já a corrupção engloba propinas e benesses, geralmente associadas a compras indevidas e ao suborno público ou privado. São as fraudes mais difíceis de serem descobertas, pois lidam com dinheiro não registrado nos livros das empresas.

Por último, temos as fraudes nas demonstrações financeiras que podem incluir a apropriação de receitas fictícias e a omissão intencional de passivos, dentre outras das mais criativas formas.

O último relatório divulgado pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), dos Estados Unidos, com dados de 2002, demonstra que as fraudes corporativas naquele país atingiram o montante de aproximadamente USD 600 bilhões em perdas para as empresas no ano do estudo, por meio dos mais variados esquemas, sendo a maioria deles encabeçados por funcionários ou por outras pessoas internas às empresas. As perdas são maiores em empresas de capital fechado e que não possuem as funções de auditoria, interna ou externa.

Outras análises interessantes que podem ser extraídas da mesma pesquisa demonstram que a apropriação indevida de ativos é a categoria de fraude mais comumente praticada, sendo responsável por 85% dos casos relatados, e o dinheiro é o ativo desviado em 90% das vezes. Das fraudes envolvendo desvio de caixa, 71% foram efetivados por meio de desembolsos fictícios.

Ainda segundo o relatório, a maior parte dos esquemas fraudulentos perdurou por um período de 12 a 23 meses, sendo que as fraudes de demonstrações financeiras é a categoria que apresenta a maior longevidade, seguida de perto pelos esquemas envolvendo reembolsos de despesas indevidas.

Os esquemas de fraudes foram descobertos, em 26%, por denúncias de funcionários; por acaso, em 19%; pelas auditorias internas, em 18%; por meio dos controles internos, em 15%, e em 11% por auditores externos.

A maioria das fraudes foi perpetrada por funcionários sem cargo gerencial (64%). No entanto, as fraudes cometidas por funcionários com nível de gerente, ou superior, causaram perdas médias 3,5 vezes maiores. Nos casos em que existe conluio entre funcionários e gerentes, as perdas médias são maiores ainda. Ou seja, as fraudes que envolvem mais de um funcionário e que contam com a participação de funcionários que ocupam cargos gerenciais são aquelas que provocam os maiores estragos nas empresas.

É importante frisar que inexistem controles internos cem por cento eficazes na prevenção de fraudes nas empresas, mas a adoção de medidas preventivas em conjunto com a existência, por exemplo, de auditores internos ou externos, podem colaborar para minimizar o risco de ocorrência de fraudes.

Dentre outras medidas que podem minimizar a ocorrência das fraudes, é importante destacar o aprimoramento dos procedimentos de seleção e contratação de empregados; a implantação de um canal formal para denúncias que garanta a investigação de todas as suspeitas e a confidencialidade dos denunciantes; a segregação adequada de funções e rígidos padrões éticos plenamente adotados e difundidos pela Empresa.

Investir na prevenção das fraudes ainda é a melhor e a mais econômica saída para evitar problemas futuros que podem, até mesmo, provocar o colapso da empresa.

Marcelo B. Conti é diretor da Boucinhas & Campos + Soteconti Auditores Independentes – www.boucinhasconti.com.br

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