Custo Brasil (1)

05/03/2009

Volta-se a discutir, sob diversas formas, o chamado "Custo Brasil" – nome dado coletivamente à soma de despesas que o empresário enfrenta ao lidar com ineficiências e desperdícios causados pela burocracia, lentidão nos procedimentos, necessidade de oferecer propinas para obter documentos e serviços que são de seu direito legal, afora o excesso de impostos característico deste país. São todos fatores conhecidos que oneram os produtos e serviços ofertados aos mercados interno e mundial, tirando importante parcela da competitividade brasileira, às vezes inviabilizando certas atividades. No momento em que a situação econômica internacional força cada país, cada empresa, a controlar centavos de custo, é menos lícito ainda que o Brasil desperdice oportunidades em razão de acréscimos de custo que nunca deveriam existir.

Este Custo Brasil pode ser dividido em três: o da incompetência, o da burocracia e o da ganância. Os três se entrelaçam, entretanto, e características de uns passam a alimentar os processos que levam aos outros custos. A incompetência aumenta a burocracia (até pela necessidade de controles maiores sobre esses incompetentes). A ganância aumenta a incompetência (ao deixar de contratar os competentes, preferindo os que se sujeitam a ganhos menores) e a burocracia (célebre história de criar dificuldades para "vender" facilidades…). A burocracia privilegia muitas vezes a incompetência, pela falta de lógica de certas rotinas impostas, e abre espaços para a ganância (pela inadequação de controles sobre as atividades ou por induzir a gastos adicionais que só ocorrem pela vontade dos governantes de arrecadar mais e mais).
 
O problema, evidentemente, não é apenas brasileiro, existe em escala planetária e decerto ocorre desde tempos pré-históricos. Incompetência existe mesmo nos países mais adiantados, o mesmo vale para ganância e burocracia – é só analisar os fundamentos da dita "crise mundial", que não passa de uma crise de competência, ganância e controles governamentais registrada dentro de um país dito de primeiro mundo, como sejam os Estados Unidos.

Quando se fala de Custo Brasil, a questão não é a existência desses fatores, mas sim a sua quantidade específica e a sua soma final, insuportáveis para a sociedade brasileira e para a competitividade da economia deste país frente às demais nações. E volta-se a falar do assunto porque – quando todas as nações estão espremendo seus custos – ressalta cada vez mais o tamanho do problema brasileiro.

Já dissemos algumas vezes que o Brasil faz jus à fama imemorial de "paraíso terrestre". Séculos atrás, quando das primeiras navegações ibéricas, o fabuloso Éden era mostrado nas cartas náuticas como sendo situado numa então mítica ilha "Hi-Brazil". Quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou, a flora e fauna exuberantes e exóticas motivaram os europeus a continuarem acreditando que no centro do território brasileiro ficaria mesmo o Paraíso descrito nos livros bíblicos. Mil teses foram formuladas provando tais afirmações, seja pela existência dos quatro grandes rios que, saindo do Éden, alcançariam o mar, seja pelo encontro das maravilhosas "aves falantes" etc. Ao descobrirem ouro e pedras preciosas, riquezas que sustentaram monarquias européias por vários séculos mais, o mito fugidio ganhava novas cores, mas ainda se reafirmava.

Porém, o paraíso brasileiro foi conspurcado pelos mesmos que o idealizaram. A ganância veio na frente, com os exploradores do pau-brasil, dos minerais, do trabalho escravo. A incompetência foi estimulada pela ganância: não interessava aos europeus que os brasileiros aprendessem ofícios nos quais poderiam depois concorrer com o Velho Mundo. E a burocracia veio como conseqüência: a cultura cartorialista, as normas sem lógica, a proibição de contestar ordens, a inadequação das regras européias à realidade do Novo Mundo. Deu no que deu.

Fonte: PortoGente – www.portogente.com.br

Compartilhe:
Em parceria com a ICC Nutrição Animal,  LOTS Group lidera projeto de logística verde com biometano
Em parceria com a ICC Nutrição Animal,  LOTS Group lidera projeto de logística verde com biometano
Localiza Caminhões Seminovos inaugura unidade em Sinop, MT, e amplia atuação para atender logística do agronegócio
Localiza Caminhões Seminovos inaugura unidade em Sinop, MT, para atender logística do agronegócio
Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico
Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico
Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei
Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei
Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina
Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina
Fulwood investe R$ 90 milhões na expansão do Betim Business Park em Minas Gerais
Fulwood investe R$ 90 milhões na expansão do Betim Business Park em Minas Gerais

As mais lidas

01

Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina
Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina

02

Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei
Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei

03

Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico
Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico