Colados às commodities

01/09/2008

A volatilidade dos preços das commodities, acompanhando o sentimento de incertezas em relação ao desempenho da economia global, seguiu trazendo oscilações acentuadas aos mercados na última semana.

Outro foco de instabilidade se encontra nas taxas de câmbio, cujo movimento também está intimamente ligado aos fatores acima – commodities e perspectivas de crescimento das principais economias mundiais. Com o enfraquecimento observado na Zona do Euro, Reino Unido e Japão, o dólar ganhou força, revertendo a alta dos preços do petróleo, metais e grãos, o que deu impulso adicional à moeda norte-americana.

No Brasil, este movimento tem interferido no desempenho da Bovespa – que segue bem mais colada às commodities do que às bolsas em Nova York – e também na taxa de câmbio, cujo longo processo de apreciação começou a dar sinais de esgotamento. Esta tendência deve prosseguir nas próximas semanas, com o foco no comportamento do par dólar-commodities.

A abertura dos mercados mundiais nesta segunda-feira foi ligeiramente negativa, com nova onda de preocupações em torno do setor financeiro. Durante o final de semana, um banco regional dos EUA (Columbia Bank) foi fechado pela entidade reguladora, sendo o nono banco do país a entrar em colapso desde o início da crise do subprime. Além disso, seguem os temores com as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e também em torno do banco de investimentos Lehman Brothers , com desconfianças relacionadas à solvência das instituições. Ou seja, é um foco adicional de pressão nos mercados que deve ser monitorado ao longo da semana.

No Brasil, a economia segue com boa performance, com os dados da última semana apontando força do mercado de trabalho. O PIB do segundo trimestre, que será divulgado no próximo dia 10/09, deve manter o bom ritmo de crescimento, muito puxado pelo vigor da demanda doméstica.

Desta forma, a despeito do recuo significativo dos índices de inflação recentemente, o Copom deve promover mais uma alta de 75 pontos na Selic na reunião de setembro. Sobre inflação, os índices da última semana e o IPC-S divulgado há pouco (0,24%) confirmam o arrefecimento das pressões mais intensas, especialmente às vinculadas aos preços dos alimentos.

A agenda da semana chama a atenção para indicadores e eventos nos EUA, com destaque para a ata da última reunião do Fomc , dados de housing , confiança do consumidor e a primeira revisão do PIB do 2º trimestre. No Brasil, dados de crédito e inflação também merecem atenção.

Nos mercados, a Bovespa tende a seguir vinculada ao desempenho dos preços das commodities, mas sem esquecer dos riscos referentes ao setor financeiro global.

O sinal segue amarelo para a renda variável, a despeito de alguns preços estarem em patamares atrativos – apostas para médio e longo prazo são válidas.

A taxa de câmbio tem sofrido pressão da valorização global do dólar, o que segurou a trajetória de apreciação do real. É mais provável a manutenção da taxa neste intervalo, entre R$ 1,60 e R$ 1,65 no curto prazo.

Silvio Campos é economista-chefe do Banco Schahin

Fonte: Diário do Comércio – www.dcomercio.com.br

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