Quando o portão se abre sozinho: a revolução silenciosa na intralogística

Por Eros Viggiano*

Há algum tempo, a imagem de um pátio logístico remetia a um ambiente caótico: caminhões formando longas filas, operadores sobrecarregados, processos manuais falhos e uma comunicação cheia de ruídos entre setores. Mas algo vem mudando, de forma silenciosa, porém extremamente eficaz. A automação dos processos nos pátios logísticos, especialmente no controle de veículos, não é apenas uma tendência. É uma virada de chave.

Não se trata mais de um luxo tecnológico, mas de uma necessidade estratégica. À medida que o comércio eletrônico cresce em ritmo acelerado e a competitividade entre empresas se acirra, quem não aposta na eficiência está fadado a perder espaço. E, nesse contexto, a automação aparece como protagonista. Só em 2023, o setor de intralogística movimentou mais de R$ 17 bilhões no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Logística (Abralog), e a expectativa é de que a automação responda por uma fatia cada vez maior desse investimento.

Quando o portão se abre sozinho: a revolução silenciosa na intralogística

A adoção de tecnologias baseadas em Internet das Coisas (IoT) vem transformando a forma como se gerencia a entrada, permanência e saída de veículos nos pátios. Recursos como a abertura automática de cancelas, leitura ótica de placas, registro automático de peso e rastreamento em tempo real deixam de ser soluções isoladas e passam a compor um ecossistema integrado. Esse avanço não apenas elimina gargalos como também reduz erros operacionais, proporcionando maior segurança e confiabilidade às operações. Estudo da McKinsey aponta que empresas que automatam seus processos logísticos conseguem reduzir em até 40% o tempo de permanência dos veículos nos pátios, além de aumentar em 25% a produtividade das equipes operacionais.

Outro ponto crucial é a previsibilidade. A possibilidade de agendar digitalmente as janelas de carga e descarga revoluciona a gestão de tempo e recursos. Com agendas digitais à disposição dos operadores logísticos, é possível distribuir melhor os fluxos, evitar congestionamentos e até reduzir a ociosidade dos ativos. Uma pesquisa realizada pela Deloitte revela que empresas que utilizam sistemas de agendamento digital conseguem reduzir o tempo de espera dos motoristas em até 30%, o que impacta diretamente na eficiência e no custo da operação.

Porém, não basta automatizar etapas isoladas. A verdadeira transformação ocorre quando todas essas tecnologias são integradas por sistemas de gestão de pátio, os chamados YMS (Yard Management Systems). Eles são os grandes orquestradores desse novo cenário: conectam os dados gerados por sensores e dispositivos, oferecem uma visão consolidada da operação e fornecem insights valiosos para a tomada de decisões em tempo real. Para o gestor de pátio, isso significa mais controle, mais clareza e menos improviso.

A escolha de um sistema eficiente é determinante para o sucesso dessa automação. Não adianta investir em equipamentos modernos se eles não “conversam” entre si ou não oferecem confiabilidade. A integração entre setores, a fluidez no fluxo de informações e a coleta estruturada de dados são pilares de uma intralogística moderna. Quando bem implementada, a automação não apenas resolve pendências: ela antecipa problemas, otimiza recursos e promove ganhos concretos.

O movimento é irreversível. Segundo a Research and Markets, o mercado global de automação logística deve ultrapassar US$ 100 bilhões até 2030, impulsionado pela demanda crescente por eficiência e precisão operacional. A automação dos pátios logísticos deve crescer ainda mais, e quem entender essa lógica desde já estará um passo à frente no mercado. Porque, no final das contas, não é apenas sobre abrir uma cancela sem intervenção humana – é sobre abrir as portas para um novo nível de competitividade. 

*Eros Viggiano é mestre em administração e cientista da computação, fundou a LogPyx em 2014 com o objetivo de otimizar a logística interna e garantir a segurança dos trabalhadores.

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