Ano Novo Chinês expõe falhas de planejamento e amplia custos logísticos nas importações

O Ano Novo Chinês, celebrado anualmente entre janeiro e fevereiro, é um dos eventos mais conhecidos do calendário do comércio exterior global. Ainda assim, seus impactos seguem sendo subestimados por muitas empresas brasileiras, tanto por novos importadores quanto por companhias que mantêm relações comerciais regulares com a China. Mais do que uma pausa temporária nas atividades industriais, o período evidencia fragilidades de planejamento, pressiona a logística internacional e amplia riscos operacionais para quem depende de fornecedores asiáticos.

Segundo Raphael Souza, especialista em Logística da Macroex, empresa de comércio exterior que presta serviços de importação para companhias em todo o Brasil, o erro mais comum é tratar o Ano Novo Chinês como um feriado isolado – o Ano Novo Chinês em 2026, que marca o início do ano do Cavalo de Fogo, será celebrado no dia 17 de fevereiro. “O problema não é só a semana de paralisação. O impacto começa antes, com aumento da demanda e pressão sobre a logística, e continua depois, porque a retomada não é imediata. Basta um fornecedor atrasar ou um embarque não confirmar para o efeito se espalhar por toda a cadeia”, explica.

Durante esse período, que envolve semanas anteriores e posteriores às comemorações, fábricas operam com equipes reduzidas, os tempos de resposta se alongam e a previsibilidade das operações diminui. Além disso, os custos logísticos tendem a subir de forma significativa. Os aumentos tarifários podem chegar a até 50%, enquanto a escassez de espaço em contêineres se consolida como uma das consequências mais críticas para importadores e exportadores.

Após o feriado, a retomada gradual da produção gera atrasos em sequência, dificuldades para garantir espaço nos navios e elevação adicional dos custos. “Muitas empresas só percebem o impacto quando a carga já está parada ou quando precisam reagir em cima da hora”, observa Souza.

Planejamento e papel das tradings no Ano Novo Chinês

Nesse cenário, o papel das tradings se torna ainda mais relevante. De acordo com o especialista, a atuação especializada permite antecipar riscos e reduzir decisões tomadas sob pressão. “A trading ajuda o cliente a ter uma visão clara do cenário real. Acompanhamos se a carga está efetivamente pronta, planejamos embarques com antecedência e negociamos fretes dentro do que o mercado permite naquele momento”, afirma.

A escolha de parceiros logísticos também assume caráter estratégico, especialmente no período que antecede o Ano Novo Chinês. “Trabalhar com armadores que têm regularidade na rota e bom histórico de relacionamento faz diferença, principalmente próximo ao feriado. Não existe solução mágica depois que o Ano Novo Chinês começa”, diz Souza.

Para minimizar os impactos, o especialista recomenda a antecipação de pedidos, o alinhamento realista de prazos com fornecedores e a revisão dos níveis de estoque. “Nem sempre o planejamento sai exatamente como o esperado, mas quando essas conversas acontecem antes, as chances de ajuste aumentam muito”, reforça.

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