O avanço dos custos logísticos no Brasil tem levado empresas a rever estratégias de armazenagem, transporte e distribuição. Nesse cenário, os centros de distribuição regionais passaram a ganhar espaço como alternativa para ampliar a eficiência operacional, reduzir prazos de entrega e minimizar impactos financeiros relacionados à movimentação de cargas no país.
Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que o custo logístico brasileiro atingiu 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Em 2014, o índice era de 10,4%. O aumento ocorre em meio à expansão do volume de cargas transportadas, pressão sobre a infraestrutura e crescimento das despesas relacionadas à armazenagem e distribuição.

Ao mesmo tempo, levantamento da Fundação Dom Cabral aponta que os custos logísticos representam 12,37% do faturamento das empresas brasileiras, percentual superior ao registrado nos Estados Unidos, onde o índice é de 8,5%. Segundo o estudo, o transporte concentra 63,5% dessas despesas, reflexo da forte dependência do modal rodoviário e das limitações estruturais observadas em diferentes regiões do país.
Diante desse contexto, empresas têm ampliado modelos de descentralização logística para reduzir impactos operacionais e melhorar a capacidade de atendimento regional. “A estrutura com centros de distribuição regionais permite operar com mais agilidade e previsibilidade, ao mesmo tempo em que reduz prazos de entrega, diminui custos logísticos e amplia a capacidade de atendimento local”, afirma Cláudio Mohn França, CEO do grupo SH e especialista na área de logística.
Segundo o executivo, o crescimento dos custos operacionais e a necessidade de respostas mais rápidas ao mercado têm acelerado mudanças na organização das cadeias de abastecimento. “Na experiência da Sol Atacadista, a descentralização dos estoques também permite que cada unidade responda de forma mais rápida às demandas regionais, sem depender exclusivamente de uma operação centralizada”, afirma Mohn.
Custos logísticos ampliam pressão sobre operações
A Plataforma de Infraestrutura de Logística de Transportes (PILT) estima que a diversificação dos modais de transporte poderia gerar economia de até R$ 31 bilhões por ano. Além disso, o levantamento mostra que o Brasil transportou cerca de 25% mais cargas na última década, sem que houvesse expansão proporcional da infraestrutura logística.
Para Gustavo Oliveira, gerente comercial do grupo SH, a regionalização dos estoques tem contribuído para melhorar o nível de serviço e reduzir parte dos impactos gerados pelas longas distâncias percorridas pelo transporte rodoviário. “Quando os estoques ficam mais próximos do ponto de consumo, conseguimos oferecer prazos menores, maior disponibilidade e melhor nível de serviço, além de adequar os estoques às características regionais de demanda”, afirma.
Além dos custos de transporte, as despesas relacionadas à manutenção de estoques também cresceram nos últimos anos. Segundo o ILOS, esse indicador passou de 3% para 5% do PIB desde 2014, influenciado principalmente pela taxa básica de juros e pelo aumento do custo do capital imobilizado. O cenário tem pressionado empresas a revisar modelos centralizados de operação e buscar maior racionalização logística.
Nesse contexto, fatores como posicionamento geográfico, capacidade regional de distribuição e eficiência da malha logística passaram a ter maior peso nos planos de expansão das empresas. “A análise para novas operações considera potencial de mercado, viabilidade operacional e redução do impacto de custos, buscando maior eficiência na distribuição”, afirma Hugo Rabelo, CFO do grupo SH.
Especialistas avaliam que a combinação entre custos logísticos elevados, dependência do modal rodoviário e limitações estruturais deve acelerar a reorganização das redes de distribuição no Brasil, com maior adoção de modelos regionalizados e foco crescente em eficiência operacional e disponibilidade de produtos.







