O fechamento do Estreito de Ormuz e a paralisação de plantas e campos de petróleo e gás no Oriente Médio renovaram as expectativas de elevação no preço do barril no mercado internacional. O movimento ocorre após ameaças iranianas de bombardear petroleiros que atravessem a rota estratégica, intensificando a tensão geopolítica na região.
Na manhã desta terça-feira (3), o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 80,19, enquanto o WTI registrava US$ 77,69, uma alta de pouco mais de 8% em relação à tarde do dia anterior (2). Ainda assim, os valores permanecem abaixo das projeções de analistas internacionais, que estimaram cotações entre US$ 100 e US$ 120 após as Operações Leão Rugidor (Israel) e Fúria Épica (Estados Unidos).
O confronto entra em seu quarto dia com sinais de intensificação. Israel lançou nova ofensiva contra Teerã e emitiu alerta de evacuação ao sul de Beirute, no Líbano. Já o Departamento de Estado dos Estados Unidos orientou cidadãos norte-americanos a deixarem imediatamente mais de uma dúzia de países do Oriente Médio. Nesse contexto, empresas de óleo e gás que atuam próximas às áreas de conflito começaram a suspender operações, ampliando as projeções de pressão sobre o preço do barril.

Em Israel, o Ministério da Energia determinou a paralisação temporária de alguns campos de gás natural. Situação semelhante ocorreu no Catar, que interrompeu a produção de gás natural liquefeito na planta de Ras Laffan após ataque com drones. A unidade responde por cerca de um quinto do fornecimento global de GNL. Além disso, drones atingiram a zona industrial de Mesaieed, no sul do país. Como consequência, os preços de referência do gás no atacado na Holanda e no Reino Unido subiram quase 50%, enquanto o GNL na Ásia avançou quase 39%.
Na Arábia Saudita, a Aramco suspendeu operações na refinaria de Ras Tanura após ataque com drone. Segundo a Agência de Imprensa Saudita, houve um incêndio “limitado” causado por destroços da interceptação de dois drones, e o fogo foi “imediatamente contido“.
Estreito de Ormuz concentra 15% do fluxo global de petróleo
De acordo com a consultoria Wood Mackenzie, o conflito deve elevar significativamente os preços do petróleo e do GNL. A empresa destaca que o Estreito de Ormuz é responsável pelo escoamento de cerca de 15% do fornecimento global de petróleo e 20% do GNL. O Irã afirmou que a rota está fechada e ameaçou queimar embarcações que tentem trafegar pela via.
“A questão chave é quanto tempo até que os navios estejam livres para restabelecer os fluxos de exportação”, afirmou a consultoria. Segundo a avaliação, caso o fluxo de petroleiros não seja rapidamente normalizado, os preços do petróleo podem ultrapassar US$ 100 por barril.
No Brasil, a Petrobras informou que consegue minimizar os efeitos do conflito em suas operações de importação e exportação. Ainda assim, analistas defendem que o país deve reforçar sua capacidade de refino e ampliar reservas estratégicas.
Para o Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a manutenção do bloqueio produzirá elevação dos preços internacionais de petróleo, gás natural e fertilizantes. “No Brasil, a afirmação da soberania nacional deve se dar por meio de ações concretas que passam por garantir o abastecimento nacional em tempos de paz ou de guerra”, destacou. O instituto acrescenta que a dependência externa de fertilizantes supera 85% e defende a ampliação da produção de diesel e fertilizantes nitrogenados.
Fonte: Petronotícias









