O que 2025 nos ensinou sobre resiliência nas operações logísticas

O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para a logística brasileira. Gabriela Guimarães, colunista do Portal Logweb, destaca neste artigo que, em meio a instabilidades geopolíticas, pressões econômicas e avanços digitais acelerados, as operações logísticas foram obrigadas a evoluir, revelando que resiliência deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito estratégico para a competitividade do setor.

O fechamento de 2025 mostrou que a cadeia de suprimentos passou por um período que pressionou modelos tradicionais e, ao mesmo tempo, acelerou a adoção de práticas que elevaram a maturidade do setor, indicando que a capacidade de adaptação se tornou um fator central de competitividade em um cenário de incertezas geopolíticas, econômicas e digitais.

No Brasil essa evolução foi perceptível com o avanço em integração tecnológica e reorganização de processos, um movimento reforçado pela pesquisa Logística no Brasil da CNT que apontou progressos em digitalização, coordenação operacional e uso de ferramentas analíticas, sinalizando que eficiência requer menos improvisação e mais planejamento apoiado em dados.

A inteligência artificial ganhou papel estratégico ao ampliar a capacidade das empresas de prever cenários, ajustar operações e responder a oscilações de demanda. Os incidentes digitais do ano mostraram que esses avanços exigem segurança compatível, o que levou muitas organizações a reforçarem a proteção de dados e revisar protocolos para manter operações estáveis.

Outro fator foi a sustentabilidade que se consolidou como dimensão estratégica ao deixar de ser uma resposta reativa a pressões regulatórias e tornar-se parte da lógica operacional. O crescimento do e-commerce e o fortalecimento das normas ambientais levaram empresas a revisar práticas de transporte, armazenamento e embalagem, o que não apenas reduziu impactos associados ao consumo intensivo de recursos, mas também ampliou a eficiência ao eliminar redundâncias e estimular o uso de soluções mais inteligentes.

A flexibilidade operacional demonstrou ser um ativo essencial, sobretudo durante os períodos de pico em que oscilações rápidas de consumo colocaram à prova a capacidade das empresas de reconfigurar redes e redistribuir fluxos em tempo hábil. A resposta demonstrada por operações brasileiras, que conseguiram reorganizar capacidade e ajustar planejamento com relativa rapidez, indica que a construção de sistemas mais dinâmicos está se consolidando como estratégia para reduzir exposição a eventos imprevisíveis e preservar desempenho em ambientes sujeitos a mudanças frequentes.

A evolução da liderança foi outro elemento determinante, pois a crescente demanda por profissionais capazes de integrar conhecimento tecnológico, visão sistêmica e gestão de riscos expôs a importância de estruturas de decisão ágeis e de programas de desenvolvimento que garantam continuidade e fortaleçam a capacidade organizacional de interpretar sinais antecipados de mudança. Isso sugere que o avanço do setor não está restrito ao progresso técnico, mas depende igualmente da qualidade das escolhas estratégicas tomadas por equipes preparadas para lidar com cenários complexos.

Com a soma desses fatores, 2025 se encerrou como um ano que ampliou a maturidade do setor e demonstrou que a logística brasileira possui capacidade de transformar pressão externa em mecanismo de evolução interna, o que coloca as empresas em posição mais sólida para enfrentar um 2026 que tende a manter o ambiente dinâmico.

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Gabriela Guimarães

Gabriela Guimarães

VP de Desenvolvimento de Novos Negócios da DHL Supply Chain.

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