Unicórnio em tecnologias para logística, project44 inaugura escritório no Brasil

06/12/2022

Em evento realizado no dia 30 de novembro com a presença de lideranças, equipes e parceiros de negócios, a project44 inaugurou oficialmente o seu escritório em São Paulo. Localizado na Alameda Santos, numa das áreas mais movimentadas da capital paulista, o espaço reforça os planos da startup americana, fundada em 2014 e sediada em Chicago (EUA), em expandir a atuação na América Latina. A project44 é a provedora da Movement, plataforma líder em visibilidade em tempo real para a cadeia de suprimentos global, 100% digital e que proporciona inteligência sem precedentes a expedidores, transportadoras e operadores logísticos em todos os modais de transporte.


“O período de extrema pressão para o supply chain, com instabilidades causadas pela pandemia, por tensões geopolíticas e gargalos de infraestrutura, tem ampliado a percepção de valor das novas soluções para a logística. A abertura de um escritório no Brasil é um marco importante para a nossa trajetória no país e em toda a região”, afirma Pierre Jacquin, vice-presidente da project44 para a América Latina.


Pouco mais de um ano desde o início da atuação local, a project44 já conta com mais de 100 clientes no Brasil, entre multinacionais e empresas com atividades restritas ao mercado interno. Atualmente, a equipe dedicada à operação brasileira é formada por 25 profissionais. Em âmbito global, a empresa possui 17 escritórios, distribuídos por cinco continentes, rastreando anualmente mais de 1 bilhão de remessas para mais de 1.200 grandes marcas de variados setores — entre eles os de manufatura, automotivo, varejo, ciências da vida, alimentos e bebidas, e petróleo, química e gás.

Medição de emissões no supply chain
 

Além de maior previsibilidade e resiliência, expedidores e transportadoras que utilizam a tecnologia da project44 podem tornar suas operações mais sustentáveis. Isso se tornará mais evidente em breve, uma vez que a empresa trabalha no desenvolvimento de soluções para a medição de emissões de gases de Escopo 3 — emissões causadas por processos que geralmente ocorrem fora das indústrias, como as movimentações nas cadeias de suprimentos, e que podem representar até 60% da pegada de carbono no ciclo de vida de bens de largo consumo, segundo estimativas de consultorias.


A elaboração dessas novas soluções será acelerada pelo levantamento de US$ 80 milhões, anunciado no início de novembro, por meio de uma nova rodada de financiamento liderada pela Generation Investment Management LLP e a A.P. Moller Holding. Com o novo aporte, a project44 passa a ser avaliada em US$ 2,7 bilhões.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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