Índice de Eficiência no Recebimento (IER) é peça-chave para a produtividade nas operações de transporte

06/05/2022

O levantamento do Índice de Eficiência no Recebimento (IER) é uma iniciativa da Diretoria de Especialidade de Abastecimento e Distribuição do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região – SETCESP, atualmente realizado pelo Instituto Paulista do Transporte de Cargas – IPTC, a fim de analisar o processo de carga e descarga das mercadorias nos principais polos recebedores da capital e região metropolitana.

No ano de 2020, o tempo médio para a descarga nos locais pesquisados era, em média, de 2h20, já no ano passado a demora média verificada foi de 3h12, com um aumento de 52 minutos, que onera em 42% a operação do veículo parado, de acordo com Marinaldo Barbosa, diretor de abastecimento e distribuição do SETCESP.

Esse fator está ligado à eficiência do local que está recebendo a carga, que pode interferir diretamente no tempo de atividade da empresa de transporte que está efetuando essa descarga, afinal, quanto mais o transportador demorar nos Centros de Distribuição mais se perde em produtividade, gerando grandes prejuízos para a transportadora. Diante disso, o estudo ocorre todos os anos para acompanhar esse procedimento e estar ao lado das empresas em busca de melhorias de infraestrutura e redução do tempo de descarregamento.

“O IER é uma ferramenta importante para as empresas de transporte, principalmente para aquelas que trabalham fazendo suas entregas nos atacadistas, home centers, Centros de Distribuição e supermercados. Com ela, as transportadoras conseguem saber exatamente como está cada um desses segmentos no mercado e o andamento da infraestrutura e do recebimento desses estabelecimentos, além de apoiar o transportador no momento de uma negociação de frete com esse tipo de destinatário”, comenta o diretor.

Por meio desta pesquisa, o SETCESP elabora um ranking e, posteriormente, uma premiação que tem como intuito reconhecer o desempenho da melhor rede no último ano. Com isso, há o incentivo às demais organizações para aperfeiçoarem suas atividades e priorizarem as boas práticas de recebimento de carga, aumentando o empenho nos procedimentos como um todo, dado que quanto maior o tempo, menor a posição na classificação final.

Para Marinaldo, as métricas estipuladas pela ferramenta proporcionam diversos benefícios às transportadoras. “Um deles é a aproximação com esses destinatários, sendo tão importante que pode ajudar o apoio operacional a fazer intervenções e, até mesmo, ajudar os transportadores nos momentos difíceis de gargalo, no pico de recebimento ou, eventualmente, em algum problema pontual. Além disso, algo que todo o setor se beneficia com a medição do IER são as discussões e a implementação de boas práticas no recebimento entre os Centros de Distribuição.”

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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