Políticas públicas que poluem o meio ambiente

10/11/2021

Tayguara Helou – Presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP

 

No país, os Governos Federal, Estaduais e Municipais infelizmente incentivam a degradação do meio ambiente. Sim, esta é uma afirmação muito forte, mas no Transporte Rodoviário de Cargas – TRC há vários exemplos que ilustram bem essas ações e tenho convicção de que isso acontece em muitos outros setores.

Meu objetivo aqui é falar sobre a Logística sem Papel e o quanto essa atitude melhoraria a logística brasileira, que é o verdadeiro motor de viabilidade econômica para qualquer país.

Mas, antes disso, permitam-me explicar outras iniciativas públicas que incentivam a degradação do meio ambiente. Você sabia que, no Brasil, cada secretaria de transportes de cada um dos municípios, cerca de 5.570, tem a prerrogativa de controlar o trânsito e a circulação de caminhões nas suas próprias ruas e avenidas?

Pois é, o problema está nas grandes regiões metropolitanas, pois não existe padronização de nada, cada uma dessas cidades cria decretos e restrições como se não houvesse uma grande conexão com os municípios vizinhos, ou seja, uma restrição não leva em consideração a outra. Isso faz com que os percursos percorridos sejam maiores, muitas vezes, por vias sem infraestrutura para tal, aumentando, sobremaneira, a emissão de poluentes.

Também não existe um plano nacional de renovação de frotas, o que torna a frota brasileira umas das mais envelhecidas do mundo, com idade média de quase 20 anos.

Motores mais novos poluem menos de 90% do que os mais antigos. Além disso, os veículos mais novos quebram menos, evitando congestionamentos e acidentes.

A cereja do bolo é o IPVA, o imposto veicular menos inteligente do planeta, pois quanto mais antigo é o caminhão, mais barato é o imposto. Caminhões acima de 20 anos de fabricação são até bonificados com isenção total do IPVA, ou seja, quanto mais poluir, quebrar e causar acidentes maior é o benefício tributário.  E, para completar, o próprio gasto do Estado com os veículos mais antigos é muito mais alto, pois os impactos à saúde pública e os acidentes causados por estes caminhões custam bilhões de reais aos cofres públicos.

Mas a ideia aqui é explorar um pouco mais a Logística Sem Papel, projeto que iniciei no SETCESP há cerca de 4 anos e, até hoje, tenho grande dificuldade em avançar com o tema.

Toda a documentação fiscal brasileira é eletrônica, certo? Sim, isto é verdade! Mas ainda temos no Brasil, os documentos auxiliares fiscais como DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), DACTE (Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico) e DAMDFE (Documento Auxiliar do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais) que precisam ser obrigatoriamente impressos para acompanhar os produtos durante todo o processo logístico de entrega, até o destino final.

No Brasil emitimos 1,8 milhões de conhecimentos eletrônicos de transporte por mês, o que significa que imprimimos pelo menos 1,8 milhões de DACTEs, cada um deles em uma folha A4 que é descartada depois da entrega da mercadoria, pois o comprovante de entrega já é eletrônico. A cada 24 mil folhas A4, uma árvore é derrubada. Se cada árvore ocupa aproximadamente 5 m², o que não é um absurdo, estamos devastando o equivalente a 3,5 cidades de Curitiba por dia. Estamos ‘não’, quero dizer que os governos ‘estão desmatando 3,5 “Curitibas” por dia, apenas com o DACTE. Agora, imagine se colocarmos nesta conta os DANFEs e DAMDFE.

No SETCESP realizamos o IER – Índice de Eficiência no Recebimento que avalia a infraestrutura e os processos de aproximadamente 230 estabelecimentos comerciais na Grande São Paulo, e por meio do qual constatamos que esses locais gastam cerca de 2h20, em média, para o carregamento ou descarregamento.

A nossa proposta é simples: colocar um QRCode nos três documentos e o motorista portar estes códigos em seu smartphone ou tablete profissional, o que permitiria que os documentos fossem acessados a qualquer momento, inclusive em barreiras fiscais ou pontos móveis de fiscalização.

Desta forma, o ambiente ficaria mais prático para o mercado, mais seguro para a própria Secretária da Fazenda, já que o documento eletrônico é inviolável, e muito mais amigável ao meio ambiente.

E você, o que pensa a respeito?

 

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal