Docas do Rio bate recorde histórico de faturamento

04/01/2021

A Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), Autoridade Portuária que administra os Portos do Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói e Angra dos Reis encerra o ano de 2020 com um crescimento de 21% na receita. O faturamento de, aproximadamente, R$ 630 milhões significa o recorde absoluto e é o maior crescimento dos últimos 10 anos, numa sucessão de elevações consecutivas de 19,4% em 2017 (segunda maior alta do período), 16,8% em 2018 (terceira maior alta do período) e de 13,6% em 2019 (quarta maior alta do período).

Segundo os números divulgados pela diretoria de Relações com o Mercado e Planejamento, o faturamento foi superior ao de 2019 em R$ 108 milhões. Os dados também incluem projeções para o mês de dezembro.

O número histórico deve-se a uma conjugação de fatores: a sustentação das operações durante a pandemia, a resiliência dos operadores de contêineres durante a crise, a recuperação da movimentação do minério de ferro após uma queda em 2019, as negociações bem-sucedidas com parceiros comerciais e à grande elevação do preço do minério de ferro em reais.

Como na quase totalidade dos negócios que não puderam parar no auge das medidas de isolamento social, a empresa teve que adaptar rapidamente seus processos de trabalho em parceria com os operadores portuários para garantir a continuidade das operações. Assim, com a sustentação da demanda por minério de ferro (principal produto exportado pelos portos da CDRJ), o volume total movimentado pela companhia cresceu 7% em relação ao ano passado.

Nos terminais de minério, que respondem por, aproximadamente, 72% do volume movimentado nos portos administrados pela CDRJ, houve recuperação da movimentação que havia caído em 2019, após queda na produção das minas do Sudeste, como consequência do desastre de Brumadinho. Assim, no último trimestre do ano, a empresa atingiu volumes movimentados superiores aos do primeiro trimestre de 2019, nos meses anteriores ao desastre. Com isso, o resultado de 2020 na movimentação de minério tende a ser próximo a 3% maior que em 2019.

Os terminais de contêineres conseguiram se recuperar após um vale de queda de movimentação do segundo quadrimestre do ano e movimentaram consistentemente mais no último quarto de 2020, chegando a atingir, no consolidado do ano, uma elevação de 7% em relação a 2019. Esse crescimento no final do ano deveu-se ao fato desses terminais terem buscado outros tipos de cargas, além de sua carga principal de contêineres.

Os demais terminais, cujas cargas principais não são nem contêineres nem minério de ferro, apresentaram, no conjunto, um crescimento de mais de 30% no volume movimentado em relação ao ano passado, puxado pelo crescimento de 56% na movimentação de ferro gusa. Assim, no consolidado de 2020, a movimentação dos portos administrados pela CDRJ ficará próxima de 55 milhões de toneladas, atingindo em torno de 7% acima do resultado de 2019.

O crescimento aproximado de R$108 milhões em relação ao faturamento de 2019 está, na sua maioria, concentrado nos terminais de minério cuja alta foi de 66% em relação ao ano passado. Segundo o diretor de Relações com o Mercado e Planejamento, Jean Paulo Castro e Silva, “esse aumento deve-se ao acordo amigável com um dos nossos principais parceiros comerciais de pagamento da diferença em relação ao mínimo contratual não atingido em 2019, à elevação da movimentação em relação ao ano passado e à grande valorização do minério de ferro em reais, resultado da conjugação da alta do valor da commodity nos mercados internacionais e grande apreciação do dólar em relação ao real”.

Para o diretor-presidente da CDRJ, Francisco Antonio de Magalhães Laranjeira, “ atingir o recorde histórico no momento de pandemia é um marco importante e demonstra que os portos não pararam em nenhum momento”. Apesar das dificuldades decorrentes da pandemia, a Docas do Rio e seus parceiros comerciais tiveram a resiliência necessária para adaptar suas operações e aproveitar bem as oportunidades que se ofereceram nessa conjuntura de mercado e alcançar um resultado excepcional em 2020.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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