FM Logistic cresce 8,7% e fatura 1,43 bilhão de euros

19/06/2020

A FM Logistic, um dos principais operadores de logística e supply chain do mundo, divulgou os resultados financeiros para o ano fiscal de 2019-2020, finalizado em 31 de março de 2020. A empresa registrou receita de 1,43 bilhão de euros, um aumento de 8,7% em relação ao período anterior. O EBIT (lucro antes de juros e impostos) também apresentou desempenho positivo, totalizando 42,5 milhões de euros, crescimento de 21%. Esses resultados reforçam o foco da companhia em crescer de maneira seletiva e lucrativa, reflexo do amplo relacionamento com os clientes e de um melhor desempenho operacional.

“A FM Logistic novamente alcançou uma performance favorável. O crescimento no EBIT confirma o impacto positivo do nosso plano estratégico denominado Focus. O incremento da receita foi inteiramente orgânico, suportado pela ampla atuação do time de vendas e oferta de novos serviços, principalmente, no omnichannel e logística urbana”, explica Jean-Christophe Machet, CEO da empresa.

Segundo ele, o surto de Covid-19 teve um impacto limitado no exercício anterior. No entanto, o início do novo ano fiscal se configurou em um período mais desafiador. Em abril e maio de 2020, a FM Logistic apresentou uma queda geral de 9% na receita em comparação ao mesmo período do ano passado, acompanhado de um aumento significativo nos custos operacionais relacionados às medidas de prevenção ao coronavírus.

“Continuaremos protegendo, prioritariamente, nossos colaboradores, atendendo às necessidades dos clientes e fortalecendo o balanço patrimonial. Quase todas as nossas unidades estão em operação. Porém, o mais importante é que temos uma situação financeira sólida, um portfólio de clientes equilibrado com empresas dos setores de bens de consumo, varejo, cosméticos, manufaturados e produtos de cuidados pessoais, tudo isso alinhado a uma atuação no e-commerce e na estrutura acionária familiar. Os serviços da cadeia de suprimentos ajudam a atender às necessidades essenciais dos clientes e, consequentemente, da população. Tudo isso nos dá confiança na nossa capacidade de superar esse per&i acute;od o incomum”, completa.

As receitas foram bem distribuídas entre as regiões, com a França representando 38% e os outros países 62%. Os negócios no mercado francês cresceram 7,7%, para 550 milhões de euros. Na Europa Central e Oriental, o aumento variou de 8% a 16%.

A FM Logistic continua construindo sua presença em mercados emergentes e abriu novos armazéns multiclientes e centros de distribuição na Índia e no Vietnã para atender à demanda de longo prazo por serviços da cadeia de suprimentos. No Brasil, a nomeação de uma nova liderança local no início de 2019 deu um novo direcionamento aos negócios.

Reflexos no Brasil

Mesmo com a economia brasileira crescendo apenas 1,1% no ano passado, o que interfere diretamente na falta de infraestrutura logística e em preços elevados para os consumidores, a FM Logistic segue seu processo de reorganização na região. A subsidiária cresceu três vezes a taxa do mercado logístico nacional.

Com uma área de armazenagem total de 180 mil metros quadrados, os cinco armazéns localizados em São Paulo, Reio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão operando a plena capacidade. Antes da pandemia de Covid-19, a FM Logistic estava se preparando para iniciar novos projetos, com uma perspectiva de negócios superior ao verificado no período anterior.

“Para acelerar nossa taxa de crescimento, vamos voltar a atuar com o serviço de transporte e expandiremos a atuação no segmento de omnichannel, de logística urbana e co-packing. Também planejamos expandir a presença na região Nordeste, com a abertura de uma unidade no Recife. Seguimos nosso projeto de transformação digital, sempre atentos ao gerenciamento da cadeia logística dos clientes, mas, acima de tudo, oferecendo qualificação profissional aos nossos colaboradores”, ressalta Ronaldo Fernandes da Silva, presidente da FM Logistic do Brasil.

E completa: “acreditamos que em períodos de crise surgem as melhores oportunidades. É quando as empresas com know how conseguem ampliar seu escopo de serviços e oferecer as melhores estratégias. A FM Logistic acredita que o Brasil é mercado-chave e pretende ampliar os negócios regionais”.

Negócios Globais e Investimentos

A FM Logistic manteve a dinâmica comercial em 2019-2020 ao assinar novos contratos no valor de mais de 150 milhões de euros. O crescimento das vendas foi especialmente forte nos setores de beleza e e-commerce, principalmente, na França, Espanha, Índia e Rússia.

O aumento da receita foi apoiado pela operação de novos serviços que atendem às tendências dos consumidores, como o incremento do comércio eletrônico. A empresa introduziu soluções voltadas à cadeia de suprimentos para fabricantes que atuam nos setores varejistas e supermercadistas, bem como no atendimento direto dos consumidores por meio de marketplaces.

A receita da área de transporte ultrapassou 500 milhões de euros (36% do total) e se beneficiou da expansão das operações de carga fracionada e logística urbana. O serviço Citylogin, que combina entregas last mile para pequenos centros urbanos na Europa, agora atende cerca de 30 cidades.

Em 2019-2020, a FM Logistic adotou medidas adicionais para contribuir com uma cadeia logística mais sustentável, o que inclui um programa de segurança do trabalho em todos os 14 países em que atua, envolvendo investimentos em tecnologia, inovação, qualificação dos colaboradores, impacto ambiental e social de suas operações. Esses esforços levaram a empresa a receber a classificação EcoVadis Gold, colocando-a entre as companhias que são reconhecidas pela atuação na área de Responsabilidade Social Corporativa (RSE).

A empresa continuou automatizando os processos tanto nos armazéns como nos escritórios e veículos automaticamente guiados (AGVs) e braços robóticos foram colocados em operação. Com relação aos profissionais, a FM Logistic investiu em treinamentos para desenvolvimento de habilidades, principalmente, nas operações, encerrando o período com 27.500 colaboradores.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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