Vantagens de uma Governança Corporativa

27/02/2020

Ana Carolina Jarrouge Presidente executiva do SETCESP

Entre os benefícios da prática de Governança Corporativa – GC estão a preservação e perenização do valor econômico da organização, a facilitação de seu acesso aos recursos, também a sua contribuição para a longevidade, o bem comum e a qualidade da gestão.
Segundo o IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, os princípios básicos da GC geram valor de longo prazo e são eles: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.
Tais princípios, que parecem óbvios aos olhos de qualquer pessoa com o mínimo de boas intenções, infelizmente, não são realidade na maioria das empresas brasileiras. Entretanto, eles devem franquear todas as condutas dos Códigos de Melhores Práticas de GC, sendo certo que sua adequação e adoção geram confiança interna e externa e nas relações com terceiros, o que pode significar a sobrevivência de uma empresa nos dias atuais.
A transparência permite a todos os interessados obter informações a respeito da organização que vão além daquelas já impostas por leis ou regulamentos. Ou seja, significa ir além, deixar claro não só as questões econômico-financeiras, mas o modelo de gestão e condução dos negócios.
A equidade revela o tratamento justo e isonômico de todos os stakeholders, como sócios, fornecedores, clientes, colaboradores, terceirizados, prestadores de serviço, parceiros, etc. – considerando seus direitos, deveres, necessidades e expectativas, entre outros.
A prestação de contas ou accountability, em inglês, precisa ser feita de forma clara, concisa, compreensível e tempestiva, assumindo inclusive as consequências de suas ações e omissões.
Por último, a responsabilidade corporativa significa conduzir a organização para que a mesma tenha viabilidade econômico-financeira, trabalhar para reduzir os riscos do negócio e fomentar as oportunidades para seu crescimento, levando em consideração os capitais financeiro, intelectual, humano, social, ambiental, de reputação e manufaturado, no curto, médio e longo prazos.
Essas práticas, felizmente, já são uma realidade em algumas empresas sediadas no Brasil e também no segmento de transporte rodoviário de cargas, até porque investidores estão mais dispostos a pagar um valor maior por empresas que adotem boas práticas de GC pelos motivos óbvios, já que reduzem o risco do negócio e garantem sua longevidade. Ainda, muitos clientes exigem de seus contratados comprovação e evidências de práticas de GC, para dar garantia e segurança aos contratos de fornecimento de produtos e/ou serviços, o que certamente será uma tendência crescente a cada dia.
Entretanto, muitas dessas práticas são negligenciadas na maioria das entidades representativas de categorias patronais ou laborais, razão pela qual culminou-se no fim do imposto sindical obrigatório em 2017 com a Reforma Trabalhista, questão julgada constitucional pelo STF – Supremo Tribunal Federal em junho de 2018. Fato é que, hoje, as entidades são como empresas, pois não possuem mais receita compulsória.
Deste modo, foi louvável a atitude corajosa do SETCESP em modernizar seu Estatuto em 2019 e passar a adotar as práticas da GC em sua gestão. Neste contexto, formou-se o Conselho Superior e o Conselho de Administração, ambos presididos por Tayguara Helou, presidente eleito, e optou-se pela seleção e contratação de um presidente executivo.
No caso, executiva, pois neste ponto que eu entrei novamente na história do SETCESP, depois de minhas passagens pela COMJOVEM SP, durante a gestão dos presidentes Urubatan Helou e Francisco Pelúcio, e pela Secretaria Geral na gestão do presidente Manoel Sousa Lima Júnior.
Hoje, passados três meses, posso garantir que todos ganharam, os associados creio que mais. Porque o SETCESP iniciou um grande projeto de gestão empresarial e dará passos largos neste sentido, oferecendo serviços de qualidade, eventos sob demanda e diversas outras ações para contribuir com o dia a dia do transportador.
Gerir as entidades como verdadeiras empresas foi uma tremenda oportunidade que o fim do imposto sindical obrigatório proporcionou, cabendo a nós aproveitá-la. Inclusive, para melhorar a desgastada e desacreditada imagem das entidades sindicais de um modo geral no nosso país.
Para isto é preciso coragem, atitude esta que a diretoria do SETCESP teve, devendo ser reconhecida e parabenizada por este feito.
A mim, como executiva, com histórico de transportadora, advogada e coordenadora de jovens empresários do setor de transportes, caberá transformar atitude em uma gestão de alta performance, lastreada nos pilares e princípios básicos da GC. E, para isso, conto com a participação ativa dos empresários do TRC!.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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