Sondagem econômica – Panorama do TRC 2018 e perspectivas para 2019

22/04/2019

Raquel Serini – Economista do IPTC – Instituto Paulista do Transporte de Carga

 

 

Em face do importante papel socioeconômico exercido pelo transporte rodoviário de cargas, traremos aqui informações substanciais para estimular discussões sobre o planejamento estratégico das empresas, as políticas de representatividade do setor e, acima de tudo, sobre os impactos gerados por fatores externos.

De modo geral, mesmo diante de vários momentos de crise, a economia apresenta melhora, porém a passos lentos. O Produto Interno Bruto – PIB brasileiro cresceu 0,8% no 3º trimestre de 2018, na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao 3º trimestre de 2017, a alta foi de 1,3%, o que representa, em valores correntes, R$ 1,716 trilhão no trimestre.

Seguindo a tendência de recuperação da economia, o setor obteve resultados favoráveis na variação do volume transportado, que aumentou em média 16% em 2018 com relação a 2017, acompanhado por um aumento de 21% no faturamento das empresas e consequentemente com um incremento nas tarifas, pois 74% das empresas apresentaram um aumento na lucratividade.

Diante disso, existe a perspectiva de alavancagem nos negócios e, assim, aumento na contratação de mão de obra, investimentos na área tecnológica e na renovação da frota. Além dos indicadores financeiros positivos, uma onda de otimismo no cenário político para os próximos quatro anos influencia, e muito, nos resultados. Isso se deve à confiança de 92% dos empresários entrevistados, que acreditam no novo governo e nas mudanças já propostas por ele. Mas muitos acreditam ainda que a concorrência desleal, as políticas públicas e a demanda por carga são fatores que podem limitar o crescimento de suas empresas.

Observou-se, também, que as empresas que mantinham 5% da frota exclusivamente terceirizada, em dados apresentados no estudo anterior (2017-2018), esse ano mudaram de estratégia, adquirindo mais veículos próprios ou então adotaram uma frota mista. Esse movimento se deve também à “Manifestação dos Caminhoneiros Autônomos” no final de maio/2018, que gerou grande insegurança no mercado de transporte, ou seja, correr o risco de uma nova paralisação, não atender aos prazos dos clientes, enfim ficar cativo de uma única opção não seria viável.

 

PRINCIPAIS RESULTADOS

 

– Cenário Otimista: 92% dos entrevistados acreditam no governo e nas mudanças propostas por ele.

– O aumento médio foi de 16% no volume transportado.

– 85% das empresas tiveram aumento no faturamento em 2018 se comparado a 2017.

– O aumento médio do faturamento foi de 21%.

– O lucro médio das empresas foi de 12%, um aumento de quatro vezes em relação à pesquisa anterior.

— 59% das empresas pretendem ampliar o quadro de funcionários em 2019.

– Investimento: as empresas pretendem investir 10% do faturamento na renovação da frota e 4% do faturamento em novas tecnologias.

– Frete: 52% acreditam que o valor do frete irá melhorar em 2019.

 

Outro ponto relevante discutido é a dificuldade de as empresas se adequarem à nova “Política Nacional de Piso Mínimo de Frete”, não no momento do repasse para o motorista autônomo, mas, sim, na reformulação do seu preço de frete. Renegociar todos os contratos não deve estar sendo uma tarefa fácil.

Digo isso porque apenas 24% das empresas entrevistadas conseguiram se adequar totalmente a essa nova prática, 42% delas se adequaram parcialmente, 13% ainda não se adequaram, ou outros 21% não aplicam a tabela por atuar em segmentos não contemplados no decreto. Analisando mais a fundo, percebe-se também que as categorias com maior entrave nas negociações comerciais com embarcadores são: carga perigosa e carga a granel.

Diante de tudo o que foi dito, o setor de transporte rodoviário de cargas demanda por melhorias na infraestrutura rodoviária; equilíbrio nos preços dos insumos – principalmente do óleo diesel, que esteve em debate durante todo o ano passado; acesso ao crédito para compra de equipamentos; redução da carga tributária; combate à concorrência desleal; capacitação especializada da sua mão de obra, ou seja, o desejo é que o setor seja visto pelo novo governo de forma mais valorizada.

 

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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