Para o bem da mobilidade urbana – coluna SETCESP

14/03/2019

Tayguara Helou – Presidente do SETCESP

 

O SETCESP há mais de 30 anos realiza, em sua sede em São Paulo, o Fórum Paulista do TRC – Mobilidade e Abastecimento Urbano para debater com especialistas e operadores as melhores propostas para o abastecimento urbano nos grandes centros brasileiros, mas, acima de tudo,as melhores práticas para a Grande Região Metropolitana de São Paulo – GRMSP.

Utilizamos três pilares quando planejamos as nossas propostas para o abastecimento urbano:

1. Pessoas: sempre pensar nas pessoas, na segurança, na mobilidade a pé, na qualidade de vida e no bem-estar de quem vive nesses centros.

2. Transporte coletivo de pessoas: é necessário pensar em transporte público de qualidade, eficiente, seguro, rápido, pontual e atrativo, mas é preciso também pensar no compartilhamento de veículos, na integração entre o transporte privativo com o público e em outros modais como bicicletas e patinetes.

3. Transporte coletivo de cargas: é um novo conceito de se pensar em transporte de cargas, quanto maior o caminhão, mais coletivo é esse transporte, quanto menor, mais individualizado, pois demandará mais veículos para escoar uma determinada operação, o que é ruim para segurança, para o meio ambiente e para a fluidez dos engarrafamentos. Mas é lógico que também não defendemos uma carreta em uma avenida principal no centro de uma cidade, defendemos o veículo certo para cada tipo de operação, de produto, de local e horário.

Gráfico_Setcesp

Atualmente trabalhamos com 11 propostas, entre elas estão: entregas noturnas para polos geradores de cargas, para que as carretas possam abastecer esses locais, que detêm infraestrutura para amenizar o problema de segurança pública e ruídos, retirando, assim, milhares de pequenos veículos de circulação durante o dia; a criação de Centros de Distribuição – CDs menores, localizados ao redor da região para que à noite as carretas abasteçam esses CDs e durante o dia os veículos menores, em especial o VUC – Veículo Urbano de Carga abasteça o comércio circulando por trechos mais curtos e com sua capacidade de carga preenchida; a padronização das restrições; a padronização dos VUCs nas regiões metropolitanas; intensas campanhas de conscientização; adoção de tecnologias modernas para otimizar os processos operacionais e as interações com o poder público, facilitando a vida das Prefeituras e dos transportadores, entre outras.

Há aproximadamente 15 anos o SETCESP luta por uma bandeira que parece lógica, mas que levou bastante tempo para a cidade de São Paulo entender: o incentivo ao VUC, pois esse foi um veículo de carga projetado para o centro urbano para garantir a melhor segurança viária e a melhoria para a redução dos engarrafamentos.

Quando iniciaram as primeiras restrições aos VUCs na cidade de São Paulo, ou seja, a inclusão deles no rodízio de placas, entre outros, naquela época ainda durante o dia todo, houve uma explosão na compra de caminhonetes de carga, aumentando de forma exponencial a quantidade de veículos em circulação ­– veja o gráfico na página anterior.

Esquema_Setcesp

Mas, felizmente, a atual gestão de São Paulo, comandado pelo Prefeito Bruno Covas, percebeu que incentivar o VUC e lançar um plano diretor de cargas seria o melhor para o desenvolvimento da cidade. A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, juntamente com a equipe técnica da CET – Companhia de Engenharia de Trafego e do DSV – Departamento de Operação do Sistema Viário, conseguiram com o nosso apoio fazer algo histórico e que vai, sem sombra de dúvidas, melhorar muito o abastecimento da cidade.

Enfim, o VUC está liberado do rodízio e regulamentado pelo DSV, mas cuidado, pois só foram liberados os VUCs que respeitam as medidas de 2,20 m de largura por 7,20 m de cumprimento, ano de fabricação 2005 ou mais novo e cadastrados na CET.

No lugar de um VUC eram necessários cinco utilitários, ou seja, com o VUC, substituímos cinco motores por apenas um, diminuímos a mão de obra e a quantidade de pneus na mesma proporção, reduzindo, assim, o impacto ao meio ambiente e ao custo operacional da cidade, melhorando a fluidez do trânsito e, acima de tudo, a segurança viária.

Parabéns São Paulo, parabéns Prefeitura, parabéns Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, parabéns companhias gestoras do trânsito, vocês fizeram a diferença!

Conheça melhor os serviços do SETCESP em www.setcesp.org.br.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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