Diretoria de Portos e Costas regulamenta pesagem obrigatória de contêineres embarcados

02/06/2016

O Diretor de Portos e Costas, Vice-Almirante Wilson Pereira de Lima Filho, como representante da Autoridade Marítima Brasileira, assinou no dia 25 de maio a Portaria n°164/DPC que estabelece as normas sobre a determinação da massa bruta dos contêineres embarcados no território nacional, as quais entrarão em vigor a partir do dia 1o de julho de 2016. A Portaria é resultado de emenda à Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar 1974 – SOLAS/74, adotada pelo Comitê de Segurança Marítima (MSC) da Organização Marítima Internacional (IMO), por meio da Resolução MSC.380(94), motivada por acidentes em navios porta contêineres causados por informações equivocadas quanto à massa real dos contêineres embarcados.

Durante o processo de elaboração das normas foram ouvidos representantes de diversos setores com interesse direto no assunto. Pela iniciativa privada, o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), o Centro Nacional de Navegação – (Centronave), a Associação dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro (USUPORT RJ), entidades representantes dos terminais que operam com este tipo de carga – como a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (ABRATEC) e a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP). Os representantes dessas entidades não só tiveram a oportunidade de expressar seu entendimento sobre o assunto durante reuniões realizadas com esse propósito, mas também apresentaram sugestões julgadas pertinentes ao texto inicial proposto pela DPC. O mesmo procedimento foi adotado com o setor governamental: foram ouvidos os representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ e da Secretaria de Portos da Presidência da República – SEP/PR.

Após recebimento e análise das sugestões, a DPC convidou os representantes da iniciativa privada e do setor governamental para apresentação do texto final das normas e comentários conclusivos em reuniões, realizadas nos dias 19 e 24 de maio.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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