Governo do Uruguai contrata ART para modernizar todo o sistema ferroviário do país

23/03/2016

A ART – Alta Rail Technology, empresa brasileira líder em tecnologia para o setor ferroviário com atuação nos mercados da América Latina, África e Austrália, anuncia que iniciou um projeto de modernização do controle de tráfego da malha ferroviária do Uruguai, com vistas ao aumento da eficiência e segurança. A operação acontece a partir de contrato conquistado pela ART junto à agência governamental que responde pela gestão do setor, a Administración de Ferrocarriles de Estado (AFE). 

O objetivo do projeto é substituir o obsoleto controle de tráfego por um novo sistema automatizado, baseado em estrutura de comunicação por satélite e GPRS. A solução envolve a integração de computadores de bordo, sistemas de aquisição de dados e controle centralizado.

Os dispositivos de automação e comunicação, bem como os softwares empregados, são desenvolvidos pela própria ART, sendo já utilizados por várias ferrovias em todo o mundo.

O contrato entre a ART e a AFE segue o modelo turn key, sendo a ART a responsável integral pelo projeto de engenharia, suprimentos, integração, implantação e treinamento dos gestores, maquinistas e operadores de tráfego que passarão a usar o novo sistema.

Com o apoio dessa infraestrutura, a AFE se prepara para crescer e operar em todo país com a eficiência e segurança desejadas por seus clientes de transporte ferroviário. Em recente pronunciamento, na assinatura de contrato com a ART, o Ministro dos Transportes e Obras Públicas do Uruguai, Victor Rossi, salientou que “o novo sistema de autorização do uso de vias é um dos melhores acontecimentos para a ferrovia nos últimos tempos”. Por sua vez, o presidente da AFE, Wilfredo Rodrigues, ressaltou que “com o controle por satélite de suas vias férreas e trens, a AFE dá um salto de modernização, indo diretamente do século XIX para o século XXI”. 

De acordo com Carlos Henrique Correa, CEO da ART, o relacionamento entre a ART e a AFE está apenas se iniciando e as expectativas são grandes de ambas as partes.

A solução da ART contempla um sistema de controle de tráfego (STC) e  dispositivos de bordo responsáveis por garantir segurança e agilidade na movimentação de trens.

Com o novo controle de tráfego, a AFE realizará o monitoramento inteligente das composições ao longo de 1600 km de trilhos que cortam todo o país.

Serão instaladas 40 soluções embarcadas nas locomotivas da AFE, incluindo os Computadores de Bordo (OBC), Módulos de Aquisição de Dados (DAQ) e Módulos de Comunicação Ferroviária (MCF). Isto viabilizará a operacionalização de padrões de tráfego compatíveis com as normas internacionais de segurança e com as melhores práticas de planejamento logístico.

As soluções de bordo ajudam os maquinistas a cumprir as regras operacionais, como velocidade máxima autorizada e limites de autoridade, oferecendo a função de cerca eletrônica.

O uso do dispositivo EOT (End Of Train), instalado no último vagão das composições, permite que a solução monitore a integridade da composição, garantindo maior eficiência e segurança nos cruzamentos e agilidade nas autorizações de uso de via.

A comunicação trem-terra é feita por GPRS e com redundância via satélite, ampliando a disponibilidade do monitoramento de tráfego e controlando o custo de comunicação.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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