Abre e fecha do varejo obriga inovação em processos logísticos

17/05/2021

Por Vinicius Pessin*

Desde março de 2020, a rotina operacional do varejo brasileiro é justamente a falta dela. O setor passou do choque inicial com a pandemia de covid-19, seguindo pelas restrições de isolamento social e suspensão de atividades não essenciais, à reabertura gradual no segundo semestre do ano passado até chegar à nova onda de infecções e mortes, com mais restrições de funcionamento neste início de 2021. Esse abre-fecha não compromete apenas as vendas e a rentabilidade do negócio. É preciso ter processos logísticos bem estruturados e, principalmente, integrados às soluções de tecnologia para dar conta da demanda e das transações efetuadas nos mais variados canais.

A relação entre logística e tecnologia nunca foi tão profunda quanto agora – e certamente vai amadurecer mais nos próximos anos. Trata-se de um mercado muito novo no Brasil e recém-explorado pelas logtechs, termo que designa startups que combinam soluções tecnológicas na área de logística. Segundo o estudo Distrito Logtech Report 2020, há mais de 280 empresas desse tipo no cenário brasileiro e mais da metade delas tem menos de cinco anos de existência. A grande maioria, claro, surgiu para resolver a dor mais comum da área, isto é, as entregas – o mesmo levantamento mostra que mais de 80% do volume investido em logtechs está concentrado justamente nessa categoria.

Ou seja, é uma aproximação ainda recente e, nesse sentido, o avanço do novo coronavírus foi um catalisador importante. De uma hora para a outra, o varejo brasileiro precisou fechar as portas para atender às medidas de restrição e isolamento social estabelecidas por governos estaduais e municipais. A única alternativa viável era recorrer aos canais digitais, como e-commerce e aplicativos. Consequentemente, era preciso garantir processos logísticos que levassem esses produtos aos consumidores, de preferência no menor tempo possível (até no mesmo dia em alguns casos) e com um preço justo para o frete.

A questão é que não foram todos os varejistas que se prepararam para este momento digital. Alguns acreditavam que a pandemia não se estenderia por tanto tempo; outros simplesmente não tinham conhecimento e parceiros para isso – e a redução no número de casos no segundo semestre de 2020 fez com que esses negócios abaixassem a guarda e não investissem mais em soluções tecnológicas para suas entregas. Foi um erro de planejamento crucial. Empresas do setor que perceberam o caminho sem volta da transformação digital sabem que a logística é elemento altamente estratégico, uma vez que o consumidor está assimilando hábitos mais digitais de compra.

E assim chegamos à segunda onda da pandemia de covid-19, novamente com a suspensão das atividades. Quem se planejou e adotou soluções de tecnologia naquele momento inicial estava pronto para essa oscilação e, mais importante, estruturado para atender a todas as demandas, incluindo oferecer a melhor experiência a seus clientes com entregas rápidas e eficientes protagonizadas por logtechs. Já aqueles que recomeçaram suas operações logísticas ficaram para trás e dificilmente recuperarão as vendas perdidas neste período. Em um cenário de incertezas e dúvidas, como o que vivemos, automatizar processos por meio da tecnologia é essencial para superar as dificuldades.

Lição aprendida: o mundo mudou, o comportamento do consumidor está mais digital e não há mais espaço para negócios que ignoram os canais digitais bem como, por tabela, o serviço de delivery de seus produtos. Seja para manter o distanciamento social ou por pura conveniência, a compra virtual virou uma realidade para a grande maioria da população. Cabe às empresas, agora, se prepararem para esses desafios, contando com soluções adequadas para atender às demandas e aos desejos de todos os consumidores.

* Vinicius Pessin é Co-Fundador da Eu Entrego, startup que utiliza tecnologia para resolver problemas logísticos

Compartilhe:
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras

As mais lidas

01

Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado
Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado

02

Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil, segundo a ABOL
Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil

03

Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país
Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país