Política, burocracia e logística

28/09/2018

Por José Zeferino Pedrozo*

As eleições criam uma excelente oportunidade para o debate de temas nacionais e para o cotejo das propostas de cada candidato e de suas respectivas visões (e compreensões) sobre a atualidade brasileira. Por essa razão, seria compreensível esperar que a temática relacionada à agricultura e o agronegócio estivesse na pauta das prioridades, nos planos de governo e nas intervenções midiáticas dos candidatos em geral e dos postulantes ao executivo, em particular. O tema não é frequente e, muitas vezes, as abordagens revelam ou um desconhecimento abissal do condidato ou uma percepção totalmente distorcida.

Basta o senso comum e o conhecimento mínimo da realidade para a compreensão e a defesa de temas recorrentes na pauta político-partidária-eleitoral como aqueles relativos a educação, saúde e segurança pública. No caso do setor primário da economia torna-se necessária certa imersão do universo rural em razão de sua diversidade e complexidade, visto que cada cadeia produtiva guarda uma infinidade de aspectos e de peculiaridades que as distinguem e as tornam únicas. Grãos, fibras, oleaginosas, frutas, bovinocultura, suinocultura, avicultura, café, algodão, cana de açúcar – são dezenas de imensas cadeias produtivas com suas particularidades.

Todo candidato deveria falar com orgulho da agricultura brasileira, que tem sido a locomotiva da economia nacional nas últimas décadas e a responsável pelos sucessos superávits da balança comercial nos últimos anos. Dois problemas vergastam o setor primário em Santa Catarina: o excesso de burocracia e a perda da competitividade. A burocracia se expressa na intervenção do Estado nas atividades agrícolas e pecuárias. Essa intervenção se dá na forma da exigência de licenciamento e autorização prévia para quase todas as atividades, resultado de legislação fiscal e/ou ambiental. Há um nítido excesso de regras e uma série de normas incoerentes, incongruentes e inúteis cujo resultado prático é zero, mas que procrastinam os empreendimentos, encarecem os investimentos e desestimulam o empresário-produtor rural. Existem atividades que dependem de múltiplas autorizações de diferentes órgãos estatais. Desconhece-se o ganho social desta ação estatal. Sob a óptica do empresário-produtor, são custos a pagar (taxas e emolumentos) e tempo a perder (na espera pela obtenção das licenças).

A perda da competitividade é reflexo de fatores “fora da porteira”, pois é reconhecida a eficiência dos estabelecimentos rurais catarinenses. O fato é que as deficiências logísticas estão retirando a competitividade do agronegócio barriga-verde, incluindo-se aqui as agroindústrias de processamento de carnes, leite, grãos e frutas. As más condições do sistema rodoviário asfixiam o setor. Tornou-se cara e penosa a operação de transportar a matéria-prima do campo para a indústria e transferir o produto alimentício das indústria para os portos e para os centros de consumo. Recuperar as rodovias e duplicar as rodovias-troncos são necessidades emergenciais, mas a solução passa pelo modal ferroviário. Precisamos de duas rodovias: uma intraestadual ligando o oeste aos portos catarinenses (para escoar a produção exportável) e outra interestadual ligando o oeste ao centro-oeste brasileiro (para suprir o déficit de 3,5 milhões de toneladas de milho que o parque agroindustrial catarinense consome). Reduzir a burocracia e melhorar a logística é tudo que a agricultura e o agronegócio pedem.

*Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Compartilhe:
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras

As mais lidas

01

Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado
Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado

02

Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país
Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país

03

Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE