Como a tecnologia vai ajudar o supply chain após a greve dos caminhoneiros

13/06/2018

Por Carolina Cabral*

Se a greve começou devido ao aumento no preço dos combustíveis, as consequências serão muito mais amplas que isso. O abastecimento de estabelecimentos e indústrias em todo o país ficou significantemente prejudicado pelos bloqueios feitos pelos caminhoneiros nas principais rodovias. Enquanto o governo busca fazer os acordos e trâmites necessários para que os impactos dessa crise não cause efeitos maiores, é essencial que os gestores e responsáveis pela Logística e Suprimentos nas empresas analisem os possíveis cenários e tomem medidas para diminuir prejuízos e futuros riscos.

Com o fim da greve, as operações não serão normalizadas tão rapidamente, algumas poderão demorar de 15 a 30 dias ou até mesmo meses. As transportadoras deverão trabalhar continuamente para aumentar o número de entregas e minimizar os impactos da greve. Um dos efeitos dessa movimentação será o aumento do custo de contratações com frotas adicionais para que as operações se estabilizem rapidamente.

É fato que, as empresas que contam com tecnologias adequadas e integradas a seus processos, saem na frente das demais.

O papel da tecnologia

A logística brasileira tem uma grande dependência dos transportes rodoviários, que escoa 75% da produção do país, segundo pesquisa da Fundação Dom Cabral. Assim, não é de se estranhar que qualquer movimentação nessa frente tenha grandes impactos na rotina das companhias. Em termos econômicos, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas estima uma redução da expectativa do crescimento do Brasil para 1,9%, frente a alta de 2,3% prevista anteriormente.

Considerando esse cenário, as empresas precisam contar com ferramentas tecnológicas para agir de forma assertiva. A proposta é combinar diferentes recursos e soluções para fornecer maior visibilidade àqueles que estão na linha de frente da cadeia de suprimentos. O Blockchain, por exemplo, pode trazer maior transparência sobre a origem dos produtos e os gestores poderão acompanhar sua operação de ponta a ponta e inclusive se programar para potenciais falhas.

Outros destaques são as tecnologias como os sensores conectados pela Internet das Coisas (IoT), usados na gestão do uso de energia, água e outros insumos utilizados na etapa de produção. Assim como os drones, que monitoram e verificam a existência de vazamentos em operações de difícil acesso, como oleodutos, e o Big Data Analytics e GPS, que unem suas capacidades para otimizar atividades de crescimento das empresas.

Além disso, os gestores de supply chain podem contar com as mídias sociais para obter informações atualizadas sobre a atuação e reação dos principais agentes, como o governo, os caminhoneiros e o público em geral.

Com uma visão abrangente e a possibilidade de mapear os principais gaps, os profissionais da cadeia de suprimentos ganham força para estruturar um plano de contenção, buscando prever futuros desdobramentos e agindo de forma consistente.

*Carolina Cabral é sócia-diretora da Nimbi, especialista em tecnologia para a cadeia de suprimentos. http://www.nimbi.com.br/

Compartilhe:
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras

As mais lidas

01

Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado
Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado

02

Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil, segundo a ABOL
Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil

03

Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país
Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país