Gestores de frotas precisam ficar atentos às emissões dos gases de efeito estufa

01/12/2014

Acontece de 1º a 12 de dezembro a 20ª edição da Conferência das Partes da Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, ou simplesmente CoP20.  Trata-se da penúltima etapa para o fechamento de um acordo climático global, que deve ser firmado no final de 2015 com metas e mecanismos para a redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa, notadamente o gás carbônico (CO2), para todos os países integrantes da ONU, incluindo o Brasil. 

Dificilmente esse acordo será postergado. Afinal, nunca se jogou tantos gases de efeito estufa na atmosfera como no Século 21.  Olhando sob uma perspectiva histórica, constata-se que quase metade das emissões de CO2 geradas pela ação humana registradas entre meados do século XVIII e 2010 aconteceram nas últimas quatro décadas.  Estamos no limite de nossa janela de oportunidade para manter o aquecimento médio do planeta dentro da faixa de até 2° centígrados – teto da temperatura considerada relativamente segura, pelos cientistas, para nossa sobrevivência na Terra.  Acima disso, o aquecimento global afetará a produtividade agrícola, o nível dos mares, a intensidade dos incidentes climáticos e uma série de eventos que implicarão não só em perdas financeiras, mas também humanas.

Para evitar este cenário catastrófico, todos serão chamados a contribuir.  Ou seja, ao contrário do que aconteceu na época da assinatura do primeiro termo de compromisso do Protocolo de Quioto, desta vez nenhum país ou setor poderá ficar de fora.  Muito menos o setor de transportes.  Embora seja vital para a economia, o transporte é, atualmente, um dos vilões das mudanças climáticas: segundo o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, ele responde por 23% das emissões globais de CO2.  Um dado preocupante é que mesmo a maior eficiência dos veículos não impediu o crescimento das emissões do setor, que mais que dobraram em relação a 1970.

É certo que este número inclui o transporte aeroviário e os milhões de veículos automotores usados para o transporte individual.  Mas computa também as emissões das frotas de empresas e governos.  Ou seja, daqui para a frente,  nenhum gestor poderá deixar de buscar alternativas para reduzir suas emissões, já que a mitigação tende a ser obrigatória e se consolida como um item de atenção de centenas de empresas comprometidas com a sustentabilidade.  Já existem metodologias específicas para contabilizar as emissões que acontecem dentro da cadeia de valor de uma organização, embora fora de seus limites operacionais, para a elaboração dos inventários corporativos de gases de efeito estufa (GEE).  E nessa categoria, um dos setores mais relevantes é o de transporte.   

Em outras palavras, seja pela obrigatoriedade que o acordo global virá a impor ou por pressão dos clientes, as emissões estão cada vez mais perto do topo da agenda do gestor de frotas.   A boa notícia é que as inúmeras tecnologias usadas pelas empresas especializadas na gestão das despesas com veículos são altamente eficientes também na mitigação dos gases causadores do efeito estufa. Temos cases de clientes de nossas associadas que obtiveram uma redução de 58% nessas emissões. Para tanto, fazem uso das informações coletadas por meio de inúmeras tecnologias que, juntas, geram relatórios comportamentais de veículos e modo da condução, permitindo avaliar consumo e quilometragem excessiva, desgaste de peças e combustível empregado.

A questão do combustível é estratégica tanto para as despesas com frotas, como para o clima.  Segundo o penúltimo relatório do Painel, "Bioenergias podem desempenhar um papel crítico para a mitigação". Não há referência direta aos biocombustíveis, mas a cana-de-açúcar é citada como alternativa: "Evidências sugerem que opções com emissões de baixo ciclo de vida (como a cana-de-açúcar, árvores com crescimento rápido e uso sustentável dos resíduos de biomassa, algumas já disponíveis) podem reduzir emissões".

A opção preferencial pelo etanol tende a ser prevalente nos próximos anos.  Para as frotas leves, a competitividade dos veículos Flex contribui para o maior uso desse combustível. Mas as frotas pesadas seguem na mesma direção.  Este ano, um grande fabricante de caminhões estabeleceu uma meta de redução de 50% nos índices de CO2 oriundos de ônibus e caminhões até 2020 e para alcançá-la pretende realizar a substituição gradativa de motores a diesel por outros movidos a etanol, biogás ou biodiesel. 

Enquanto os veículos de emissão zero não se tornam economicamente viáveis, gestores de frotas e empresas de gestão de despesas de veículos tem muito a contribuir com o maior desafio que a humanidade está enfrentando.   As emissões dos gases de efeito estufa estão também, definitivamente, sob nossa responsabilidade.

 

Ricardo Albregard

Presidente da AGEV – Associação de Gestão de Despesas de Veículos

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