Reindustrialização das exportações

16/08/2014

Apesar do excelente desempenho das commodities nos últimos anos, mesmo enfrentando um dólar barato demais, o Brasil ocupa apenas a 22ª posição no ranking dos exportadores, embora tenha o sétimo Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Isso ocorre em razão da perda de competitividade dos produtos industrializados no mercado externo, que tem sido provocada pelo chamado custo Brasil.

Como se sabe, essas duas palavras resumem um quadro complexo que representa um desafio para o próximo governo e também para as futuras gerações: infraestrutura deficiente e cara, alta carga tributária, falta de reformas de base e defasagem cambial. Tudo isso tem ajudado a ocasionar déficits comerciais que não param de crescer e trazem consigo a eliminação de empregos. E, à falta de empregos, milhares de jovens são levados à marginalidade, engrossando as estatísticas da violência social.

Portanto, é fundamental alterar essa situação a partir do aumento da participação industrial na pauta exportadora. Afinal, basta ver o citado ranking dos exportadores para perceber que os 14 maiores são países eminentemente vendedores de produtos manufaturados. É isso que permite a definição de uma política de comércio exterior.

Se o Brasil continuar por muito tempo dependendo da venda de commodities, com certeza, vai entrar num ciclo depressivo sem volta. Basta ver que a participação industrial na pauta de exportações caiu de 59% em 2000 para 37% em 2013. Se continuar nessa trajetória, não é difícil prever o aumento do desemprego na indústria, o que significa uma redução no número de consumidores e problemas também no mercado externo.

Esse fenômeno está também ligado à estratégia equivocada adotada pelo governo anterior, que decidiu substituir uma possível dependência à economia norte-americana por outros parceiros, esquecendo-se de que os Estados Unidos são o maior mercado do planeta, cujas compras ultrapassam a faixa de US$ 2,5 trilhões. O resultado foi que a participação dos Estados Unidos na exportação brasileira caiu de 25% em 2002 para 12% hoje.

Atualmente o maior parceiro comercial do Brasil é a China, que compra 17% de tudo o que o País vende para o exterior. Só que há uma diferença que explica o atual fenômeno da desindustrialização pelo qual o Brasil passa: enquanto os Estados Unidos  compram produtos industrializados, de maior valor agregado, o país asiático adquire basicamente grãos e minério de ferro.

Para piorar, além de ter um peso pequeno nas compras norte-americanas (1,5%), o Brasil se dá ao luxo de registrar déficits comerciais com os Estados Unidos, comprando mais do que exporta para lá. Portanto, é preciso urgentemente criar condições para que o País passe por um processo de reindustrialização que promova a sua inserção internacional.

Milton Lourenço – Presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). fiorde@fiorde.com.br
 

Compartilhe:
Aurora Coop lança carreta frigorífica considerada inédita no Brasil e aumenta eficiência logística
Aurora Coop lança carreta frigorífica considerada inédita no Brasil e aumenta eficiência logística
ANTT discute implantação do primeiro Corredor Logístico Sustentável do Brasil
ANTT discute implantação do primeiro Corredor Logístico Sustentável do Brasil
INTRA-LOG Expo dobra de tamanho em 2026 e traz tendências em automação logística para atender mercado da América Latina
INTRA-LOG Expo dobra de tamanho em 2026 e traz tendências em automação logística para atender mercado da América Latina
IA, dados operacionais e descarbonização avançam no transporte marítimo com foco em emissões reais da cadeia logística
IA, dados operacionais e descarbonização avançam no transporte marítimo com foco em emissões reais da cadeia logística
Arauco avança na estrutura logística do Projeto Sucuriú com recebimento das primeiras locomotivas da Wabtec
Arauco avança na estrutura logística do Projeto Sucuriú com recebimento das primeiras locomotivas da Wabtec
Incêndios em aviões e navios expõem riscos no transporte de cargas perigosas
Incêndios em aviões e navios expõem riscos no transporte de cargas perigosas

As mais lidas

01

Benel reduz emissões de CO₂ em 86 veículos com tecnologia de descarbonização
Benel reduz emissões de CO₂ em 86 veículos com tecnologia de descarbonização

02

DHL Global Forwarding posiciona Brasil como hub estratégico para a América Latina e projeta crescimento de 30% em volumes consolidados
DHL Global Forwarding posiciona Brasil como hub estratégico para a América Latina e projeta crescimento de 30% em volumes consolidados

03

Mercado Livre aluga centro logístico da Goodman em Santo André, SP,  e reforça operação de last mile
Mercado Livre aluga centro logístico da Goodman em Santo André, SP,  e reforça operação de last mile