Onde estamos e para onde vamos?

12/02/2008

O Brasil apresentou em 2007 um desempenho bastante positivo de sua economia, com crescimento superior a 5% do PIB, taxa de inflação dentro da meta fixada pelo CMN, aumento do emprego e forte expansão das vendas do varejo, indicando melhoria do padrão de vida do brasileiro, especialmente o de menor renda.

Como conseqüência desses resultados, as expectativas para a economia em 2008 eram bastante promissoras, com projeções de crescimento superior a 2007 e a continuidade da expansão do mercado interno, com a inflação sob controle, apesar do aumento de preços verificados no fim do ano passado.

Esse cenário otimista, no entanto, começou a se alterar na medida em que parece que os problemas enfrentados pelo mercado financeiro nos Estados Unidos são mais graves do que se supunham, com possível recessão ou forte desaceleração da economia americana e reflexos sobre as demais economias, inclusive a brasileira.

Paralelamente, constata-se no país, o risco de um "apagão", que já se manifesta na forma de aumento dos preços da energia elétrica, elevação das alíquotas do IOF, aumento da taxa de inflação e grande volatilidade no mercado acionário e cambial, resultando em um cenário de incertezas quanto à continuidade de um crescimento maior da economia.

O Brasil dispõe de condições para manter sua trajetória de crescimento se houver a convergência dos esforços de todos na discussão e implementação das medidas que se façam necessárias, caso a crise externa nos traga maiores dificuldades do que o esperado. Com a união de todos os segmentos poderemos preservar o bom momento que a economia atravessa, apesar dos problemas internos e externos que se apresentem.

Desde os tempos bíblicos, sabe-se que existem as épocas de "vacas gordas" e as de "vacas magras", isto é, tanto as nações como as empresas e, mesmo as famílias, desfrutam de períodos de bonança que podem ser duradouros, mas não são eternos. Os ciclos das atividades econômicas apresentam picos e vales, mas o momento favorável da economia brasileira não pode ser abortado após tanto tempo de crescimento medíocre. Em um cenário de incertezas é preciso união, decisão e muito trabalho. Somente assim saberemos onde estamos e para onde vamos.

 

Alencar Burti é presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

 

Fonte: ACSP

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