O emprego em Jundiaí

31/01/2008

Jundiaí estaria se tornando uma cidade prestadora de serviços?  Os setores não-industriais da cidade se elevam em proporções maiores do que a elevação da produção industrial?  A cidade estaria, hoje, desbravando um novo ciclo depois do bandeirismo, do tropeirismo, da uva, das tecelagens?

É sabido que existe um fenômeno mundial.  Universalmente, em todos os países, o PIB – Produto Interno Bruto vem apresentando participação cada vez maior dos setores comercial e de serviços em relação à participação da indústria.  Jundiaí, como uma célula do planeta, não é exceção e compartilha do mesmo processo.  Internacionalmente e já há algumas décadas, estudos acerca desta questão são publicados com o nome de “terciarização da economia”, ou seja o alargamento da participação percentual do setor terciário.

A produção industrial da cidade, medida por qualquer variável (valor adicionado, índice de participação no ICMS, PIB ou outra), ainda é superior à produção comercial ou do setor de  serviços.  No entanto, o que não é novidade para quem lida com estes aspectos econômicos de cidades mas pode ser surpreendente a quem não o faz, a evolução recente do número de empregos por setor mostra tendências inquestionáveis.

Pedimos licença ao leitor que eventualmente não esteja habituado ou não lhe seja agradável uma árida apresentação de números, para expor estatísticas do Ministério do Trabalho.  Ao mesmo tempo, convidamos você a transpor essa aridez, uma vez que as informações e o conhecimento resultantes, de longe compensam o desgaste.

Os números

Em 1995, a indústria de Jundiaí oferecia 41.171 empregos.  Dez anos depois, em 2005, este número desabou para 29.563 empregos, indicando uma pesada queda média anual de cerca de 3,37%!  Em contrapartida, o comércio que oferecia, em 1995, 14.307 empregos, passou a oferecer pesados 29.563 empregos em 2005, o que estabelece uma fantástica elevação de 9,30% a cada ano!

Paralelamente, no mesmo intervalo de dez anos, o setor de serviços partiu de 27.817 empregos em 1995, para 44.923, em 2005 o que dá monumentais 9,5% a cada ano.

Significa que, de 1995 a 2005,enquanto a indústria da cidade perdeu anualmente 1.161 empregos, o comércio e o setor de serviços ganharam respectivamente a cada ano 1.526 e 1.711 empregos.  Significa também que na década estudada, enquanto a indústria jundiaiense perdeu 11.608 empregos, o comércio e os serviços ganharam juntos 32.362 novos postos de trabalho.

Houve duas corrências históricas na cidade antes conhecida pela produção de uvas e pelas fábricas de tecidos:  o emprego na indústria jundiaiense foi ultrapassado pelo emprego em serviços no começo do ano 2000 e pelo emprego no comércio mais ou menos na metade de 2006.

E projeções razoáveis indicam que até o final da atual década, de cada 10 empregos de Jundiaí, cerca de 6,5 serão oferecidos pelo comércio ou serviços.

Diga-se de passagem, os setores de construção civil e agropecuária da terra da uva, apresentam empregos em números bem menores que os demais, mostrando certa estabilidade nos dez anos estudados.

Conveniente lembrar que a grandeza considerada é o emprego, não a produção.  A produção industrial ainda é significativamente maior do que a dos demais setores.

A região

Esta espécie de “terciarização do emprego” ocorre maciçamente nos 247 mil quilômetros quadrados do Estado de São Paulo, no entanto é mais acentuada nas cidades maiores do que nas cidades menores que, digamos assim, circundam economicamente as cidades-pólos.  Em linguagem elementar, pode-se explicar que um estudante de Jarinu ou Várzea Paulista, por exemplo, não vem a Jundiaí exclusivamente para comprar uma caneta ou um caderno, mas vem estudar em uma faculdade daqui.  Uma dona de casa de Araçoiaba da Serra ou Mairinque não se desloca até Sorocaba para comprar um pãozinho, mas vai até lá fazer uma compra grande em um shopping, recorrendo ao comércio da cidade grande.  Um cidadão de Bertioga ou Praia Grande, não vai até Santos apenas comprar um remédio, mas vai a Santos se necessitar um hospital.

Assim, na região, Itatiba e Valinhos passam pelo fenômeno da terciariazação do emprego de forma semelhante a Jundiaí.  Destaque-se que Itatiba desenvolveu tradicionalmente um comércio mais autônomo do que as demais cidades vizinhas de Jundiaí.

Cabreúva, Itupeva, Várzea Paulista e Vinhedo apresentam aumento recente considerável no número de empregos industriais, porém as estatísticas sugerem propensão à evolução do emprego no comércio e serviços a longo prazo.  Campo Limpo Paulista, idem, porém é gigantescamente singular a participação da Krupp no total da produção da cidade.

Jarinu, comparativamente à característica urbana de toda a região é a cidade que proporcionalmente mais apresenta empregos na agricultura.

Louveira parece que terá um ano economicamente histórico, em 2008.  Além de um crescimento econômico monumental, pela primeira vez, o emprego em serviços deverá ultrapassar o emprego industrial, redesenhando em termos de vocação.

De qualquer forma a região passa por transformações significativas, se não tanto na esfera da produção, ao menos no perfil do emprego.  Estaremos futuramente, na região dos serviços e do comércio.

Mariland Francisco Righi é economista, colaborador da ABEPL e consultor da empresa Delta – Análise de cidades

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