O futuro da nossa cidade II

17/01/2008

Com o Plano Real e a Lei da Responsabilidade Fiscal – dois marcos do Governo Fernando Henrique -, o Brasil definiu fundamentos importantes para a estabilização de sua economia que nos permitiram aproveitar o presente desenvolvimento acelerado da economia mundial, puxado pela entrada da China no mercado, e iniciar uma nova etapa de crescimento nacional.

A partir desse novo patamar da economia brasileira, algumas cidades – denominadas "cidades eficientes" em pesquisa feita no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas – podem dar um verdadeiro salto em termos de desenvolvimento e qualidade de vida. Segundo a pesquisa, esses municípios se caracterizam por manter, ao longo de sucessivas administrações, índices socioeconômicos superiores à média nacional, possuir vocações econômicas definidas e apresentar altas taxas de inclusão social, notadamente no que se refere à redução da economia informal.

Jundiaí tem posição destacada nesse levantamento, o que significa que podemos dar esse salto de qualidade. Trata-se de uma oportunidade única, que nos permite, e aqui está a questão principal, escolher o tipo de desenvolvimento que desejamos para a nossa cidade.

Qual o melhor caminho a seguir? Para responder a essa questão, temos, em primeiro lugar, de pensar que tipo de cidade é a ideal para que possamos crescer, como pessoas, livres e produtivas, em uma sociedade democrática; como poderemos assegurar mais e melhores oportunidades para todos e, finalmente, como isso pode ser feito de maneira sustentável, de modo a assegurar as condições essenciais que permitam a continuidade dessa trajetória no futuro.

É importante, ainda, destacar que isso não se dará em prejuízo da economia. Pelo contrário: se fizermos as escolhas certas – incluindo, entre os critérios que definem uma cidade de sucesso, a participação da população na tomada de decisões, a qualidade da educação e da cultura e a preocupação com o meio ambiente, entre outras prioridades -, poderemos atingir um estágio de prosperidade semelhante ao de muitas cidades do primeiro mundo. Para darmos início a essa nova etapa do nosso desenvolvimento, o primeiro passo é tomarmos consciência de que o mundo mudou e, para enfrentar os novos desafios, as soluções do passado – embora tenham sido essenciais para chegarmos onde estamos -, não são mais suficientes. É preciso mudar.

Não se trata de uma mudança apenas institucional ou mesmo da relação entre a população e as instituições, públicas ou privadas. Trata-se de uma mudança essencial, focada no motor central de uma democracia: o processo de tomada de consciência da cidadania. Na medida em que mais cidadãos considerem seu dever contribuir para a melhoria da sociedade em que vivem, na medida em que mais pessoas entenderem a importância de sua participação ativa na defesa dos interesses comuns localmente, em suas ruas, bairros, cidades e regiões – sem as amarras ideológicas que terminam por submeter as decisões das comunidades a diretrizes partidárias divorciadas dos seus interesses, em um processo de aparelhamento nocivo à democracia – estaremos, então, dando o grande passo para assegurar que o futuro de nossa cidade será um futuro compensador para todos.

É preciso ter clareza acerca do que significa essa proposta, baseada nos conceitos do movimento denominado Ação Local, apoiado pela ONU, que procura ampliar a participação de todos nas tomadas de decisão. Não se trata de um assembleismo estéril, muitas vezes manipulado e focado apenas em questões pontuais, das quais este ou aquele partido político procura tirar proveito. Trata-se de uma ampliação da responsabilidade individual com relação ao coletivo. Trata-se de estimular a dinâmica social, fonte de energia empreendedora e rica em soluções tanto para os indivíduos, como para suas famílias e para as comunidades em que vivem. Voltaremos ao assunto.

Miguel Haddad é advogado, ex-prefeito de Jundiaí e presidente do Instituto Jundiaí Solidária.

Compartilhe:
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Brado Logística recebe R$ 377,2 milhões do BNDES para ampliar infraestrutura ferroviária com o Projeto Carrossel
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Super Terminais amplia infraestrutura portuária com três novos guindastes elétricos e investimento de R$ 120 milhões
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
Estudo da CNT propõe medidas para fortalecer as hidrovias brasileiras e ampliar a eficiência da logística
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
SAF brasileiro fortalece liderança do Brasil em biocombustíveis e logística internacional de baixo carbono
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
Capacitação de motoristas: Mercedes-Benz reforça parceria com a Fabet para formação de profissionais do transporte
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL
E-commerce brasileiro impulsiona social commerce e crescimento do cross border, aponta estudo da DHL

As mais lidas

01

Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina
Nova rota da Maersk fortalece o Porto Itapoá e amplia perspectivas para a logística em Santa Catarina

02

Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei
Averbação do seguro de transporte de cargas ganha acompanhamento em tempo real com Ticket Averbei

03

Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico
Logistique 2026 prevê cerca de 800 rodadas de negócios e reforça papel de Santa Catarina como hub logístico