5 tecnologias para transformar a estratégia de logística

19/07/2022

Os últimos dois anos trouxeram desafios e oportunidades para o setor logístico e, consequentemente, para a gestão das frotas. As pessoas têm permanecido mais em casa, aumentado os pedidos de entregas e serviços, portanto foi elevada a expectativa do que é uma boa logística e foi reconhecido o seu valor. Como se não fossem mudanças o suficiente, isso tudo aconteceu durante um crescimento exponencial do setor. Segundo levantamento da Neotrust, o e-commerce brasileiro registrou em 2021 um crescimento de 26,9% em relação ao ano anterior e o número de pedidos aumentou 16,9%, chegando a 353 milhões de entregas.

Para executar neste cenário extremamente desafiador, as empresas tiveram que implementar muito rapidamente tecnologias avançadas, além de alterar seus processos e sua cultura. Algumas empresas foram mais bem sucedidas do que outras e é possível tirar grandes aprendizados das ações tomadas. Por isso, Rodrigo Mourad, co-fundador e Presidente da Cobli, FleetTech que descomplica e potencializa a gestão de frotas, compartilha cinco tecnologias que estão sendo adotadas agora e fornecem vantagens de execução para as empresas líderes do setor.

Dashcam

A nova fronteira da telemetria, a abreviação de “dashboard camera”, são câmeras instaladas nos veículos para filmar tanto a cabine quanto seus arredores. O grande diferencial dessa tecnologia está na inteligência artificial embarcada que permite desde reconhecer os motoristas até um possível intruso, além de captar comportamentos de risco, como direção distraída ou com fadiga.

A Cobli já acompanhou mais de 1 bilhão de quilômetros em todos os cantos do Brasil, e nota pelos dados como é difícil melhorar o modo de condução, e vê nesta tecnologia o caminho mais forte já encontrado para uma direção mais focada e cuidadosa. Com reduções de até 50% na frequência de acidentes, a câmera é um aliado importante pelo seu feedback instantâneo e imagens mais explícitas para ajudar em treinamentos comportamentais e no tempo de resposta para evitar problemas mais sérios. A direção com segurança impacta em ruas mais seguras para todos.

Ciência de Dados

A ciência de dados já é discutida e praticada há bastante tempo e seu uso deve ser ampliado. Segundo o Gartner, até 2026, 65% das organizações de vendas B2B farão a transição da tomada de decisão baseada na intuição para uma baseada em dados. Porém, mesmo com o cenário otimista, é perceptível que existem dois tipos de empresas: aquelas que conseguem de fato utilizar essa base de conhecimento para tomar decisões, ter uma operação mais eficiente e robusta, e para automatizar processos; e as organizações que apenas acumulam dados interessantes, mas não extraem análises para transformar a informação em ações de valor para o negócio.

O próximo passo é a implementação em escala dos benefícios da ciência de dados. Para ela ser bem sucedida, as empresas precisam de tecnologias orientadas a percepções, processos e cultura aderente. A Cobli, por exemplo, criou um time de sucesso do consumidor, para ajudar as empresas nessa implementação e garantir que as melhores práticas sejam rapidamente adotadas.

Multimodalidade

A multimodalidade consiste na combinação dos meios de transporte para gerar deslocamentos cada vez mais rápidos e menos custosos. Por exemplo, garantir que uma entrega tenha o trajeto mais eficiente, mesmo que isso seja feito inicialmente por um veículo terrestre, como um carro ou caminhão, e, na última milha, por um drone. Esta estratégia permite otimizar trechos diferentes da logística ao mesmo passo que reduz a necessidade de investimento em veículos maiores e mais custosos do que o necessário.

Para implementar multimodalidade com sucesso, assim como escalar operações com empresas terceirizadas, a palavra chave é integração. É necessário implementar sistemas de visibilidade que garantam que as operações funcionem de maneira integrada, visível para todos os envolvidos e com SLAs claros.

Veículos elétricos

Há muito tempo é evidente um futuro com veículos elétricos, mas a decisão da conversão demora para chegar. Com os valores rampantes nos combustíveis fósseis e os avanços na tecnologia e na infraestrutura para os elétricos, parece que o momento da virada está cada vez mais próximo. Embora os custos iniciais sejam maiores, a mudança para o elétrico é benéfica.

De acordo com o estudo Consumer Reports: Electric Vehicle Ownership Costs (Relatórios do Consumidor: Custos de Posse de Veículos Elétricos, em tradução livre), nos Estados Unidos, proprietários de veículos elétricos gastam, em média, 60% menos em combustível em comparação com aqueles de motor de combustão interna. A economia também inclui os serviços de manutenção. Segundo a We Predict, os veículos leves têm 31% menos custos com esse serviço.

Para as empresas de logística, no entanto, é primordial entender se faz sentido utilizar transporte elétrico na operação. Para isso, é necessário analisar a disponibilidade de infraestrutura, autonomia dos trajetos, payback da implementação e os impactos ambientais. Com os avanços tecnológicos e possivelmente tributários, os próximos passos para a grande virada ficarão cada vez mais evidentes.

Softwares integrados

Uma das grandes dificuldades da logística é a assimetria de informações, inclusive nas tecnologias adotadas. Se cada parte de um todo não se encaixar, o que deveria trazer mais benefícios para o negócio acaba gerando dificuldades. Por isso, os sistemas precisam estar cada vez mais integrados e preparados com uma visão única e completa da operação, para que as transportadoras realizem o gerenciamento de todas as atividades relacionadas a cargas, nas várias fases da cadeia. Os softwares precisam se comunicar de maneira automatizada, evitando possíveis erros e facilitando os processos.

O ecossistema precisa estar repleto de parceiros de soluções complementares que agreguem cada vez mais valor e diferenciais competitivos para o cliente. Mas isso precisa ser uma união sem fricção, portanto daqui para frente, a tendência é de que cada vez mais as empresas invistam em tornar suas tecnologias não só preparadas para receber integrações, mas também estejam abertas para plugar de maneira simples e descomplicada o seu sistema. Parece fácil, mas quem já tentou fazer sabe como é difícil, ou pelo menos, era.

As tecnologias mencionadas já são comprovadas e estão sendo implementadas em escala por todo mundo. Agora é o momento de aproveitar as possibilidades e diferenciais competitivos que cada uma traz para a logística para sair na frente. Não basta apenas falar sobre os temas, as empresas precisam testar e usar essas inovações para gerar resultados de verdade nas operações.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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