Maior investidora individual de infra-estrutura do País, a Vale é o maior exemplo da iniciativa privada que resolveu o próprio quebra-cabeça logístico. Com orçamento de US$ 12 bilhões até 2012, a empresa foca sua atuação nas poucas alternativas do capital privado na área de transporte: concessão ferroviária e terminais portuários próprios.
Segundo dados da própria empresa, a Vale seria responsável por cerca de 65% dos investimentos nesses dois setores nos últimos anos. Sem revelar quanto cada um deles teria recebido de recursos, a companhia informa apenas que, entre 2003 e 2007, desembolsou US$ 13,5 bilhões em logística. Para este ano, outro US$ 1,8 bilhão está previsto.
Para o diretor de Comercialização de Logística da Vale, Marcelo Spinelli, os números de investimentos da empresa mostram o esforço da iniciativa privada para tocar seus negócios. "A preocupação fica maior em um momento como este, em que o Brasil se destaca exportando commodities, como minério de ferro e soja. O País precisa aproveitar este momento", diz ele.
Sem investimentos em terminais próprios, como o terminal de minério de ferro de Itaguaí, pertencente à subsidiária Companhia Portuária da Baía de Sepetiba, a empresa poderia amargar gargalos no escoamento de seus produtos para o exterior. Considerado um dos terminais com maior produtividade do Brasil, Itaguaí abriga um cais que permite carregar embarcações de até 18,1 metros. Em 2007, o terminal carregou 25,2 milhões de toneladas métricas de minério de ferro.
Apesar de manter a política de investimento em terminais, o setor ferroviário terá destaque nos programas da Vale nos próximos anos. A principal aposta está na Ferrovia Norte-Sul. A concessão, retirada da carteira das Parcerias Público-Privada (PPPs), foi licitada em outubro do ano passado e teve a mineradora como única interessada. As obras estão sendo tocadas pelo governo, por intermédio da Valec, com os recursos pagos pela concessão, de R$ 1,4 bilhão. Outros R$ 66 milhões serão desembolsados pela mineradora.
Pela malha arrendada pela Vale por 30 anos, cerca de 720 quilômetros, entre Açailândia (MA) e Palmas (TO), serão transportados, principalmente, grãos e fertilizantes. "O traçado da ferrovia tem conexão com a malha de Carajás, o que vai permite o escoamento dos produtos pelos portos de Itaqui e Ponta da Madeira, no Maranhão. A Norte-Sul transportará apenas carga de terceiros", ressalta Spinelli. A operação está prevista já para 2009.
Na carteira de investimentos da mineradora está também a recuperação e o aumento de capacidade da centenária Ferrovia Centro Atlântica (FCA), entre os municípios de Pirapora e Sete Lagoas, no Noroeste de Minas Gerais. O investimento, de cerca de R$ 300 milhões, será rateado entre a Vale e clientes interessados na revitalização. "Nesse caso, também será transportada a carga de terceiros. Acredito que, em cinco anos, a carga local salte de 300 mil toneladas por ano para 3 milhões de toneladas por ano", calcula o diretor.
Ainda na Região Sudeste, a Vale toca o projeto da Litorânea Sul, que visa a atender à futura siderúrgica que construirá com a chinesa Baosteel.
Fonte: Vale








