A tecnologia evolui constantemente para permitir a recuperação de cargas roubadas e furtadas

19/08/2019

De acordo com dados cruzados pelas polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, a ação de quadrilhas especializadas em roubos de cargas resultou em mais de 22 mil ataques a motoristas em todo o país, em 2018. Já a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC apontou que o prejuízo para o setor produtivo, com essas perdas, chegou a R$ 2 bilhões.

“Os métodos sempre evoluem, em qualquer área. No roubo de cargas, procuramos nos antever sempre por meio de pesados investimentos em tecnologia. Embora os ladrões também usem tecnologia para roubos e furtos, o que preocupa é o fato de pessoas se infiltrarem nas empresas de transportes e embarcadores e, dessa forma, se envolverem nos roubos de cargas. Entretanto, é aí que entra toda a inteligência do trabalho de Gerenciamento de Riscos – GR, que envolve investigações, monitoramento e muito conhecimento sobre essas práticas e desmantelamento de quadrilhas dentro das empresas”, explica Cyro Buonavoglia, presidente do Grupo Buonny, que atua na área de Gerenciamento de Riscos em transporte e logística.

 

Desafios

De fato, embora os números sejam alarmantes, diversas empresas trazem soluções eficientes para reduzir os índices e contribuir com os trabalhos já realizados pelas polícias Civil, Militar e Rodoviária, como a própria Buonny.

E, se antes havia resistência, por parte das transportadoras e dos embarcadores, em adotar as tecnologias preventivas, hoje isto mudou, segundo Buonavoglia. “No passado, as transportadoras viam o GR como um custo adicional para o transporte, porém, nos últimos anos, a cultura de gestão de riscos está muito presente nessas empresas, que percebem os benefícios, o valor agregado e a importância das informações logísticas para suas operações.”

O presidente do Grupo Buonny também enfatiza que, hoje, não existem grandes problemas em implementar a tecnologia em transportadoras e embarcadoras – o serviço é aceito e visto como fundamental por esse mercado.

“Inclusive, atualmente, o próprio cliente colabora para que novas tecnologias sejam implantadas e as operações fiquem cada vez mais seguras, ao mesmo tempo em que eles podem usufruir dos softwares de logística, que estão evoluindo constantemente e contribuindo muito para a segurança e eficiência das operações logísticas.”

 

Tecnologias mais utilizadas

Afinal, quais as tecnologias mais utilizadas na prevenção de roubos de carga, tanto em termos de rastreamento quanto de monitoramento? Qual a função de cada uma?

Buonavoglia responde pelo que é oferecido por sua empresa, ressaltando que, dentro do gerenciamento de riscos, aliam inteligência de equipe e serviços estratégicos, como: monitoramento dedicado, com bases e equipes com profissionais direcionados exclusivamente ao monitoramento das viagens das operações dos clientes; pronta resposta, usada para atendimentos emergenciais, localização, recuperação e preservação da integridade dos motoristas, carga e veículo; acompanhamento logístico, com operadores responsáveis pela gestão das viagens, controle das entregas e tempo de retenção dos veículos. “Inclusive, há à disposição softwares logísticos completos, que permitem ao cliente acompanhar, em tempo real e online, a viagem dos veículos, o controle das entregas e tempo da retenção dos veículos, entre outros pontos”; e gestor de riscos, responsável pela elaboração do plano de gerenciamento de riscos, padronização dos processos e acompanhamento de performance. “Nessa etapa, a tecnologia é fundamental, como o uso de softwares próprios, porém, a inteligência e capacitação do colaborador envolvido também são importantes.”

 

Futuro

Buonavoglia destaca, também, que, hoje, cada vez mais a segurança está evoluindo e a tecnologia anda no mesmo sentido.

Já existem várias ferramentas modernas que tornam o Gerenciamento de Riscos ainda mais eficiente, como o uso do Big Data, que é um banco de dados extremamente potente, que permite mapeamento estratégico de áreas de risco, confecção de rotogramas, normatização das regras de GR, capacitação e gestão de pessoas, entre outros pontos.

O sistema de GR utiliza também, em casos específicos, helicópteros para o acompanhamento da carga. Mas, em pequenos trajetos, os drones estão sendo utilizados, pois são uma forma barata e eficiente para o acompanhamento da carga.

“Recentemente, lançamos a plataforma Web Guardian, criada internamente com o uso de Inteligência Artificial. Essa ferramenta é rápida e focada em toda necessidade de monitoramento dos clientes. Ela identifica e prioriza eventos críticos, o que auxilia o operador na comunicação e acionamento dos órgãos de segurança pública e das equipes de pronta resposta em situações de emergência para o resgate, em caso de acidentes, desvios ou roubos de cargas”, diz o presidente do Grupo Buonny.

A empresa tem, ainda, o aumento do controle da frota e gestão das entregas por meio de app de Monitoramento de carga via mobile, para veículos que não possuem equipamento de rastreamento instalado. Isso já vem acontecendo e se tornará ainda mais usual futuramente.

Por outro lado, Buonavoglia destaca que, embora a tecnologia seja primordial, em alguns casos, a escolta é necessária. Depende muito da região, do tipo de carga, facilidade com que ela pode ser comercializada, entre outras variáveis. “Cada caso requer um formato de trabalho dentro do plano de GR.”

O presidente da Buonny conclui destacando que estão sempre à frente na recuperação de cargas roubadas, porém, precisam estar em constante evolução para conseguirem altos índices positivos. “A tecnologia sozinha não mudará o cenário. É fundamental endurecer a legislação penal relativa ao roubo e receptação de cargas com a finalidade de retirar de cena as quadrilhas especializadas no roubo e, principalmente, os receptadores. Estes representam o importante elo nesta cadeia criminosa.”

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Scania amplia centro de distribuição e capacidade de logística de peças na América Latina
Scania amplia centro de distribuição e capacidade de logística de peças na América Latina
Promovido pela Logcomex, Comex Tech Forum 2026 reúne lideranças para debater IA no comércio exterior
Comex Tech Forum 2026, promovido pela Logcomex, reunirá lideranças para debater avanço da IA no comércio exterior
Pedágios free flow: CNH do Brasil passa a avisar motoristas sobre cobranças
Pedágios free flow: CNH do Brasil passa a avisar motoristas sobre cobranças
ABOL lança guia inédito para orientar atuação dos Operadores Logísticos na indústria farmacêutica
ABOL lança guia inédito para orientar atuação dos Operadores Logísticos na indústria farmacêutica
Caminhão movido a biodiesel B100 atinge 500 mil km sem adaptações em operação da JBS
Caminhão movido a biodiesel B100 atinge 500 mil km sem adaptações em operação da JBS
Moss do Brasil lança parceria com Consórcio Magalu para o mercado de veículos pesados
Moss do Brasil lança parceria com Consórcio Magalu para o mercado de veículos pesados

As mais lidas

01

Insights Logweb - O movimento da semana de 17 a 21 de agosto
Insights Logweb – O movimento da semana de 17 a 21 de agosto

02

DHL Supply Chain inova com embalagens térmicas retornáveis no transporte de saúde
DHL Supply Chain inova com embalagens térmicas retornáveis no transporte de saúde

03

Pedágios free flow: CNH do Brasil passa a avisar motoristas sobre cobranças
Pedágios free flow: CNH do Brasil passa a avisar motoristas sobre cobranças