O avanço do e-commerce no Brasil tem impulsionado a expansão de centros logísticos e aumentado a demanda por soluções de segurança logística, especialmente em estruturas destinadas ao armazenamento e à movimentação de produtos vendidos pela internet. A avaliação é de Marco Barbosa, diretor da unidade brasileira da Came, empresa de origem italiana que atua no desenvolvimento de equipamentos para controle de acesso, automação e sistemas de segurança.
Segundo projeções citadas pela empresa, o comércio eletrônico deve encerrar 2026 com faturamento próximo de R$ 260 bilhões. O segmento registrou receita de R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM).

Além do crescimento das vendas digitais, o cenário tem refletido na ocupação de áreas destinadas a operações logísticas. Levantamento da Newmark Brasil, consultoria imobiliária especializada no segmento comercial, aponta que o mercado brasileiro de condomínios de galpões industriais e logísticos alcançou 2,054 milhões de metros quadrados em absorção bruta no primeiro semestre de 2026, impulsionado pela expansão do comércio eletrônico, incluindo operações de empresas como Mercado Livre e Amazon.
Para Barbosa, apesar das incertezas relacionadas ao ambiente econômico, a necessidade de proteção de grandes instalações logísticas tende a manter a demanda por equipamentos de alta segurança.
“No subsegmento de alta segurança, creio que o impacto será praticamente nulo ou nenhum para nós, pois a Came continua sendo impulsionada pelo e-commerce, que tem aumentado bastante no Brasil e provocado a abertura de novos centros de distribuição. Com isso, a empresa vem ampliando os seus negócios com clientes do ramo logístico, que precisam resguardar os seus galpões e adquirem produtos como cancelas de alta segurança, capazes de absorver o impacto de até 70 toneladas de um veículo; dilaceradores de pneus fixados no solo; bollards (barreiras retráteis de elevada resistência) e detectores de metais”, enfatiza Barbosa, que também é especialista em segurança.
Ainda segundo Barbosa, o segundo semestre apresenta fatores que podem influenciar as decisões de investimento das empresas.
“Normalmente, a expectativa sempre é a de que o segundo semestre seja mais forte do que o primeiro em nossos negócios. Porém, neste ano, tivemos neste período a Copa do Mundo, as férias escolares de julho, a retomada da guerra entre Estados Unidos e Irã e agora começamos a sofrer com a aplicação das tarifas do governo norte-americano aos produtos do Brasil. Esses últimos fatos tornaram o cenário mais imprevisível, sendo que, em outubro, ainda teremos as eleições. Isso tudo impacta as tomadas de decisão para investimentos”, analisa.
A Came mantém a previsão de crescimento de 15% no Brasil em 2026 em comparação ao volume de negócios registrado no ciclo anterior de 12 meses. A empresa informa que dobrou de tamanho no país nos últimos quatro anos e passou a operar em uma nova sede, em Indaiatuba (SP), no segundo semestre de 2025.









