Os varejistas e fornecedores brasileiros já podem avaliar o quanto perdem com a falta da marca de preferência do consumidor no momento da compra e suas causas, problema conhecido no setor como “ruptura”.
O 1º Índice Nacional de Rupturas, levantamento independente pioneiro no País realizado pela Associação ECR Brasil, em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a empresa de pesquisas ACNielsen, revela que, do total de 528 itens pesquisados, todos de marcas líderes de vendas, em 188 lojas de auto-serviço da Grande São Paulo e Grande Rio de Janeiro, 8% não foram encontrados no momento da compra.
As principais causas da falta dos produtos apontadas pelos responsáveis pelas lojas foram atraso da entrega do centro de distribuição do varejo para a loja (27,5%), gôndola não reabastecida pelo promotor (14,1%) e a central de compras está negociando com o fabricante (8,2%), entre outras.
O 1º Índice Nacional de Rupturas mostra, também, que a reação do consumidor em relação à falta da marca de sua preferência no momento da compra muda de acordo com a categoria do produto, mas 53% dos consumidores, em média, compram outra marca e 37% procuram a marca de sua preferência em outra loja. Os extremos do comportamento do consumidor referem-se aos itens óleo de cozinha (69% dos consumidores disseram que compram outra marca) e produtos de higiene pessoal – 51% procuram a marca de sua preferência em outro lugar. (Veja, abaixo, os principais resultados do 1º Índice Nacional de Rupturas).
Para desenvolver o 1º Índice Nacional de Rupturas, o Comitê Cadeia de Abastecimento da Associação ECR Brasil definiu uma cesta de 528 itens, entre as marcas líderes de vendas, de acordo com estudo da Abras, para a realização da pesquisa. O trabalho de campo foi realizado entre 20 e 30 de julho de 2004, em 188 lojas de auto-serviço da Grande São Paulo e Grande Rio de Janeiro, das quais 92 possuem 5 a 19 check-outs e 96, 20 ou mais check-outs.
Antes da visita do pesquisador a cada uma das lojas, verificou-se quais dos 528 itens da cesta eram regularmente comercializados no estabelecimento. Em seguida, eles estiveram em cada uma delas, em um dia da semana, verificando quais itens da cesta estavam ausentes na área de vendas (gôndola, ponta de gôndola, display, ilha, check-outs ou armários com porta de vidro). O cálculo da ruptura foi efetuado considerando-se a falta da marca de preferência do consumidor em relação ao número total de presenças possíveis (lojas que comercializam a marca). Para cada item ausente na área de vendas, foi pesquisada a causa do problema e onde ele se encontrava ao longo da cadeia de abastecimento.
Segundo Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil, os empresários e gestores podem usar o índice como uma referência para comparar os pontos de ruptura nas categorias de maior representatividade das suas lojas com a média do mercado, corrigir as falhas que provocam o problema e aumentar a eficiência dos processos.
Principais números do 1º Índice Nacional
de Rupturas
– 528 itens foram pesquisados e representam 23,7% das vendas das
categorias analisadas
– 8% é a ruptura média dos itens líderes
– 8,6% é a maior taxa média de ruptura, em lojas de
5 a 19 check-outs
– 8,6% foi a maior taxa de ruptura em um único dia da semana,
na terça-feira
– 9% foi a maior taxa média de ruptura em um setor específico,
o Bazar
– 11,6% foi a maior taxa média de ruptura, da categoria Pães
– 6,8% foi a menor taxa, das categorias Leite e Aperitivo salgado
sólido e batatas
Os esforços para solucionar os problemas de ruptura devem
ser concentrados prioritariamente nas seguintes áreas:
– 27,5% das oportunidades de melhoria estão entre o CD do
varejo e a gôndola
– 14,1% têm como causa problemas no reabastecimento por repositores
– 8,2% estão relacionados a problemas na central de compras
– 7,3% são causados por erros nos parâmetros do sistema
de reposição
– 7,1% das rupturas são causadas por divergências entre
o estoque físico e o contábil
A atitude do consumidor diante da falta da marca de sua preferência
na prateleira varia de categoria para categoria. Enquanto 69% dos
consumidores disseram que compram outra marca de óleo de
cozinha quando não encontram a que desejam no momento da
compra, apenas 41% têm essa atitude quando compram produtos
de higiene pessoal.
Fonte: Associação ECR Brasil, Abras e ACNielsen





