Papel e celulose: operações exigem cuidados, além de equipamentos especiais para a movimentação

11/11/2012

Wanderley Gonelli Gonçalves

 

Neste segmento há um volume expressivo de movimentação, caracterizado por produtos em bobinas e skids, e, também, algumas necessidades de fardos de celulose. Portanto, a movimentação deve ser precisa e cuidadosa. Outra característica da logística neste setor é a necessidade de equipamentos especiais (Clamps).

 

Por se tratarem de commodities de baixo valor agregado, grande quantidade de volumes movimentados e altos riscos de avarias, as operações logísticas no segmento de papel e celulose demandam uma especialização do Operador Logístico e de sua equipe operacional, que deve ser constantemente treinada e reciclada com foco em produtividade e efetividade.

A esta observação de Maria Regina Yazbek, superintendente da Célere Intralogística (Fone: 11 5670.5670), sobre as características da logística no segmento de papel e celulose se junta a de Rogerio Rossol, gerente da Apoio Logística e Serviços (Fone: 11 3382.2201), para quem, por se tratar de uma atividade com volume expressivo de movimentação, caracterizada por produtos em bobinas e skids (fardos de papel em formato retangular) e, também, algumas necessidades de fardos de celulose, a movimentação deve ser muito precisa e cuidadosa, em função do alto grau de avarias que podem ocorrer e que, em muitos casos, podem provocar a perda total nos produtos.

Ainda segundo Rossol, outra característica da logística no setor de papel e celulose é a necessidade de equipamentos especiais adaptados às empilhadeiras (clamps), considerando que as bobinas variam o peso e de dimensões – sendo assim, é necessário que a empresa possua a estrutura adequada.

Outro destaque apontado pelo gerente da Apoio Logística é que as empresas prestadoras de serviços – Operadores Logísticos e transportadoras – têm de estar preparadas para atender às necessidades de capacidade de grandes movimentações diárias e programações de entregas precisas nos clientes, em função de se tratarem de produtos utilizados 24 horas/dia 30 dias por mês.

“De fato, as operações no segmento de papel e celulose são intensas e diferentes das demais. Trabalhamos com uma matéria-prima vinda de uma fonte renovável, com veículos específicos e estrutura adequada. É uma operação que requer uma gestão diferenciada, com mais pessoas e equipamentos peculiares. É um trabalho que exige maior segurança, certificações, treinamentos constantes de motoristas e colaboradores e atenção nas 24 horas do dia, nos sete dias da semana”, complementam Samir Bou Fares, gerente regional, e Osni Roman, diretor-presidente, ambos da Coopercarga Logística (Fone: 49 3301.7000). Por sua vez, eles são complementados por Miriam Silvia Ferreira de Carvalho, diretora comercial da Carvalhão – Transportes Carvalho (Fone: 21 2775.1712), para quem o segmento é marcado por operações complexas e em condições severas, além de se enfrentar a dualidade operações planejadas x emergenciais.

“O segmento é marcado por grande número de itens (diferentes códigos), entregas urgentes não programadas, valor agregado baixo e alto controle de dedetização”, acrescenta Bruno Meyer Sá, superintendente da Grumey Armazéns (Fone: 21 2589.0355).

TENDÊNCIAS
Já se referindo às tendências na logística deste segmento, Rossol, da Apoio Logística, aponta volumes expressivos de movimentações, armazenagem altamente qualificada e pedidos cada vez mais fracionados. “Deverá haver expansão em curto prazo para atendimento às novas demandas econômicas nacionais”, completa Miriam, da Carvalhão.

Por este mesmo raciocínio segue Maria Regina, da Célere Intralogística. De acordo com ela, vários são os investimentos em novas plantas industriais, principalmente no segmento de celulose. Indústrias tradicionais e novos players estão construindo fábricas modernas e têm buscado tecnologias alternativas, não só para o processo produtivo, mas, também, para uma maior efetividade na movimentação das cargas. Segundo a superintendente da Célere Intralogística, o objetivo é aumentar a unitização da carga, de modo a ser movimentada por meio de pontes rolantes e outros dispositivos que permitam o movimento de carga e descarga de até 48 toneladas de uma só vez.

Já Fares e Roman, da Coopercarga, consideram que as exportações brasileiras de celulose e papel devem encerrar o ano de 2012 em queda, devido aos efeitos da crise internacional, que provocou o desaquecimento do mercado. Mesmo assim, de acordo com eles, o crescimento do segmento no Brasil é promissor, principalmente a médio e longo prazo, já que há previsão de investimentos para expansão da capacidade produtiva, tanto para ampliar o fornecimento da celulose, como para diversificar o uso da madeira.

Finalizando este tópico, Sá, da Grumey Armazéns, aponta, entre as tendências, terceirização, entrega expressa (agilidade), cliente final cada vez com menos estoque e parcerias em armazenagem para redução de custo.

PAPEL DOS OL’S E TRANSPORTADORAS
Diante de tantas peculiaridades, qual seria o papel dos Operadores Logísticos e das transportadoras no dia a dia das empresas que atuam no setor de papel e celulose?

“Os prestadores de serviço têm uma função primordial nas movimentações e operações de clientes desse segmento, pois, além da estrutura necessária para a prestação do serviço, a qualidade nas atividades e o compromisso, em função do volume e das características típicas dos itens, os Operadores tornam-se extensão da atividade do cliente, garantindo eficácia na movimentação e velocidade nos recebimentos, controles e liberação, considerando que o modelo está migrando para pedidos cada vez mais fracionados.”

Ainda segundo Rossol, da Apoio Logística, o transporte tem um importante papel no atendimento e escoamento da demanda, uma vez que o deslocamento destas mercadorias, de um ponto para o outro, ocorre, na sua maioria, através de veículos dedicados. Esta atuação vai desde o fornecimento destes veículos, a infraestrutura, onde está incluída a rede de transporte rodoviário para a movimentação dos volumes, tecnologia de ponta para o rastreamento das cargas e veículos, até as operações e negociações comerciais.

Miriam, da Carvalhão, por sua vez, aponta para o trabalho contínuo de localizar e minimizar gargalos operacionais, integridade, estender um bom relacionamento com seus clientes e fornecedores e trabalho em grupo, com o objetivo de uma boa finalização do serviço a ser executado.

“O Operador Logístico responsável pelas operações de movimentação interna têm um papel crucial, uma vez que atua muito próximo do processo produtivo. Qualquer falha na operação reflete diretamente em toda cadeia de escoamento do produto acabado, lembrando que este segmento é predominantemente exportador – logo, estamos falando em altos custos de demurrage de contêineres e navios. O segmento de celulose está bem avançado na utilização de modais alternativos ao rodoviário, como as ferrovias e hidrovias. Isto exige um sincronismo muito grande em toda a cadeia logística, que se inicia na saída da celulose no final da linha de produção e vai até o carregamento do navio no terminal portuário de exportação”, expõe, por sua vez, Maria Regina, da Célere Intralogística.

Realmente, Fares e Roman, da Coopercarga, destacam que o Operador Logístico tem um papel fundamental neste setor, pois todo o processo produtivo está incluso em uma cadeia logística que vai desde o cultivo da fonte renovável até a expedição do produto acabado, a celulose ou o papel. “Também estão inclusas em nossas obrigações, o cumprimento de normas e procedimentos que garantam a manutenção do meio ambiente”, detalham os representantes da Coopecarga, complementados por Patrícia Câmara, administradora, e Sônia Herrera, do departamento comercial, ambas da Embrascar – Empresa Brasileira de Cargas (Fone: 11 2408.7412): “contribuímos para o ciclo rentável e necessário ao equilíbrio ambiental, pois nossos clientes atuantes neste setor são empresas recicladoras”.

Sá, da Grumey Armazéns, finaliza, destacando, como papel dos Operadores Logísticos/transportadoras no dia a dia das empresas que atuam no setor: alto nível de controle sobre a armazenagem, entregas urgentes, dinamismo e bom relacionamento.

ESCOLHA
Concluindo, solicitamos aos entrevistados que apontassem o que as empresas do setor de papel e celulose consideram, ou deveriam considerar, no momento de escolher o Operador Logístico e/ou a transportadora.

Rossol, da Apoio Logística, destaca qualidade no serviço e estrutura para atendimento da operação, considerando, aí, equipamentos adequados, área de armazenagem para garantir as variações de estoque em função da demanda, veículos adequados ao perfil e à flutuação do volume de carga, além de um sistema WMS e TMS que propicie o gerenciamento das operações.

E Miriam, da Carvalhão, aponta para a busca de parceiros confiáveis e estruturados. “Sem dúvida, a experiência do Operador ainda é o fator primordial neste segmento, dada as especificidades já citadas, principalmente quanto à agressividade da operação e à sensibilidade do produto. Além da experiência, o Operador tem de ter um grande foco e esforço em agregar valor às atividades de seu cliente, através da aplicação de novas tecnologias e equipamentos e da busca incansável de melhorias nos processos. A disponibilidade de pessoas e equipamentos é fundamental neste segmento, logo a Gestão do Operador sobre seus ativos e pessoas é fundamental para o sucesso da operação”, explica Maria Regina, da Célere Intralogística.

Já os representantes da Coopercarga destacam que o segmento de papel e celulose é altamente competitivo. Assim, segundo eles, cada vez mais os Operadores precisam ter um nível de competência maior, aliando diferenciais na forma de gerir o negócio, mantendo a competitividade no preço, que ainda é o fator de maior influência na hora de escolher um Operador Logístico.

“São vários os fatores a serem considerados no momento de escolher o Operador Logístico e/ou a transportadora: localização (local central de fácil escoamento); custo de armazenagem; flexibilidade na operação; qualidade e organização na armazenagem; e infraestrutura/galpões estruturados para a operação de papel”, finaliza o superintendente da Grumey Armazéns.  

Tabela

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