Oportunidade para varejistas reduzirem custos de transporte

22/06/2023

Os altos custos logísticos crescem a cada ano no país e impactam fortemente o faturamento das empresas. No entanto, o setor de varejo parece contar com uma boa notícia agora. As recentes quedas no preço do diesel nos últimos meses, somada à decisão do governo de manter a desoneração do combustível, representam uma grande oportunidade aos varejistas. Como boa parte dos produtos são transportados no modal rodoviário e segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística), o diesel corresponde de 30% a 35% dos custos de transporte rodoviário de cargas no país, a possibilidade de renegociação do valor do transporte pode beneficiar não só os empresários, mas também refletir no preço final do produto.

Porém, os benefícios da redução de custos não são automáticos. Os preços dos transportes que foram definidos em contratos anteriores a 12 meses refletiam um diesel mais caro, mas, em geral, não há cláusulas de ajustes nos valores conforme a oscilação do combustível. Para Camila Affonso, sócia da Massimo Consulting, especializada no setor de Bens de Consumo, este é o momento ideal para as empresas revisarem negociações e realizarem concorrências abertas para a contratação de transportadoras.

“Renegociar com os atuais fornecedores tem a vantagem de manter uma equipe experiente naquela operação, mas a desvantagem de quedas menos expressivas nos preços. Por outro lado, ao realizar um bid e atrair diversas empresas interessadas no contrato, o varejista pode conseguir custos mais competitivos. Neste caso, precisará implementar a mudança de fornecedor, estabilizar a operação e desenvolvê-la até alcançar o ponto ideal”, explica Camila Affonso.

De acordo com a especialista, para elaborar um bid eficiente, é preciso observar as necessidades de cada tipo de varejista. “Não basta olhar para preço: dependendo do produto a ser transportado, é preciso atender a alguns requisitos de segurança ou ainda ter licenças específicas, como cargas refrigeradas ou produtos químicos. Além disso, marcas de alto valor agregado devem investir em uma logística que garanta o nível de serviço demandado. Por isso, o primeiro passo é mapear quais são os fornecedores de transporte que têm capacidade de atender aos requisitos da empresa”, detalha Camila Affonso.

Em relação ao processo de bidding em si, a Massimo Consulting conta com uma metodologia própria para torná-lo mais eficiente. Ao reunir as transportadoras capacitadas, são aplicados questionários assertivos para se avaliar diversos itens que pontuarão para qualificar e ranquear os fornecedores participantes. O estudo avalia não apenas os custos e serviços incluídos, mas também a localização de armazéns, o que pode impactar diretamente no planejamento tributário, entre outros.

A atuação da Massimo abrange ainda a negociação (fase em que é fundamental o domínio da estrutura de custos logísticos), a elaboração de contratos e a implementação do novo fornecedor, da estabilização até o ramp up da operação. Além do transporte, a metodologia é válida também para BIDs de operador logístico e armazenagem, áreas em que a Massimo tem larga experiência no Brasil e na América Latina, com indicadores apropriados para cada região e melhores práticas de mercado.

“A isenção e o profundo conhecimento da operação, aliados ao entendimento de como esta se encaixa na estratégia de posicionamento do cliente, são os principais diferenciais da Massimo, cujo foco é oferecer a agilidade e a tranquilidade necessárias para este tipo de transição”, comenta Camila Affonso.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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