O volume de ofertas no varejo brasileiro cresceu 72% em relação a 2019 e atingiu um novo recorde em 2025, segundo levantamento divulgado pela Shopping Brasil – empresa referência em ofertas no país, que monitora diariamente os principais varejistas nacionais e regionais a partir de anúncios veiculados em mídias sociais, campanhas em TV e encartes físicos e digitais. O estudo, considerado o mais amplo já realizado no país sobre o tema, analisou cerca de 90 milhões de ofertas monitoradas em todo o território nacional.
De acordo com os dados, o ano de 2025 marca uma virada estrutural no varejo brasileiro. A promoção deixou de ser uma ação pontual e passou a atuar como uma infraestrutura permanente de vendas, influenciando diretamente a gestão de estoque, o fluxo de clientes, a formação de margens e o tráfego nas lojas.

Segundo Renata Gonzalez, diretora Comercial da Shopping Brasil, o crescimento expressivo no volume de ofertas reflete uma mudança profunda na lógica operacional do setor. “Não estamos falando apenas de mais promoções, mas de uma nova lógica operacional. A oferta se tornou instrumento estratégico de gestão de fluxo, estoque, margem e tráfego”, afirma.
O levantamento também aponta a quebra da linearidade mensal das promoções. Em vez de concentrarem esforços apenas em datas tradicionais do calendário comercial, os varejistas passaram a operar com picos e vales distribuídos ao longo do ano, ajustando ofertas de forma quase contínua, em resposta direta à demanda do consumidor.
Atualmente, entre 35% e 70% das vendas do varejo alimentar já são originadas de itens em promoção. Nesse contexto, o Ads Share – indicador que mede a participação de uma marca, rede ou canal no total de ofertas e anúncios promocionais veiculados no varejo em determinado período – deixou de ser apenas uma métrica de visibilidade e passou a funcionar como uma alavanca direta de vendas e até mesmo como um indicador precursor de market share. Marcas e redes com presença irregular em ofertas tendem a perder tráfego, recorrência e relevância de preço na percepção do consumidor, destaca Renata.
Atacarejo amplia participação no Ads Share
Esse novo cenário ajuda a explicar a expansão acelerada do atacarejo no Brasil, o crescimento dos supermercados e, em contrapartida, a perda de espaço dos hipermercados. Entre 2021 e 2025, o Ads Share por canal passou por mudanças significativas: o atacarejo avançou de 14% para 33%, os supermercados cresceram de 46% para 51%, enquanto os hipermercados recuaram de 40% para 16%.
Mais do que uma retração do formato hiper, o estudo aponta uma transformação física do parque de lojas. Em diversos casos, grandes unidades estão sendo convertidas em dois pontos de atacarejo no mesmo espaço, estratégia que amplia a capilaridade regional, reduz custos fixos e acelera o giro de mercadorias. As ofertas acompanharam esse novo modelo operacional.
Outro fator decisivo foi a digitalização das promoções. A participação das ofertas veiculadas em redes sociais saltou de 6% em 2019 para 57% em 2025, tornando a comunicação promocional mais imediata, geolocalizada e com menor custo de distribuição.
Apesar disso, o estudo indica que a conversão de vendas de alimentos e bebidas ainda ocorre majoritariamente no ponto de venda físico. As redes sociais funcionam como gatilho de decisão, enquanto a loja segue como o local de fechamento da compra. “A integração entre os dois ambientes tornou-se fator crítico de eficiência”, destaca Renata.
O levantamento também identificou mudanças relevantes no sortimento promocional. Os perecíveis atingiram pico em 2024, com 35%, e ajustaram para 34% em 2025, mantendo-se como categoria-chave para frequência e recorrência. A mercearia, incluindo bebidas, cresceu de 35% para 38%, consolidando-se como principal motor de volume. Já os duráveis recuaram de 8% para 5%, reflexo direto da retração do hipermercado. As categorias de higiene, limpeza e beleza permaneceram estáveis em 15%, enquanto o bazar voltou a ganhar espaço, avançando de 6% para 8%.
Para a Shopping Brasil, o ano de 2025 consolida a oferta como o principal sistema de competição do varejo brasileiro. O jogo promocional deixou de girar em torno do calendário e passou a acontecer de forma semanal, migrando do tabloide impresso para o celular, e do hipermercado para o atacarejo. “Promoção não é mais um evento. É estratégia contínua. Quem domina Ads Share domina tráfego, recorrência e conversão”, conclui a diretora Comercial da Shopping Brasil.









