A moderna logística empresarial não só engloba, mas fundamentalmente integra atividades importantes, como o transporte, a armazenagem e o manuseio. Com o foco nessa premissa, e por questões de concorrência e de sobrevivência, a ordem é reduzir ou eliminar custos em toda a cadeia logística, desde que, por regra de mercado, seja inserida em um panorama de qualidade no atendimento ao cliente.
As empresas têm obtido, ao longo dos últimos anos, sucessos relevantes na redução de custo através de novos processos de trabalho e armazenagens eficientes com volumes mínimos de estoques estratégicos. Portanto, restou ao setor de transporte a sua importante contribuição nesse cenário de desafios.
O Brasil faz parte da globalização, e a logística de transporte e distribuição torna-se vital e estratégica para uma política de economia sustentada. Basicamente, somos um país que depende do comércio exterior e, por isso, precisamos encontrar maneiras de melhorar o fluxo de mercadorias que entram e saem. Os primeiros resultados já estão sendo vivenciados, embora reste muito ainda por fazer. A regra básica é a integração dos modais e a viabilização, na pratica, da regulamentação do operador de transporte multimodal (OTM), reconhecido pelo decreto 3411/2000.
Um grande exemplo de redução de custos é a exportação de soja, que antes era realizada, basicamente, por rodovia, percorrendo distâncias superiores a 1000 km até o porto e, hoje, é feita pela integração rodovia/hidrovia/ferrovia/marítimo. Os custos de transporte diminuíram até 30 %, tendo, como conseqüência, uma redução final de custo no produto de até 8%.
Isso foi possível graças à privatização e aos investimentos setoriais. Nossas ferrovias estão progredindo, ainda que timidamente, e desempenham o papel que se espera delas: o transporte maciço de mercadorias de baixo e médio valor agregado para longas distâncias, substituindo outros modais menos econômicos. Ressuscitou nossa indústria ferroviária, que recentemente foi obrigada a se modernizar. Trens expressos, com GPS e velocidades médias de operação semelhantes às do caminhão, estão ligando portos a pólos importantes (Santos – Campinas e Vitoria – Belo Horizonte ).algumas concessionárias de ferrovia são multimodais, oferecendo e responsabilizando-se pelas mercadorias porta a porta.
Os investimentos em hidrovias são outro trunfo que dispomos para a redução de custos, à medida que são capazes de oferecer interfaces com as rodovias, substituindo-as para mercadorias de baixo valor agregado ou complementando-as.
Nossos portos, após privatizações, receberam investimentos, permitindo uma redução de custos para patamares não muito distantes da média internacional. É importante que tenhamos uma maior e melhor marinha mercante, tanto de cabotagem como oceânica, sob o ponto de vista estratégico e econômico. O Brasil já possuiu uma das maiores indústrias navais do mundo e, atualmente, tenta reerguer-se através de alguns incentivos tímidos governamentais, mas a situação ainda é preocupante. O Custo Brasil está inserido quando fazemos transporte, por exemplo, entre São Paulo e Recife por caminhão, quando poderia ser perfeitamente realizado por via marítima. A cultura enraizada pela rodovia, a falta de confiança em outros modais e o desconhecimento sobre o assunto geram custos para toda a sociedade, que paga por esse adicional ou, pior, pela falta de um desenvolvimento maior através da inviabilidade de negócio.
Embora tenhamos rodovias de primeiro mundo, urge investimentos maciços no setor. É importante que o caminhão seja, na medida do possível, um segmento de alimentação para outros modais e, quando não viável ou não conveniente, que seja o custo de transporte o mais econômico possível, através de veículos com maior capacidade de carga e tecnologia moderna (renovação de frota).
O setor aéreo, embora no contexto geral seja economicamente de pequena monta, é um importante modal para produtos de alto valor agregado, que necessitam de uma velocidade boa em seu fluxo. A Infraero, em conjunto com a Receita Federal e através de clientes cadastrados previamente, possibilita a liberação de mercadorias rapidamente e que são remetidas para um destino certo, através de veículos com carrocerias lacradas, para posterior conferência. Enfim, fica claro o grande peso que os transportes têm em nossa economia, e é importante que todos, empresas privadas e governo, trabalhem em prol de um melhor caminho para o pais. A globalização e a competitividade exigem isso !!!








