O papel da IA na Logística e no Transporte

27/02/2020

A Inteligência Artificial está revolucionando o setor de logística e transporte de uma forma nunca vista. O setor, em mundo globalizado e em países com dimensões continentais como o Brasil, possui uma complexidade ímpar.
Para otimizar as operações da cadeia de suprimento, como, por exemplo, o planejamento de entregas, é necessário considerar uma enorme quantidade de variáveis que podem mudar rapidamente e que mudam todas as condições de cumprir com o SLA planejado com os clientes. Modelos avançados de Inteligência Artificial conseguem prever o comportamento dessas variáveis e ajudar as empresas a reagir a tempo ou tomar ações que minimizam o impacto destas mudanças. O replanejamento no setor de logística é a causa de uma grande parcela das perdas na eficiência do setor.
A inteligência Artificial pode correlacionar onde estão os caminhões através dos sistemas de monitoramento georreferenciados, prever um possível atraso e automaticamente otimizar a roteirização das entregas.
Essa capacidade de predição tem impactando a cadeia logística das indústrias de forma diferente.
No agronegócio, por exemplo, a chuva é um gatilho importante para várias operações. A época de chuva coincide com o aumento do transporte de mudas/sementes para o plantio. Todos sabem que as chuvas dificultam o escoamento das cargas e que é preciso buscar novas saídas. Contudo, se considerarmos transporte fluvial, uma chuva forte também inviabiliza o transporte por esse modal. Com Inteligência Artificial podemos criar modelos prescritivos (recomendação) que indicam riscos correlacionando às demandas sazonais, com informações de geolocalização dos veículos e a previsão do tempo, e que sugerem um replanejamento da operação.
Já no setor de varejo, temos visto muitas inovações totalmente baseadas em Inteligência Artificial. Gigantes do setor chegam a mudar o paradigma de sell-to-ship para o ship-to-sell. No paradigma ship-to-sell, o varejista não espera que o cliente compre a mercadoria para shipar. O algoritmo de Inteligência Artificial já analisou milhões de transações de compras que foram feitas no passado para ter um nível de certeza tão alto, mas tão alto, que o varejista pode enviar o produto que o cliente vai comprar quando chegar em sua casa.
Mas o maior impacto na logística e no transporte é o advento dos veículos autônomos. O que parecia ser um cenário futurístico é realidade. Os veículos autônomos já circulam em várias cidades do mundo fazendo entregas, hoje ainda na chamada última milha, percorrendo pequenas distâncias. A rede de entregas iFood, por exemplo, recentemente anunciou teste com veículos autônomos entregando pedidos dentro de alguns shoppings centers.
Os veículos autônomos existem devido a vários componentes de AI, como modelo de predição, aprendizado de máquina para diminuir risco de acidentes, visão computacional, entre outros. O NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration) definiu cinco níveis de autonomia para veículos, onde o Nível 4 significa que o veículo tem direção autônoma completa, limitado em algumas condições, por exemplo, estrada com neve toda branca (climáticas). Uma vez alcançados os níveis máximos de autonomia e entendidos todos os aspectos regulatórios e legais, a revolução será completa: as frotas autônomas inteiras percorrerão todas os modais 24 horas por dia, com altíssima eficiência de energética, com baixos níveis de acidentes e com uma previsão absoluta das entregas programadas.
Obviamente, toda revolução causa mudanças importantes no ambiente onde ocorrem.
No mundo corporativo isso significa a necessidade de uma gestão de mudança importante para avaliar e remediar os impactos nas organizações. Grandes programas de automação baseados em Inteligência Artificial devem ser acompanhados por programas de re-skilling dos colaboradores, que serão movidos das funções automatizadas e, assim, as empresas poderão aproveitar o conhecimento do negócio deles em outros projetos.
É a Inteligência Artificial trabalhando em nome do desenvolvimento, da assertividade e agilidade na logística, cuidando do ativo mais valioso que as empresas podem ter na era do conhecimento: os seus colaboradores.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
Atualização da NR-1 amplia responsabilidade das transportadoras sobre saúde mental a partir de maio de 2026, aponta SETCESP
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
BNDES já aprovou R$ 3,7 bilhões para renovação de frota de caminhões em 1.028 municípios
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Santos Brasil inicia serviço Ásia-América do Sul no Tecon Santos com operação da HMM e ONE
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Acidentes com caminhões geram R$ 16 bilhões em custos e expõem falhas na gestão de frotas, aponta TruckPag
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras
Manutenção preventiva em armazéns ganha espaço como vantagem competitiva, aponta Tria Empilhadeiras

As mais lidas

01

Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado
Executivos alertam para riscos do “Herói da Logística” no transporte terceirizado

02

Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil, segundo a ABOL
Operadores logísticos de até 50 funcionários ampliam participação e chegam a 38% do setor no Brasil

03

Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país
Vagas no setor logístico e industrial ganham força em diferentes regiões do país