
A nstech lançou uma Torre de Controle Agêntica voltada à gestão de operações logísticas. Integrada à plataforma TNS (Transportation Network System), a solução utiliza inteligência artificial (IA) para monitorar atividades, identificar riscos, recomendar decisões e executar ações operacionais, conforme o nível de autonomia configurado para cada agente.
A proposta é ampliar a capacidade de acompanhamento das operações e permitir que as empresas identifiquem desvios antes que eles resultem em atrasos ou custos adicionais. Segundo a nstech, a tecnologia pode elevar de 30 para até 500 o número de ativos monitorados por cadeira operacional.
A ferramenta foi desenvolvida para atuar em diferentes etapas da cadeia de suprimentos, incluindo gestão de insumos, armazenagem, processamento de pedidos, agendamentos, gerenciamento de riscos, oferta de cargas, auditoria de fretes, transporte e logística reversa.
Como funciona a torre de controle com IA agêntica
Diferentemente de sistemas tradicionais de monitoramento, que geralmente dependem da intervenção dos profissionais para analisar ocorrências e definir providências, a Torre de Controle Agêntica foi projetada para atuar em um ciclo contínuo de cinco etapas: monitoramento, análise, decisão, execução e aprendizado.
De acordo com a empresa, os agentes de inteligência artificial operam em quatro níveis de autonomia. Eles podem apenas observar as operações, recomendar ações, executar medidas após aprovação humana ou atuar autonomamente em determinadas tarefas rotineiras.
A autonomia varia conforme a atividade e as regras estabelecidas para a operação. Dessa forma, decisões que exigem avaliação estratégica ou autorização podem continuar sob responsabilidade dos profissionais, enquanto tarefas repetitivas podem ser automatizadas.
A solução busca reduzir o intervalo entre a identificação de um problema e a adoção de uma medida corretiva. Entre as aplicações previstas estão o acompanhamento de cargas e veículos, a identificação de riscos operacionais e a gestão de atividades que dependem da integração de diferentes sistemas.
Integração de dados na cadeia de suprimentos
A plataforma utiliza a infraestrutura TNS, que conecta empresas, motoristas, dados e soluções relacionados ao transporte. Segundo a nstech, seu ecossistema reúne 75 mil clientes e mais de 2,4 milhões de motoristas.
A integração de sistemas como ERPs, plataformas de gerenciamento de transporte (TMSs) e dispositivos embarcados é parte da implementação. A empresa recomenda iniciar o processo com um diagnóstico operacional para identificar gargalos, revisar fluxos de trabalho e organizar as informações necessárias à automação.
A partir da conexão entre os sistemas, os agentes de IA podem utilizar dados operacionais para acompanhar ocorrências e executar ações dentro dos parâmetros definidos. A proposta é substituir parte do trabalho de consulta e conferência manual por processos automatizados, mantendo a participação humana nas decisões que exigem análise e supervisão.
Segundo a nstech, a capacidade de monitoramento pode passar de 30 para até 500 ativos por cadeira operacional. O resultado efetivo, porém, depende das características da operação, do grau de integração dos sistemas e das tarefas que podem ser automatizadas.
Inteligência artificial para reduzir custos logísticos
O lançamento ocorre em um contexto de pressão sobre os custos e a eficiência do transporte de cargas. A nstech cita estimativa do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) segundo a qual os custos logísticos representam cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O material também menciona dados atribuídos à Uber Freight sobre a circulação de caminhões vazios.
Nesse cenário, ferramentas de monitoramento e automação podem auxiliar no acompanhamento de indicadores, na identificação de desvios e na coordenação de atividades entre os diferentes participantes da cadeia logística.
A tecnologia também busca reduzir a dependência de sistemas isolados, nos quais as informações precisam ser consultadas em diferentes plataformas antes que uma decisão seja tomada. Com os dados integrados, a empresa pretende ampliar a capacidade de resposta a ocorrências que afetam o nível de serviço e os custos operacionais.
“O grande desafio da logística é entregar controle, visibilidade e previsibilidade que permitam o equilíbrio do nível de serviço sem deixar o custo de servir sair do controle”, afirma Achiles Rodrigues, vice-presidente de Clientes, Estratégia e Mercado da nstech.
A empresa apresenta o modelo como uma evolução dos sistemas de software como serviço (SaaS), com foco não apenas na disponibilização de ferramentas, mas também na execução de atividades e na obtenção de resultados operacionais.
A efetividade da proposta dependerá da qualidade dos dados, da integração entre sistemas, dos limites de autonomia estabelecidos e da capacidade de medir os resultados obtidos após a implementação.



