Mudança no despacho com a Declaração Única de Importação agiliza comércio exterior

27/05/2019

A Receita Federal tem anunciado nos últimos anos uma série de medidas com o objetivo de agilizar a compra de produtos no exterior. De acordo com a empresária e sócia-fundadora da Ativo Soluções em Comércio Exterior (Fone: 48 3879.1700), Samanta de Souza Brito, entre as ações mais recentes, o aprimoramento do despacho com a Declaração Única de Importação (Duimp) deve beneficiar cerca de 40 mil empresas que trabalham com comércio exterior no Brasil. “A Duimp é um documento que reúne todas as informações do processo de importação, desde a parte aduaneira, comercial, administrativa e fiscal, entre outras que fazem parte do controle de órgãos públicos.”

Ainda segundo Samanta, um dos principais diferenciais do novo modelo é a prestação de contas de forma centralizada a todos os órgãos governamentais, o que reduz significativamente o tempo gasto em toda a operação. “Outra vantagem é o fato de que esta declaração pode ser emitida antes mesmo de a mercadoria chegar ao Brasil, de forma paralela às licenças de importação. Isso possibilita a antecipação de processos, diminuindo o tempo de fluxo da carga”, explica.

De fato, um dos principais benefícios do aprimoramento do despacho com a Declaração Única de Importação (Duimp) é o retorno da Licença de Importação (LI) parcial, antigo Guia de Importação, que há mais de 20 anos estava em desuso.

“Como isso favorece o Comércio Exterior? Hoje, cada importação precisa pedir uma Licença de Importação, aguardar deferimento, muitos órgãos levam 20 dias ou mais para emitir, dependendo da demanda. Com a LI parcial é possível pedir a licença para uma quantidade ‘x’ e ir a usando de forma parcial, conforme a necessidade do importador. Isso garante rapidez ao processo e promove a desburocratização”, comenta Samanta.

 

Expectativa

A expectativa é que a mudança, que deve entrar totalmente em vigor neste ano, fomente o setor, pois reduz os custos e acelera o processo.

Por enquanto, a implantação da Duimp está ocorrendo de forma gradual, sendo que a fase piloto começou em 1º de outubro de 2018. Neste primeiro momento, apenas os importadores certificados como Operadores Econômicos Autorizados (OEA), na modalidade Conformidade Nível 2, poderão fazer o registro utilizando esse modelo. Depois de totalmente em vigor, o que deve acontecer ainda em 2019, o novo processo de importação da Receita Federal deve beneficiar as empresas que trabalham com comércio exterior no Brasil. O objetivo é fazer uma grande reformulação normativa e procedimental para que a atuação dos órgãos governamentais seja mais eficiente e, ao mesmo tempo, segura.

“É esperada, também, uma diminuição dos custos financeiros, uma vez que a carga deve ficar armazenada em recinto alfandegado por muito menos tempo. Além disso, com base em uma gestão de riscos antecipada, muitas mercadorias chegarão ao Brasil já com a definição do nível de conferência aduaneira”, explica Samanta.

Ela resalta que a armazenagem é um dos custos que as empresas que importam têm que arcar. Agora, o controle é feito pelo depositário no modelo Controle de Carga e Trânsito (CCT), ou seja, a carga só ficará nas áreas alfandegadas caso algum órgão ou o próprio importador solicite. Para os portos isso também é uma vantagem, pois carga parada significa menos espaço disponível. Assim, a movimentação ficará mais ágil.

Por outro lado, a Duimp permite que as informações sobre o processo de importação sejam prestadas antecipadamente, assim, é possível adiantar alguns dos procedimentos de fiscalização. Isso ajuda a gerenciar riscos e, também, a acelerar a importação. Quando iniciado antes da chegada da mercadoria, o processo pode ser readaptado antes do despacho e seguir um novo modelo caso seja necessário.

A empresária encerra comentando outras mudanças que deveriam ser feitas para agilizar o processo de importação. “Acredito que a análise dos processos sob anuência da ANVISA seja feita pela jurisdição, onde a carga será liberada. Hoje, quando registrada uma licença de importação, ela é distribuída para todo território nacional de forma aleatória. Se a carga irá chegar a Florianópolis, a mesma LI pode ser analisada no Acre, por exemplo.”

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Prioridades para a carga aérea global incluem digitalização, padrões internacionais e segurança operacional, destaca IATA
Prioridades para a carga aérea global incluem digitalização, padrões internacionais e segurança operacional, destaca IATA
Operadores logísticos ampliam investimentos mesmo diante de cenário de custos elevados, aponta estudo da ABOL
Operadores logísticos ampliam investimentos mesmo diante de cenário de custos elevados, aponta estudo da ABOL
No mês da Mulher, IVECO abre inscrições para capacitação gratuita de motoristas no transporte de cargas
No mês da Mulher, IVECO abre inscrições para capacitação gratuita de motoristas no transporte de cargas
Porto de Aratu inicia operação de granéis vegetais no terminal ATU 18 e projeta até 3 milhões de toneladas no primeiro ano
Porto de Aratu inicia operação de granéis vegetais no terminal ATU 18 e projeta até 3 milhões de toneladas no primeiro ano
Fiscalização de combustíveis ganha importância durante a Semana do Consumidor diante da instabilidade no mercado internacional
Fiscalização de combustíveis ganha importância durante a Semana do Consumidor diante da instabilidade no mercado internacional
Transporte de soja no Corredor Norte da VLI cresce 10% e atinge 9 bilhões de TKU em 2025
Transporte de soja no Corredor Norte da VLI cresce 10% e atinge 9 bilhões de TKU em 2025

As mais lidas

01

Links Field e Virtueyes firmam parceria para ampliar conectividade IoT no setor de logística e transporte
Links Field e Virtueyes firmam parceria para ampliar conectividade IoT no setor de logística e transporte

02

Assaí amplia parceria com iFood e leva delivery a um terço de suas lojas no Brasil
Assaí amplia parceria com iFood e leva delivery a um terço de suas lojas no Brasil

03

Digitalização logística no Brasil cresce 23% ao ano impulsionada por pressão por eficiência operacional
Digitalização logística no Brasil cresce 23% ao ano impulsionada por pressão por eficiência operacional