Monsanto faz aporte na startup Grão Direto

25/05/2018

Dois anos após trazer ao país o Monsanto Growth Ventures, seu braço de investimentos em venture capital, a multinacional anuncia o primeiro aporte em uma startup brasileira. A escolhida é a Grão Direto, empresa de Uberaba (MG) que desenvolveu uma plataforma digital para a compra e venda de grãos. Ainda hoje, a maior parte dessas negociações são por telefone ou WhatsApp.

A startup receberá R$ 2,3 milhões em rodada inicial – o maior valor, de US$ 330 mil, será da Monsanto, e o restante do fundo de investimentos Canary e os criadores do OpenVC. “Em 12 meses, mapeamos no país mais de 100 startups para conhecer novos negócios”, diz Bernardo Nogueira, líder da Monsanto Growth Ventures no Brasil. Segundo ele, a companhia já investiu globalmente em 20 startups, mas em alguns casos decidiu desinvestir.

O aporte da Monsanto é o primeiro realizado de forma direta em uma novata do agronegócio, e acompanha a corrente de investimentos de fundos e outras empresas no segmento de “agtechs”. No ano passado, a Monsanto colocou indiretamente R$ 1 milhão na também mineira Tbit, escolhida após um processo de seleção de startups lançado em parceria com a Microsoft e o fundo BR Startups. A Tbit criou uma solução baseada em inteligência artificial que dispensa os processos manuais e químicos de análise de qualidade de sementes e grãos na indústria. Em abril, a Syngenta adquiriu a Strider, por valor não revelado. Foi o primeiro negócio fechado no país com uma empresa de agricultura digital.

Como todas as soluções, a Grão Direto se fiou a uma “dor” do campo para desenvolver sua ferramenta. Nesse caso, a dificuldade de acesso relatada por produtores e compradores. Se até agora o produtor vende sua safra para quatro ou seis compradores, a intenção é que, à medida que a tecnologia se difunda, eles passem a ter uma carteira maior. E o mesmo vale para os compradores: uma carteira de 100 clientes pode se transformar em milhares, com a plataforma identificando quem está vendendo grão de acordo com as expectativas do comprador.

“A fazenda se tornou tão moderna, os processos industriais são tão modernos, mas a compra e a venda de grãos ainda é feita de forma desestruturada: por ligação telefônica e, mais recentemente, por WhatsApp. Não há quem não reclame disso”, diz Alexandre Borges, CEO e cofundador da Grão Direto. “Criamos uma teia muito mais eficiente entre produtores e compradores”.

Criada em 2016, a plataforma do Grão Direto permite que produtores insiram no aplicativo do celular o que estão vendendo – nesta fase soja, milho, sorgo, trigo e cevada – e com o preço de saca desejado. Os compradores informam o que estão buscando e quanto querem pagar. Os algorítimos localizam as pontas e apresenta uma lista de interessados por ordem de probabilidade de sucesso. Por enquanto, o serviço não é cobrado. Em breve, funcionará por assinatura. “Isso aumenta as possibilidades de áreas do comprador [que podem ser exploradas]. Para o produtor é um ganho de inteligência para saber se é o momento de entrar no mercado. Ninguém fica refém de ninguém”, afirma Borges.

“Somente para encher um navio Panamax, de 60 mil toneladas, são necessários 100 produtores com uma média de 3 mil quilos de soja por hectare”, afirma Nogueira, sugerindo o novo horizonte que a tecnologia poderia propiciar.

Nesta primeira fase, a Grão Direto optou por limitar a área de adoção da tecnologia a 250 municípios do Triângulo Mineiro, noroeste de Minas e sul de Goiás. Ao todo são 1.300 produtores cadastrados e certificados. Do outro lado estão 40 compradores de grãos, como cooperativas, tradings, corretores e plantas de ração, e outros 100 corretores independentes.

Além de dobrar a equipe atual, de oito para 16, a intenção é aumentar o raio de atuação e intensificar o desenvolvimento de produtos e serviços. A inclusão de arroz, feijão e aveia no portfólio de negociações também é prevista.

Fonte: Valor Econômico

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Investimentos da Amazon no Brasil superam R$ 75 bilhões após aporte recorde de R$ 19 bilhões em 2025
Investimentos da Amazon no Brasil superam R$ 75 bilhões após aporte recorde de R$ 19 bilhões em 2025
Estudo da CNT mostra que metade das rodovias públicas brasileiras tem baixo índice de segurança viária
Estudo da CNT mostra que metade das rodovias públicas brasileiras tem baixo índice de segurança viária
Prêmio ATP 2026 abre inscrições e inclui categoria de sustentabilidade para destacar projetos de portos privados brasileiros
Prêmio ATP 2026 abre inscrições e inclui categoria de sustentabilidade para destacar projetos de portos privados brasileiros
Criminalidade urbana cada vez mais inteligente exige novas respostas do setor logístico, destaca Velox Soluções Técnicas
Criminalidade urbana cada vez mais inteligente exige novas respostas do setor logístico, destaca Velox Soluções Técnicas
Rondonópolis recebe segunda etapa da Gincana do Caminhoneiro 2026 em polo estratégico do agronegócio
Rondonópolis recebe segunda etapa da Gincana do Caminhoneiro 2026 em polo estratégico do agronegócio
Parceria da BBM com a Farizon transformam operação logística em laboratório de eletrificação no Brasil 
Parceria da BBM com a Farizon transforma operação logística em laboratório de eletrificação no Brasil 

As mais lidas

01

Quantas bolas de futebol cabem em um carreto? Lalamove leva veículo transparente às ruas de São Paulo em ação interativa
Quantas bolas de futebol cabem em um carreto? Lalamove leva veículo transparente às ruas de São Paulo em ação interativa

02

Allog relança ação gratuita de palpites no futebol e premia com 2 viagens internacionais
Allog relança ação gratuita de palpites no futebol e premia com 2 viagens internacionais

03

Redução de 57% nos sinistros graves marca nova edição do Desafio Zero Acidentes da Volvo com transportadoras
Redução de 57% nos sinistros graves marca nova edição do Desafio Zero Acidentes da Volvo