Modec vê Brasil como melhor mercado para crescer e mira grandes contratos

23/01/2020

De olho no potencial de crescimento da indústria de petróleo do Brasil com o pré-sal, a gigante japonesa Modec buscará conquistar pelo menos um ou dois grandes contratos de afretamento de plataformas por ano no país, onde aposta no desenvolvimento tecnológico para se destacar frente a rivais internacionais.

Em entrevista à Reuters, o diretor digital e vice-presidente de operações do grupo Modec na América Latina e Gana, Soichi Ide, destacou que a concessão de importantes ativos para gigantes petroleiras nos últimos anos classificou o Brasil como o melhor local do mundo para a empresa crescer.

Nas projeções da fornecedora e operadora de plataformas, a Petrobras e outras petroleiras multinacionais deverão demandar de 20 a 30 plataformas nos próximos cinco anos.

“Nós estamos muito focados em Brasil”, disse Ide, com entusiasmo, em seu escritório no Rio de Janeiro. “Eu conheço outros mercados no Mar do Norte, África, Ásia… Não há outros locais como o Brasil, onde nós podemos realmente continuar produzindo novos projetos nessa base, quatro ou cinco projetos todo ano. Isso não está acontecendo em nenhum mercado no mundo, apenas no Brasil.”

Como parte do plano de crescimento, a empresa prevê contratar 800 funcionários no Brasil em 2020, elevando em 35% o quadro de 2,3 mil empregados locais. Segundo o executivo, cerca de 90% dos funcionários da japonesa no país são brasileiros.

Ele afirmou que a empresa observa todas as oportunidades de novos contratos, mas acredita que poderá ser mais eficiente nos mais longos e de maior porte. E, com a abertura do mercado, a Modec está pronta para agregar conhecimento junto aos novos operadores no país, acrescentou.

No ano passado, a Modec inaugurou nova base de operações em Macaé (RJ) como resposta ao aumento da demanda operacional de suas embarcações na Bacia de Campos e às projeções de expansão do negócio para os próximos anos.

Presente no Brasil desde 2003, a Modec já é responsável por 35% da produção do pré-sal brasileiro, com 11 plataformas de petróleo operacionais no país e outras quatro em construção.

Diante dos negócios já em curso e da perspectiva de crescimento, Ide afirmou que a Modec decidiu investir em tecnologia para ampliar os resultados e contribuir com o desenvolvimento regional.

DESTAQUE TECNOLÓGICO

Como fruto desse empenho, a Modec viu a inclusão de uma de suas plataformas em uma seleta lista do Fórum Econômico Mundial, a chamada “Global Lighthouse Network”, com instalações que têm conseguido obter os melhores resultados globais na implantação de novas tecnologias.

A plataforma incluída foi a FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, que produz no campo de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, operado pela Petrobras.

É a primeira vez que uma instalação industrial localizada na América Latina é incluída na “rede de faróis”– o reconhecimento também é inédito entre unidades offshore e contempla pela primeira vez uma unidade operada por uma empresa japonesa.

“Considerando que o Brasil está crescendo, nós temos que ser eficientes, produtivos. O Brasil tem muito potencial e nós queremos destravar isso”, afirmou Ide, frisando que o país já é muito desenvolvido no setor de óleo e gás.

Ide destacou ainda que o desenvolvimento tecnológico reconhecido pelo Fórum Econômico foi todo realizado pela empresa no Brasil.

Dentre as iniciativas da Modec em tecnologia, Ide destacou processos de digitalização e ferramentas digitais, que segundo ele permitiram uma redução de 65% no tempo de inatividade na plataforma que opera em Tartaruga Verde.

“Temos uma grande quantidade de dados de nossas operações no Brasil e, com a ajuda de ferramentas digitais, podemos antecipar problemas e garantir a operação segura e estável de nossa frota”, explicou ele, destacando que cada plataforma conta com mais de 10 mil sensores instalados.

A meta da Modec, acrescentou, é ser uma referência no processo de transformação digital da indústria de petróleo e gás em meio ao processo de transição energética do setor rumo a operações mais sustentáveis.

Fonte: UOL

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