Caminhão elétrico Mercedes-Benz eActros 400 percorre 476 km até Curitiba sem recarga

A Mercedes-Benz do Brasil realizou um novo teste de longo percurso com o caminhão elétrico eActros 400, de primeira geração, indicado para operações interurbanas de cargas médias e pesadas. O veículo percorreu 476 km entre São Bernardo do Campo (SP) e São José dos Pinhais (PR), na região metropolitana de Curitiba, sem necessidade de recarga intermediária.

O modelo saiu da planta da empresa em São Bernardo do Campo e seguiu pela Rodovia Régis Bittencourt até o Posto Pelanda 27. Com velocidade média de 60 km/h, o caminhão chegou ao destino com 9% de bateria restante. Testado com PBT de 19.200 kg e carga líquida de 6.200 kg, registrou eficiência de 0,85 kWh/km.

Caminhão elétrico Mercedes-Benz eActros 400 percorre 476 km até Curitiba sem recarga

Histórico de testes do eActros 400 no Brasil

Este não foi o primeiro teste de longa distância. Em maio, o Mercedes-Benz eActros 400 já havia percorrido 442 km entre São Bernardo do Campo e o Rio de Janeiro, também sem recarga intermediária. Na ocasião, a velocidade média foi de 63 km/h, com eficiência de 0,70 kWh/km e 30% de bateria restante ao final do trajeto.

Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, “o eActros chegou ao destino restando ainda 9% de bateria. Com velocidade média de 60 km/h, ele registrou uma média de eficiência de 0,85 kWh/km, o que reforça o veículo como o de maior autonomia entre os elétricos no País”.

Testes em clientes e eletromobilidade no Brasil

A Mercedes-Benz está conduzindo testes do eActros 300 e 400 e do caminhão leve conhecido como FUSO eCanter, em parceria com empresas brasileiras como Braspress Transportes Urgentes, Suzano, AGL, Marimex e Ypê. Os modelos são aplicados em operações reais de logística, transporte de celulose, produtos de consumo e serviços.

Ferrarez destacou que “essa é a nova era tecnológica e sustentável da Mercedes-Benz no Brasil. Como integrante do Grupo Daimler Truck AG, a nossa ambição é clara: contribuir para o transporte sustentável no mundo”.

A fabricante já tem experiência no Brasil com eletrificação em ônibus urbanos, como o modelo elétrico eO500U e, futuramente, o articulado eO500UA. A expertise agora é aplicada também ao setor de caminhões.

Tecnologia e desempenho do eActros

O eActros é oferecido em versões 300 e 400, equipadas com três ou quatro conjuntos de baterias, cada uma com capacidade instalada de 112 kWh. Dependendo do modelo, da aplicação e da carga, a autonomia varia entre 220 km e 400 km. O carregamento rápido pode ser concluído em até 1h15.

O trem de força conta com um eixo eletrificado de dois motores resfriados a líquido, que entregam potência contínua de 330 kW e máxima de 400 kW, com transmissão de duas marchas. O sistema de freio regenerativo reaproveita energia das frenagens, devolvendo-a às baterias.

Na cabina, o caminhão oferece painel LCD colorido, display multimídia sensível ao toque, MirrorCam, volante multifuncional e recursos de conectividade. Em segurança, o eActros incorpora tecnologias como ABA5 (assistente ativo de frenagem), SGA (ponto cego), ESP (controle de estabilidade) e Attention Assist (fadiga).

Aplicações no transporte interurbano

Projetado para cargas médias e pesadas, o caminhão elétrico eActros pode receber carroçarias como baú carga seca, refrigerado e porta-pallets. É indicado para o transporte de alimentos, bebidas, móveis, eletrodomésticos e operações de logística entre centros de distribuição, armazéns e fábricas, incluindo segmentos de e-commerce e varejo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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